Fernando Rubino
PUBLICADO EM:
05/02/2026 13h13
Da cerveja ao glitter: curtir o Carnaval está quase 80% mais caro que há 10 anos
Estudo da Rico mostra que gastos com bebidas, estética e viagens encareceram acima do IPCA; folia ficou cerca de 14 pontos percentuais mais cara que a inflação média do país
Para muitos brasileiros, o Carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano e, nos últimos anos, também passou a pesar mais no bolso. Um estudo da Rico mostra que a chamada “cesta carnavalesca”, composta por produtos e serviços consumidos nos dias de folia, acumulou alta de 79,07% em 10 anos, acima da variação de 64,77% do IPCA no mesmo período.
“De maneira simplificada, isso significa que os principais itens consumidos durante o carnaval subiram perto de 14% a mais do que a inflação média de bens e serviços do país nos últimos 10 anos”, afirma Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo levantamento.
Os dados fazem parte de um estudo elaborado pela Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc., que analisou o comportamento dos principais gastos associados ao Carnaval, como bebidas, maquiagem, bijuterias, serviços de beleza e transporte, em diferentes horizontes de tempo.
No recorte de seis anos, a diferença entre a cesta temática e o índice geral se estreitou, mas a pressão segue acima da média: a cesta carnavalesca subiu 48,97%, contra 39,15% do IPCA. No curto prazo, olhando para 2025, a seleção também permaneceu à frente da inflação oficial.
“Ou seja, a folia tem encarecido acima da inflação nos últimos anos”, destaca Maria Giulia.
A cesta carnavalesca: quanto ficou mais caro curtir a folia?
Para medir o impacto real no bolso dos foliões, o estudo da Rico construiu uma cesta hipotética com alguns dos principais produtos e serviços consumidos durante o Carnaval, como cerveja, outras bebidas alcoólicas, bijuterias, artigos de maquiagem, cabeleireiro, passagens aéreas e ônibus interestaduais.
Os números mostram que o impacto não vem de um único item, mas da combinação de vários reajustes concentrados no período carnavalesco.
Bebidas: o brinde ficou mais caro
Nos últimos 10 anos, a cerveja acumulou alta de 58,18%, enquanto outras bebidas alcoólicas — como destilados e coquetéis prontos — subiram ainda mais, com inflação de 80,76% no período, a maior entre os itens analisados.
“Esse aumento reflete o encarecimento dos insumos, como malte e alumínio para as latas”, aponta o estudo. No caso de outras bebidas alcoólicas, a valorização do dólar, que impacta o custo de importação de insumos, também ajudou a impulsionar os preços.
O vinho, por sua vez, apresentou inflação menor no período analisado, com alta de 23,64% nos últimos seis anos, já que passou a integrar o IPCA apenas a partir de 2020.
Maquiagem e bijuterias: brilhar custa mais
Itens ligados ao visual carnavalesco também ficaram mais caros. As bijuterias acumularam inflação de 61,76% em 10 anos e de 57,84% em seis anos, mostrando um avanço consistente ao longo do tempo.
No curto prazo, o acumulado de 2025 apresentou a maior alta entre todos os itens analisados, superando inclusive a própria cesta carnavalesca. “Esse movimento é explicado pelo aumento dos custos de produção e a alta do dólar, que encarece insumos como metais e pedras sintéticas”, aponta o estudo.
Já os artigos de maquiagem tiveram alta de 35,16% em 10 anos e de 29,09% em seis anos, refletindo o encarecimento de pigmentos importados e embalagens.
Serviços e viagens: demanda concentrada pressiona preços
Serviços de beleza, como cabeleireiro e barbeiro, também sofreram reajustes relevantes. Nos últimos seis anos, a inflação acumulada foi de 42,62%. “Esse tipo de serviço é influenciado pelo comportamento da renda disponível da população e pela variação da demanda, que tende a subir em períodos de festas”, aponta o estudo.
Para quem viaja no Carnaval, os custos de deslocamento são outro fator de pressão. As passagens aéreas acumularam alta de 74,23% em 10 anos e de 48,64% em seis anos, enquanto as passagens de ônibus interestaduais subiram 54,91% em 10 anos.
Fatores como preço dos combustíveis, câmbio, demanda e ajustes na oferta ajudam a explicar essas variações expressivas.
Conclusão: a folia pesa mais no bolso
O levantamento mostra que, de bebidas a serviços e transporte, o Carnaval ficou mais caro por uma combinação de fatores como aumento da demanda, mudanças tributárias, encarecimento de insumos e depreciação cambial.
“Para quem quer curtir a folia sem comprometer o orçamento, vale a pena planejar os gastos com antecedência, buscar promoções e considerar alternativas mais econômicas”, conclui Maria Giulia Figueiredo.
4 dicas para curtir o Carnaval sem sofrer com a ressaca financeira
Além de mostrar como a inflação tem pesado mais no bolso dos foliões nos últimos anos, o estudo da Rico reforça a importância do planejamento financeiro para atravessar o Carnaval sem comprometer o orçamento. A seguir, Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, reúne orientações práticas para aproveitar a festa com mais consciência — e menos aperto depois da Quarta-Feira de Cinzas.
- Antecipe gastos e fuja da inflação de última hora
No Carnaval, serviços e deslocamento tendem a ficar mais caros pela alta concentração de demanda. Planejar gastos com antecedência, comprar passagens antes e criar pequenas reservas ajuda a evitar preços inflacionados nos dias de festa.
- Proteja seu dinheiro durante a folia
Em meio a aglomerações, vale adotar cuidados simples: desativar pagamento por aproximação dos cartões, evitar Wi-Fi público, usar doleira e, se possível, levar um celular secundário. Em caso de furto, o contato imediato com o banco reduz prejuízos.
- Tenha uma reserva de emergência
Imprevistos acontecem — e a reserva funciona como um “abadá financeiro”. O ideal é priorizar liquidez e segurança, com aplicações que permitam resgate rápido, evitando o uso de crédito caro no pós-Carnaval.
- Organize o orçamento para o resto do ano
Depois da folia, colocar os gastos na planilha ajuda a evitar que a ressaca financeira se estenda pelos meses seguintes. Visualizar despesas fixas, variáveis e sazonais traz mais controle e facilita decisões ao longo do ano.
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