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Dependência de fertilizantes expõe risco estratégico e acelera corrida por produção nacional


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  • mell280

19/01/2026 08h39

Dependência de fertilizantes expõe risco estratégico e acelera corrida por produção nacional

Ana Borges


Com 85% do insumo vindo do exterior, Brasil aposta em investimentos, automação e inovação sustentável para reduzir vulnerabilidade, ganhar competitividade e garantir segurança alimentar.

O Brasil figura entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo, mas essa posição estratégica vem acompanhada de uma fragilidade histórica que é a dependência externa. Atualmente, cerca de 85% do insumo utilizado no país é importado, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Essa vulnerabilidade ficou evidente após choques geopolíticos recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, que provocaram alta nos preços e expuseram riscos à segurança alimentar.

“Embora as questões envolvendo a Venezuela não tragam grandes impactos ao setor, o ano é de cautela. Ampliar a produção interna para garantir competitividade e estabilidade é de suma importância, ainda mais diante do acordo Mercosul-União Europeia”, afirma o economista Adenauer Rockenmeyer, delegado do Corecon-SP.

Hoje, a maior parte dos fertilizantes que chegam ao Brasil vem de países como Rússia, Canadá, China e Marrocos. Essa concentração cria vulnerabilidades não apenas econômicas, mas também estratégicas. Para enfrentar esse cenário, o governo estabeleceu uma meta ambiciosa: reduzir a dependência para 70% até 2030, conforme previsto no Plano Nacional de Fertilizantes. Para isso, estão programados investimentos de R$ 16 bilhões em novas plantas industriais e tecnologias até 2028.

A adoção de soluções inovadoras é decisiva para mudar o jogo. Instrumentação analítica, automação e digitalização surgem como ferramentas estratégicas capazes de garantir qualidade e eficiência na produção nacional, permitir o uso de matérias-primas locais com processos otimizados e reduzir custos para competir com o mercado internacional.

De acordo com Rafael Soares, da Pensalab, a instrumentação analítica assegura a  confiabilidade do produto e a otimização do processo produtivo. “Com monitoramento da qualidade em tempo real, é possível controlar a composição dos fertilizantes, garantindo que atendam aos padrões de qualidade adequados e cumpram as exigências de sustentabilidade, de acordo com as normas do Ibama, Conama e Mapa, evitando perdas e assegurando padrões internacionais”, explica. Já a automação oferece ganhos de escala e economia ao reduzir desperdícios, diminuir o consumo de insumos, aumentar a produtividade e viabilizar plantas mais eficientes.

Outro ponto crucial é a inovação voltada para fertilizantes verdes, afirma Roberto Gonzalez, especialista em ESG. “Tecnologias sustentáveis não apenas atendem às exigências ambientais, mas também abrem portas para novos mercados, alinhando a produção à agenda ESG”, destaca. Por fim, a integração digital da cadeia de suprimentos completa essa transformação. Plataformas inteligentes permitem rastreabilidade e logística otimizada, reduzindo gargalos e fortalecendo a competitividade nacional.

O caminho para reduzir a dependência externa é complexo, mas viável, segundo os especialistas. Com investimentos robustos e tecnologia de ponta, o Brasil pode transformar vulnerabilidade em oportunidade, garantindo segurança alimentar e consolidando sua posição como potência agrícola global.

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