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Amar o amor


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06/05/2018 13h39

Amar o amor

Frei Venildo Trevisan


 Francisco de Assis percorria os povoados, as estradas e as florestas gritando: “O amor não é amado!”. E quem o escutasse sentia-se tomado de uma unção divina e passava a pensar qual seria o significado dessa aclamação. Amar o amor continua causando também em nossos dias uma certa inquietude e uma enorme interrogação.

 
A sociedade é uma verdadeira selva habitada por seres humanos desconhecidos uns dos outros e ocupados simplesmente em descobrir meios mais cômodos de viver a vida sem depender dos demais. São verdadeiras ilhas isoladas e incomunicáveis, embora profundamente necessitadas de complementação para se sentirem percebidas e respeitadas em seu modo de ser.
 
Surge o desafio da comunicação que leve a um relacionamento solidário e que seja um caminho possível de ser percorrido e partilhado fraternalmente. Para isso, surge a necessidade existencial de amar e sentir-se amado. Amar será, então, dar vida a quem amamos. E mais: amar será dar a vida pessoal a quem necessita de amor.
 
Esse amor é o amor que vem de Deus e termina em Deus. É o amor que não se perde. É fácil dizer isso. Mas não será igualmente fácil viver isso. A prática desse amor tem aspectos maravilhosos, alegres, contagiantes e transformadores.
 
Esse amor celebra a partilha de dons, de sentimentos, de emoções e de sonhos. Esse amor leva à comunhão na fé e uma complementação saudável e feliz, em que um se torna esperança para o outro e ambos se tornam plenitude de alegria e de paz.
 
Esse amor passa também por alguma experiência amarga e dolorosa. Desentendimentos e crises afetivas podem querer interromper uma vida saudável. Será preciso encarar o fato com humildade e paciência. Serão momentos amargos a exigir renúncia pessoal e entrega total. Não haverá como fugir, nem se livrar. Será preciso morrer para si para ser vida nova a quem necessita de nós. Será preciso passar pelo calvário redentor para chegar à ressurreição com o Senhor.
 
Todos conhecemos o amor. Seja pela sua presença, seja pela sua ausência. Todos necessitamos do amor. Seja para quem o cultive e o comungue, seja pela dor de sua carência. Não é fácil manter-se em uma vivência fiel desse amor. Não é fácil conviver com pessoas que esfriaram no amor. Não é fácil  conviver com pessoas  que caíram na indiferença e na crise em um relacionamento.
 
 
Não será fácil ressuscitar esse amor. Mas será possível desde que tenhamos a humildade em reconhecer nossa fragilidade no relacionamento e nossas limitações  no perdão. Será preciso exercitar o respeito e a humildade, a confiança e a fidelidade. Mais ainda: será preciso acolher e praticar aquilo que o Mestre dos mestres nos ensina.
 
E seu ensinamento é esse: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida” (Jo. 15,12).  Amar não é privilégio de quem sabe. Amar é dever de todos. É natural sentir-se feliz quando se é bem quisto e sentir-se triste quando se é rejeitado. A honra é sempre bem-vinda, mas a desonra não faz bem a ninguém.  
 




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