04/01/2026 11h03
Venezuela: fim de um ciclo e o desafio da reconstrução democrática
Elias Tavares
"O que está em jogo não é a vitória de potências estrangeiras, mas a devolução da Venezuela aos venezuelanos", afirma. Para ele, o desafio agora é garantir uma transição pacífica, democrática e soberana — única saída possível para a reconstrução institucional do país.
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Depois de mais de duas décadas, a Venezuela chega a um ponto decisivo da sua história. O país viveu, desde 1999, um processo contínuo de concentração de poder iniciado com Hugo Chávez e aprofundado por seu sucessor, Nicolás Maduro. O resultado foi conhecido: eleições questionadas, repressão política, colapso econômico e milhões de venezuelanos forçados a deixar o país.
O regime chavista não caiu de uma vez. Ele foi sendo desmontado por dentro, até que a democracia se tornasse apenas formal. As eleições continuaram existindo, mas a possibilidade real de alternância de poder foi eliminada. A oposição foi perseguida, silenciada ou impedida de disputar.
Os acontecimentos mais recentes, envolvendo a atuação direta dos Estados Unidos, encerram esse ciclo. É importante ser claro: Washington não age por altruísmo. A política internacional é movida por interesses estratégicos, disputa de poder e influência, e a Venezuela ocupa um espaço central nesse tabuleiro, inclusive por suas reservas de petróleo. Ignorar isso seria ingenuidade.
Ainda assim, o efeito prático dessa movimentação é relevante. Pela primeira vez em muitos anos, abre-se uma janela concreta para que a Venezuela volte a ser conduzida pelos venezuelanos, por meio de um processo democrático real, com eleições livres, participação da oposição e observação internacional.
Nesse contexto, o Brasil perdeu uma oportunidade importante. Ao se manifestar em defesa do regime venezuelano, o presidente Lula, na minha avaliação, erra. O país poderia ter adotado uma postura de mediação, ou ao menos de silêncio estratégico, preservando protagonismo regional. Ao escolher um lado, o Brasil se afastou de um papel que historicamente poderia exercer com mais equilíbrio.
O desafio agora é olhar para frente. O que está em jogo não é a vitória de um ator externo, mas a reconstrução institucional da Venezuela. O melhor desfecho possível é claro: uma transição pacífica, democrática e soberana, que devolva ao povo venezuelano o direito de decidir seu próprio futuro.
Depois de tanto tempo, não se trata de celebrar interesses estrangeiros, mas de torcer para que, enfim, a Venezuela seja devolvida aos venezuelanos de forma pacífica e definitiva.
Elias Tavares
Cientista político
O regime chavista não caiu de uma vez. Ele foi sendo desmontado por dentro, até que a democracia se tornasse apenas formal. As eleições continuaram existindo, mas a possibilidade real de alternância de poder foi eliminada. A oposição foi perseguida, silenciada ou impedida de disputar.
Os acontecimentos mais recentes, envolvendo a atuação direta dos Estados Unidos, encerram esse ciclo. É importante ser claro: Washington não age por altruísmo. A política internacional é movida por interesses estratégicos, disputa de poder e influência, e a Venezuela ocupa um espaço central nesse tabuleiro, inclusive por suas reservas de petróleo. Ignorar isso seria ingenuidade.
Ainda assim, o efeito prático dessa movimentação é relevante. Pela primeira vez em muitos anos, abre-se uma janela concreta para que a Venezuela volte a ser conduzida pelos venezuelanos, por meio de um processo democrático real, com eleições livres, participação da oposição e observação internacional.
Nesse contexto, o Brasil perdeu uma oportunidade importante. Ao se manifestar em defesa do regime venezuelano, o presidente Lula, na minha avaliação, erra. O país poderia ter adotado uma postura de mediação, ou ao menos de silêncio estratégico, preservando protagonismo regional. Ao escolher um lado, o Brasil se afastou de um papel que historicamente poderia exercer com mais equilíbrio.
O desafio agora é olhar para frente. O que está em jogo não é a vitória de um ator externo, mas a reconstrução institucional da Venezuela. O melhor desfecho possível é claro: uma transição pacífica, democrática e soberana, que devolva ao povo venezuelano o direito de decidir seu próprio futuro.
Depois de tanto tempo, não se trata de celebrar interesses estrangeiros, mas de torcer para que, enfim, a Venezuela seja devolvida aos venezuelanos de forma pacífica e definitiva.
Elias Tavares
Cientista político
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