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Argentinos 'vêm da Europa'? Entenda de onde vem essa autoimagem citada em fala polêmica de Alberto Fernández


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10/06/2021 20h38

Argentinos 'vêm da Europa'? Entenda de onde vem essa autoimagem citada em fala polêmica de Alberto Fernández

Especialistas explicam que, no passado, houve na Argentina esforços deliberados para apagar as raízes indígena e negra da formação de sua população.

Por Bruno Lupion, Deutsche Welle


 A declaração do presidente da Argentina, Alberto Fernández, de que "os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e nós, chegamos em barcos (...) que vinham da Europa" expôs a resiliência de um mito sobre a formação do povo argentino que remonta ao século 19, e foi condenada por setores da sociedade empenhados em reconhecer as suas raízes indígenas e africanas.

Fernández fez o raciocínio na quarta-feira (09), durante um encontro com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Buenos Aires.

A fala imediatamente provocou reação dentro e fora da Argentina. Mais tarde, ele escreveu no Twitter que se orgulhava da "diversidade" do país, que não quis ofender ninguém e pediu desculpas "a quem tenha se sentido ofendido ou invisibilizado".

 

Composição étnica da Argentina

 

Assim como em outros países latino-americanos, a população da Argentina tem três raízes fundamentais: os povos originários que já ocupavam o território há milhares de anos, os europeus que invadiram o continente e os escravos africanos levados para lá à força.

Nos séculos 16 a 19, estimativas apontam que mais de 200 mil escravos africanos chegaram a Buenos Aires e a Montevidéu, capital do Uruguai. Para efeito de comparação, nesse mesmo período 388 mil escravos africanos foram levados aos Estados Unidos. Um censo realizado em 1778 apontou que cerca de um terço da população da Argentina era formado for afrodescendentes e africanos.

 

O maior fluxo migratório para o país ocorreu entre 1850 e 1950, quando cerca de 7 milhões de europeus, principalmente da Espanha e da Itália, mudaram-se para a Argentina. Junto a isso, iniciou-se um esforço deliberado do Estado para reduzir a presença dos negros e povos originários nos registros oficiais.

 

Em 2010, pela primeira vez desde o final do século 19, o censo da Argentina perguntou se as pessoas eram afrodescendentes, mas muitos ativistas consideram que faltou o governo promover, antes, um processo de sensibilização para que essa parcela da população se reconhecesse como tal.

Naquele ano, apenas 0,4% da população local se declarou afrodescendente. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília em 2008 a partir da coleta de material genético, no entanto, estimou que 9% dos argentinos têm origem africana, e que 31% descendem dos povos originários.

 
 




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