05/01/2026 08h46
Manejo reprodutivo equino: como proceder?
Por: Equipe técnica da Ceva Saúde Animal
O desenvolvimento da equinocultura mundial se deve, em parte, à incorporação de biotecnologias de reprodução assistida, que têm como principal objetivo aumentar a eficiência reprodutiva. Isso, consequentemente, resulta em ganhos na cadeia de produção e na performance animal, acelerando o aprimoramento de raças e linhagens.
Poliéstricas estacionais, a maioria das éguas apresenta sua máxima atividade ovariana nas épocas do ano em que o período de luz diária é maior, como a primavera e o verão. Fatores como temperatura, escore corporal e nutrição também influenciam o ciclo estral. É relevante ressaltar que a duração do ciclo tende a ser irregular tanto no início quanto ao final da estação de monta.
O conhecimento sobre o ciclo estral das éguas é um pilar fundamental para um manejo reprodutivo eficaz, pois possibilita maior controle dos protocolos a serem adotados, especialmente em inseminação artificial (IA) e transferência de embriões (TE). Compreender a dinâmica desse ciclo permite acompanhar o momento exato da ovulação e determinar a época ideal para inseminações e transferências embrionárias.
Sabe-se que, na espécie equina, existe grande irregularidade na duração do estro, sobretudo em relação ao momento da ovulação. Essa variação, abre espaço para a hormonioterapia indutora. Esse recurso permite prever o momento da ovulação dentro de um intervalo específico e contribui para o aumento das taxas de concepção.
A previsão da ovulação é um pré-requisito para sistemas eficientes de reprodução assistida. Por isso, compreender a fisiologia do crescimento folicular e os mecanismos de ação dos agentes indutores torna-se cada vez mais relevante. Além disso, quando se trata de transferência de embriões, é necessário que doadoras e receptoras estejam na mesma fase do ciclo estral para garantir êxito no procedimento. Sem sincronização, o útero da receptora pode não estar preparado para a implantação e o desenvolvimento do embrião.
A administração de agentes indutores no momento inadequado do ciclo é uma das causas mais comuns de falhas reprodutivas. Considera-se ideal realizar a indução quando a égua apresenta folículo pré-ovulatório, edema uterino e relaxamento adequado de cérvix. A maioria das éguas ovula entre 36 e 48 horas após a indução, podendo variar individualmente.
Existem diversos agentes hormonais indutores, sendo o HCG (Gonadotrofina Coriônica Humana) o mais utilizado. Além de induzir a ovulação, estudos mostram benefícios adicionais em protocolos de transferência de embriões, já que o HCG está associado a maior incidência de ovulações múltiplas — favorecendo a recuperação embrionária — e ao aumento da produção de progesterona logo após a ovulação. Esses efeitos positivos ocorrem tanto em doadoras quanto em receptoras.
A transferência de embriões (TE) é a biotecnologia de reprodução assistida que mais se desenvolveu na indústria equina nas últimas décadas. Seu princípio consiste na coleta de um ou mais embriões de uma égua de alto valor genético, previamente coberta ou inseminada com um garanhão de destaque, visando a produção de potros com potencial superior. Entre 6 e 8 dias após a ovulação da doadora (dia 0), realiza-se um lavado uterino transcervical, e o embrião é transferido para a receptora previamente sincronizada. Éguas inseminadas com sêmen congelado requerem um dia adicional antes da coleta.
A técnica é especialmente recomendada para éguas de elevado valor genético e/ou esportivo, pois permite que continuem ativas, treinando e competindo, enquanto sua prole é gerada. Elas são afastadas de suas atividades por cerca de duas semanas — cenário bem diferente daquele das éguas que levam a gestação a termo.
Ao longo dos últimos anos, o aprimoramento dos protocolos hormonais e a experiência crescente dos profissionais na área transformaram a transferência de embriões em uma ferramenta estratégica para acelerar o progresso genético dos equinos. Ao permitir maior número de descendentes por égua de alto valor e maior controle do processo reprodutivo, a TE tornou-se peça-chave na equinocultura moderna, ampliando produtividade, competitividade e sustentabilidade.
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Referências:
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