- mell280
05/02/2026 05h43
Mercado imobiliário de alto padrão cresce 20% em 2025 e supera os R$ 30 bilhões
Crescimento de 20% no Valor Geral de Vendas (VGV) revela concentração de mercado e consolida imóvel de luxo como reserva de valor em cenário de juros elevados.
O mercado imobiliário brasileiro de Médio e Alto Padrão (MAP) demonstrou resiliência e vigor excepcionais ao longo de 2025, encerrando o ano com um Valor Geral de Venda (VGV) lançado de R$ 30 bilhões. O montante representa um crescimento de 20% em comparação com os R$ 25 bilhões registrados em 2024, considerando o grupo dos maiores desse nicho, segundo um levantamento consolidado de indicadores operacionais do setor, divulgado hoje pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC).
Esse avanço do mercado, no entanto, não foi uniformemente distribuído, indicando uma forte concentração de negócios no segmento médio e alto padrão. O crescimento foi sustentado por um grupo seleto de incorporadoras de grande porte, que possuem balanços financeiros robustos e escala operacional para navegar em um ambiente macroeconômico desafiador. Analisando o público, o fenômeno reflete uma tendência de "voo para a qualidade" (flight to quality), onde consumidores e investidores priorizam projetos com maior valor agregado e solidez.
Hegemonia operacional e os grupos que romperam a barreira dos R$ 3 bilhões
No topo da lista, a Cyrela mantém a liderança isolada, seguida pela Moura Dubeux, com R$ 4,6 bilhões. A disputa no ranking evidencia a força de operações regionais e do capital privado, colocando o Grupo Plaenge como o próximo classificado com R$ 3,1 bilhões em VGV lançado.
A presença da Plaenge entre os “top nacional”, em particular, é um dado estatístico que chamou a atenção dos analistas em 2025. Sendo a maior construtora de capital fechado do país (Ranking Valor 1000), o grupo apresentou o maior índice de aproveitamento de vendas (VSO) entre as líderes: dos R$ 3,1 bilhões lançados, converteu R$ 2,8 bilhões em vendas líquidas (90,3%). Este desempenho ressalta a eficiência comercial e a forte aderência de seus produtos ao perfil que demanda o mercado de luxo.
Barreiras de entrada e a nova tese do imóvel como ativo financeiro
Apesar do recorde de VGV, o setor enfrenta desafios significativos. Dados da Sondagem da Indústria da Construção (CNI/CBIC) indicam que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) se estabilizou em patamares elevados. Este custo pressiona as margens e eleva as barreiras de entrada para incorporadores de menor porte, favorecendo a consolidação das grandes empresas.
O cenário para o próximo ano sugere a manutenção da demanda por imóveis como ativo de proteção patrimonial, com um mercado cada vez mais segmentado e profissionalizado.



