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Setor avança e muda perfil do trabalho no campo


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23/08/2011 12h40

Setor avança e muda perfil do trabalho no campo

G1 MS


 

Para o produtor rural César Lyrio, a fazenda de quase três mil hectares no município de Nova Alvorada do Sul, distante 120 quilômetros de Campo Grande, não é mais a mesma. Ele conta que foi um dos pioneiros na transição da pecuária para a cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul.

“Todo dia é desafio. Cada etapa, cada mudança requer investimentos e muito sacrifício.” enfatizou o produtor rural.

Nas décadas de 70 e 80 o governo federal lançou o programa chamado Pró álcool e incentivou a produção de cana na tentativa de diminuir a dependência do petróleo. Os canaviais avançaram pelo interior do país e a produção de álcool no brasil saltou de 600 milhões de litros por ano para 12 bilhões de litros.

Apesar da iniciativa, o preço do petróleo no mercado internacional fez o programa brasileiro não seguir em frente. Em Mato Grosso do Sul os empresários sentiram as consequências. Indústrias fecharam as portas e deixaram dívidas.

Há 30 anos, o cenário da cana nas fazendas mostrava uma cultura atrasada. Trabalhadores cortavam toneladas de cana por dia, para receber até um salário minimo. A colheita era rudimentar com uso do fogo e os reflexos ambientais eram muitos.

Atualmente o setor sucroalcooleiro vive uma nova fase, principalmente na questão tecnológica. Na indústria automobilística os novos produtos deram sinais de grande demanda para a cana-de-acúcar. Surgiram os carros “flex”, movidos a álcool e a gasolina, e o setor ganhou novo fôlego.

As usinas de cana e os empresários do setor sucroenergético viram em Mato Grosso do Sul espaço e clima favoráveis para a atividade. Com isso veio o boom de novas industrias. Foram 15 usinas instaladas somente no inicio desta década.

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso do Sul deve colher este ano mais de 40 milhões de toneladas de cana. O aumento é de 22%em relação ao ano anterior. A expectativa é de que nos próximos anos o incremento seja ainda maior.

“Toda essa expansão que está sendo feita hoje vai ser consumida no mercado interno. Paralelamente na medida em que as regulações vão evoluindo ocorrerá também a expansão do etanol em nível mundial”, analisa o superintendente da usina Santa Luzia, Newton Soares.

A exigência do mercado internacional provocou mudanças internas dos sistemas de produção. Muitas empresas investiram para transformar imagem deixada pelo passado. O comportamento agora segue o conceito da responsabilidade sócio-ambiental e econômica. Tudo é feito com a mais alta tecnologia.

“Como há uma tendência mundial de encontrar fontes alternativas de energia e energias renováveis, a utilização do bagaço excedente na produção se tornou uma excelente opção. Então isso é a geração de energia que era feita apenas para a autossuficiência, passou com a disponibilização de alta tecnologia de novas caldeiras, novas turbinas e novos geradores, de 15 anos para cá passou a ser bastante viável a geração de energia elétrica em alta escala”, explica Soares.

Na mesma região da pecuária antiga, nos chamados “campos de vacaria”, agora a moenda da cana é controlada por computadores. Por dia são processados 21 milhões de toneladas de cana. O tratamento do que sobra deste processo também se modernizou.

Especialistas explicam que osresíduos da fabricação do álcool agora são usados para gerar energia elétrica. Dessa forma, os resíduos saem da fábrica, passam por turbinas e depois vão para uma central de distribuição.

Transformações
O município de Nova Alvorada do Sul, passou por transformações profundas, principalmente na geração de empregos e no perfil do trabalho. Daniel da Costa e Silva era auxiliar administrativo e ganhava meio salário minimo por mês. Ele recebeu treinamento da empresa e hoje, dois anos depois, é operador de usina com um salário quase oito vezes maior.

“Pra gente que vem de cidade pequena é difícil porque você tem poucas oportunidades na própria cidade, com isso a gente tenta criar oportunidades, a gente corre atrás e tenta conseguir um futuro melhor, ter coisas para criar a própria família e o próprio sustento”, conta o operador.

Mercado de trabalho
No campo, as máquinas fazem a função que poderia ser feita por 80 homens. Os trabalhadores antigos têm a chance de estudar e conseguir postos mais altos. As mulheres ganharam mais colocações.

Na usina Santa Luzia, cerca de 30% das máquinas são operadas por mãos femininas. De acordo com a empresa, a delicadeza e atenção são valores disputados. Foi depois de perceber esse potencial que Fabiana da Silva resolveu mudar conceitos e se lançar ao desafio. Aos 28 anos ela ocupa o primeiro emprego no cargo de tratorista.

“Eu queria aprender alguma coisa não sabia fazer nada, aí surgiu a oportunidade eu vim fazer o teste passei e tô aí, resolvi encarar com medo mas, resolvi”, relata a funcionária.

*Do G1 MS





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