Ministros de Luiz Inácio Lula da Silva admitem que a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostrando a alta na reprovação ao governo preocupa e culpam a inflação dos alimentos pelo resultado.
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A desaprovação ao governo do petista completou a quarta alta consecutiva e agora aparece descolada do índice de aprovação, em um nível inédito para a atual gestão. São 56% os que desaprovam a administração petista, contra 41% que a avaliam positivamente. As taxas eram de 49% e 47%, respectivamente, no levantamento anterior, de janeiro.
Ministros ouvidos reservadamente pelo GLOBO avaliam que a inflação dos alimentos está se sobressaindo às políticas positivas e entregas do presidente, por impactar diretamente o bolso dos brasileiros.
Segundo a Quaest, 88% dos brasileiros perceberam que o preço dos alimentos subiu no último mês, enquanto 81% afirmam que o poder de compra dos brasileiros é menor do que há um ano — alta de 13 pontos percentuais comparado a dezembro de 2024.
A alta nos alimentos tornou-se uma das principais preocupações de Lula e seu entorno. Os efeitos dessa inflação atingem justamente os grupos populacionais que o Planalto vê como essenciais na tentativa de reeleição em 2026, como os trabalhadores informais e parcelas da classe média.
Embora medidas do governo de zerar tarifas de alguns alimentos tenham começado a surtir efeito nos supermercados, o impacto é restrito e o preço da alimentação continua subindo, com alta de 1,09% no mês de março. No mês, o brasileiro viu o preço do ovo subir cerca de 20%. Em seguida aparecem o tomate (12,57%) e o café moído (8,53%). Os dados são do IPCA-15, índice que funciona como uma prévia da inflação.
Para ministros de Lula, a alta nos alimentos vai na contramão de conquistas como aumento da massa salarial e mais empregos no mercado de trabalho. Esses titulares definem o atual panorama como preocupante, mas afirmam que o governo já começou a reagir e apostam nas entregas do governo ao longo deste ano para reverter o cenário até o final do mandato, em 2026.
Uma das respostas à crise, por exemplo, foi reduzir a zero as tarifas de importação de nove alimentos para facilitar o ingresso desses produtos no mercado interno e evitar alta de preços. O efeito maior deve se dar nos casos em que o Brasil é grande importador, como azeite e sardinha.
A gestão também lançou, no final de março, uma nova plataforma para facilitar a concessão de empréstimo consignado com desconto em folha de pagamentos, batizada de Crédito do Trabalhador. Até esta terça-feira, o novo modelo liberou R$ 2,8 bilhões em empréstimos para assalariados.