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20/03/2026 20h53
Dia Mundial da Água: campanha alerta para a importância do Cerrado na segurança hídrica do país
Foto: As veredas funcionam com esponjas naturais no bioma Cerrado, regulando a recarga hídrica e mantendo nascentes. Correntina, Oeste da Bahia. Foto: Fellipe Abreu/Acervo ISPN
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Campanha Cerrado Coração das Águas promove ação no dia 22 de março para debater a importância do bioma para o Distrito Federal e o país
Como parte da campanha Cerrado, Coração das Águas, será realizada uma mobilização em Brasília (DF), no Eixão do Lazer (altura da 204 Norte), a partir das 10h30. A programação inclui uma roda de conversa sobre o papel estratégico do bioma na segurança hídrica e uma oficina de lambe-lambe (colagem de cartazes com a marca da campanha) aberta ao público. O evento reúne diversas organizações socioambientalistas como ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IEB e WWF-Brasil, com o objetivo de ampliar o debate público sobre a importância do Cerrado como um verdadeiro “coração das águas”, responsável por alimentar grandes bacias hidrográficas do país. Cerrado sob pressão Dados recentes evidenciam a gravidade da situação. Estudo conduzido pelo pesquisador Yuri Salmona (UnB) analisou 81 bacias hidrográficas do Cerrado entre 1985 e 2022 e identificou redução da vazão em 88% delas. Segundo a Ambiental, agência de jornalismo baseado em ciência e dados, seria o equivalente a esvaziar 30 piscinas olímpicas de água por minuto desde a década de 1970. A projeção é de perda de até 35% das reservas hídricas do bioma até 2050. A principal causa está associada às mudanças no uso da terra, especialmente ao desmatamento e à expansão da fronteira agropecuária. Segundo dados do MapBiomas, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado já foi suprimida. Entre os casos mais críticos está a bacia do Rio São Francisco, cuja vazão mínima de segurança caiu pela metade nas últimas décadas. A substituição da vegetação nativa por monoculturas e pastagens tem impacto direto na recarga hídrica e na manutenção dos rios. Além disso, o uso intensivo da água para irrigação – que representa mais da metade do consumo hídrico nacional, segundo a Agência Nacional de Águas – aumenta ainda mais a pressão sobre os recursos disponíveis. Contaminação e impactos sociais O cenário de escassez é agravado pela contaminação das águas. O uso intensivo de agrotóxicos no Cerrado afeta diretamente a qualidade da água e a saúde das populações locais. Comunidades tradicionais, que historicamente protegem o bioma, estão entre as mais impactadas. No Cerrado, 2.600 comunidades, distribuídas em 480 municípios, que desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade. Relatos de territórios no oeste da Bahia apontam para o desaparecimento de nascentes, redução do nível dos aquíferos e aumento de problemas de saúde associados à exposição a substâncias químicas.
Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia, manifesta preocupação com a morte de nascentes na região. “Nossa comunidade está aqui há pelo menos 300 anos. Nos últimos 50, a comunidade perdeu 97% de sua extensão para a grilagem e empresas do agronegócio, e 60 nascentes já morreram”, afirma. Além do desaparecimento das nascentes, verifica-se também a redução do nível da água do lençol freático. “A água é o sangue da terra. Assim como a gente precisa do sangue para viver, a água é o que faz brotar a vida no Cerrado. Cada árvore que é derrubada e cada nascente que morre é um pouco da gente que acaba secando também. Pensamos nas vidas que dependem daquela nascente, em toda fauna e flora que deixam de existir porque perdem sua fonte de água”, completa Elizete. Para o ISPN, reconhecer e proteger os territórios de povos e comunidades tradicionais é uma estratégia fundamental para conservar o Cerrado. Esses grupos estão presentes em milhares de comunidades e desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade. “Sob uma perspectiva que valoriza a soberania nacional, reconhecer os territórios dos povos e das comunidades tradicionais do Cerrado é um passo estratégico para conservar a biodiversidade do bioma para a segurança hídrica e climática do país”, destaca a coordenadora do Programa Cerrado, Isabel Figueiredo. Serrinha do Paranoá em alerta A campanha também chama atenção para a situação da Serrinha do Paranoá, área localizada no Distrito Federal que abriga 119 nascentes e importantes remanescentes de Cerrado. A comunidade está recolhendo assinaturas aqui pela proteção permanente da Serrinha. A possibilidade de destinação da área para fins de capitalização do Banco de Brasília, envolvido no caso de corrupção no Banco Master, levanta preocupações entre organizações socioambientais. A região integra a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central e desempenha papel relevante na segurança hídrica do Lago Paranoá. Cerrado, Coração das Águas A campanha Cerrado, Coração das Águas reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IIEB e WWF-Brasil. A proposta é comunicar, de forma acessível e mobilizadora, a centralidade do bioma para o equilíbrio hídrico do país. Ao destacar o Cerrado como um “coração” que pulsa e distribui água para diferentes regiões, a campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a urgência de proteger suas nascentes, rios e territórios.
Autoria: Assessoria de Comunicação do ISPN
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