João Melo
PUBLICADO EM:
16/10/2026 14h48
Viagens corporativas devem gerar resultados, e não apenas despesas, avalia especialista
Foto: pixels
Com gastos globais projetados em US$ 1,71 trilhão em 2026, empresas buscam medir o retorno das viagens e usar dados para equilibrar custos, produtividade e geração de negócios
As viagens corporativas devem movimentar US$ 1,71 trilhão no mundo em 2026, segundo projeção da Global Business Travel Association (GBTA). Diante desse volume, uma questão ganha espaço nas empresas: quanto desses recursos está, de fato, contribuindo para os resultados do negócio?
Para Humberto Cançado, sócio-diretor da Voetur Viagens, a resposta depende de uma mudança de perspectiva: avaliar os deslocamentos não apenas pelo custo, mas também pelos objetivos e resultados que podem proporcionar.
“Uma viagem corporativa não deve ser avaliada apenas pelo preço da passagem ou da hospedagem. É preciso entender qual objetivo motivou aquele deslocamento e o que a empresa espera alcançar com ele. Sem essa clareza, o gestor enxerga a despesa, mas não necessariamente o valor que ela pode gerar”, afirma o executivo.
Essa avaliação não significa que toda viagem seja um investimento automaticamente rentável. Uma reunião comercial pode abrir caminho para um contrato, enquanto uma visita técnica pode acelerar um projeto ou evitar problemas operacionais. Para medir esses resultados, a empresa precisa estabelecer objetivos antes do embarque e acompanhar indicadores compatíveis com cada finalidade, como oportunidades comerciais geradas, conversão em vendas, cumprimento de prazos e produtividade. Nem todo retorno aparece imediatamente no faturamento, mas isso não elimina a necessidade de acompanhar os resultados.
Outro ponto importante é distinguir redução de custos de eficiência. Escolher a passagem mais barata nem sempre representa a melhor decisão quando o itinerário aumenta o tempo de deslocamento, o hotel fica distante dos compromissos ou a demora na aprovação faz uma tarifa mais vantajosa desaparecer.
“O objetivo não é simplesmente gastar menos, mas usar melhor os recursos. Uma economia no preço pode perder valor quando compromete a agenda do profissional ou gera despesas adicionais em outras etapas da viagem”, explica Cançado.
Nesse cenário, os dados ajudam a identificar onde estão as oportunidades. Informações sobre antecedência das compras, custo por destino, cumprimento da política de viagens, utilização de tarifas negociadas e reaproveitamento de créditos de passagens permitem compreender não apenas quanto a empresa gasta, mas por que gasta. Ferramentas de gestão e plataformas como a Payfly podem ampliar a visibilidade das despesas e apoiar a análise, desde que os dados sejam utilizados para orientar decisões e corrigir desvios.
Para Humberto Cançado, essa análise também amplia o papel da gestão de viagens, que deixa de se concentrar exclusivamente em reservas e negociações para contribuir com o planejamento financeiro e as prioridades do negócio.
“Quando a empresa cruza os gastos com os objetivos de cada deslocamento, consegue identificar o que funciona, onde há desperdício e quais decisões precisam mudar. A gestão de viagens passa a ser estratégica porque oferece informações para decidir melhor, e não apenas para controlar despesas”, conclui.
A mudança de abordagem não elimina a necessidade de controle orçamentário. Ela amplia o critério de avaliação: além de perguntar quanto custou uma viagem, a empresa passa a investigar o que foi alcançado, quais recursos foram utilizados e como os próximos deslocamentos podem gerar melhores resultados.

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