Caroline Lima
PUBLICADO EM:
03/02/2026 05h27
O design brasileiro como posicionamento: o que a ABIMAD revela sobre o novo mercado premium
Por Evilyn Ribeiro
Foto: assessoria
A ABIMAD sempre foi um termômetro importante para entender os rumos do design e da alta decoração no Brasil. Mas, ao percorrer a 41ª edição da feira, o que mais me chamou atenção não foram apenas as formas, os acabamentos ou as paletas de cores. O que vi foi um setor mais consciente de si, mais seguro da própria identidade e disposto a usar o design como posicionamento estratégico, não apenas como estética.
O design brasileiro apareceu de maneira muito clara, especialmente na valorização de materiais naturais, como a madeira nacional, fibras, pedras e elementos que carregam textura, origem e história. Não se trata de uma tendência passageira, mas de uma linguagem que vem sendo consolidada por marcas que entenderam que o luxo contemporâneo não está no excesso, e sim na intenção.
Outro ponto que considero fundamental é a valorização da indústria nacional. Diferente de outros momentos do mercado, percebi uma militância silenciosa, e necessária, em torno do “feito no Brasil”. Marcas que não apenas produzem aqui, mas que comunicam seus processos, seus fornecedores e o cuidado envolvido em cada etapa. Isso agrega valor real ao produto e cria uma conexão mais profunda com arquitetos, especificadores e consumidores finais.
A presença forte de técnicas artesanais, do feito à mão e da ancestralidade também foi marcante. Vi rendas transformadas em obras de arte, cadeiras revestidas com fibras naturais retiradas de forma consciente, peças que carregam narrativas de origem e pertencimento. Quando o design conta uma história, ele deixa de ser apenas funcional e passa a ser emocional, e isso muda completamente a relação com o produto.
Outro aspecto importante foi o perfil do público. A ABIMAD recebeu um número expressivo de arquitetos e especificadores de alto padrão, o que reforça uma mudança no próprio mercado: menos volume, mais curadoria; menos generalismo, mais nicho. O alto luxo está cada vez mais interessado em peças que tenham conceito, identidade e coerência estética.
Apesar dos desafios que todo setor enfrenta em ciclos econômicos mais complexos, o clima que percebi foi de otimismo responsável. Um mercado atento, seletivo e disposto a evoluir. As marcas estão mais preparadas para dialogar diretamente com quem especifica, constrói e pensa os espaços, deixando a loja como um segundo momento da experiência, e não mais como o ponto inicial da relação.
Para mim, acompanhar feiras como a ABIMAD é essencial. Elas não servem apenas para lançar produtos, mas para entender movimentos, ajustar estratégias e reafirmar valores. Na Evy Lyne Premium, acreditamos que o design precisa unir estética, funcionalidade e propósito. E a feira mostrou que o mercado premium brasileiro está, finalmente, caminhando nessa direção.
O design brasileiro está mais maduro, mais autoral e mais consciente do seu papel. E isso, sem dúvida, é um sinal positivo para todos que atuam - e acreditam - nesse segmento.
Sobre Evilyn Ribeiro
Evilyn Ribeiro é empresária e designer de interiores, à frente da Evy Lyne Premium, marca brasileira de móveis planejados de alto padrão com mais de 40 anos de história. Filha do fundador da antiga Ibramol, cresceu dentro da fábrica da família e participou da reestruturação completa da empresa, reposicionando-a no segmento premium. Com formação pela Belas Artes e especializações em gestão, marketing e tendências internacionais, atua com foco em curadoria, personalização e design autoral, unindo tradição, tecnologia e uma visão humanizada do morar.
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