04/01/2026 15h00
Porto de Iquique se consolida como pilar da logística boliviana com recorde de carga em 2025
O fluxo de mercadorias bolivianas pelo Porto de Iquique alcançou 888 mil toneladas entre janeiro e outubro de 2025.
Este é um patamar que afasta a leitura de pico ocasional e reposiciona o terminal chileno como peça estrutural da logística andina. O volume médio mensal, próximo de 90 mil toneladas, indica continuidade operacional e reforça a integração do porto à estratégia de comércio exterior da Bolívia, segundo dados operacionais do próprio terminal e autoridades regionais de Tarapacá.
A regularidade da movimentação expõe um corredor que deixou de responder a ciclos curtos e passou a sustentar uma projeção externa mais consistente da economia boliviana. Na prática, a pressão recai sobre pátios, acessos rodoviários, turnos de operação e sistemas aduaneiros.
De acordo com operadores logísticos da região, quando há falhas em alfândega, transporte terrestre ou coordenação tecnológica, o impacto se propaga por todo o corredor; quando o fluxo é contínuo, os efeitos positivos aparecem em empregos, serviços e atividade econômica local em Tarapacá.
O desempenho de Iquique contrasta com a volatilidade observada em outros terminais do Pacífico que dependem de cargas spot. Autoridades portuárias destacam que a Bolívia não utiliza o porto de forma episódica: o terminal está integrado à sua equação econômica em um momento de revisão da política comercial e de acesso a mercados.
Essa dinâmica coincide com a agenda de integração produtiva regional e com a perspectiva do Corredor Bioceânico, que tende a ampliar a circulação de cargas entre Atlântico e Pacífico.
O desafio, contudo, é estratégico. Especialistas em logística e planejamento urbano ouvidos por veículos regionais alertam que ampliar capacidade sem elevar padrões de gestão apenas desloca gargalos.

A decisão central para Iquique é avançar da condição de ponto de trânsito para a de polo logístico, com investimentos em inteligência operacional, interoperabilidade de sistemas e coordenação interinstitucional entre porto, aduanas e transporte rodoviário.
Como o corredor pode ganhar eficiência
Técnicos do setor apontam três frentes prioritárias: (1) digitalização integrada de processos aduaneiros para reduzir tempos de liberação; (2) gestão de pátios e janelas de atracação baseada em dados para suavizar picos; e (3) coordenação com autoridades locais para adequar acessos urbanos e turnos de transporte terrestre. Essas medidas, segundo associações logísticas, elevam a previsibilidade e reduzem custos sem exigir apenas expansão física.
Com a Bolívia avançando para uma política econômica mais aberta ao comércio e à integração produtiva, a logística dos países vizinhos deixa de ser mera infraestrutura e passa a influenciar diretamente a competitividade regional. Se houver coordenação e confiança operacional, o fluxo que hoje pressiona sistemas pode se converter em vantagem estrutural duradoura para Iquique e para o corredor andino como um todo.




