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Depois do pioneirismo, a presença: conheça as mulheres que redesenham o Brasil no século XXI


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08/03/2026 06h48

Depois do pioneirismo, a presença: conheça as mulheres que redesenham o Brasil no século XXI

Em 25 anos, brasileiras celebram conquistas pela primeira vez na história em cargos de liderança, premiações ou recordes antes inimagináveis no Brasil de outras épocas.

Por Karina Almeida — São Paulo


 

 O pioneirismo não é apenas história para brasileiras do século XXI. Se no passado a luta era por direitos fundamentais, como o voto e a autonomia civil, hoje o desafio é institucional: ocupar os centros de comando, liderar pesquisas globais e romper o "teto de vidro" em áreas historicamente masculinas para garantir a diversidade e representatividade feminina. Neste século, elas vêm quebrando recordes mundiais, liderando e recebendo prêmios pela primeira vez na história do Brasil. Neste Dia Internacional da Mulher, a CBN destaca as trajetórias que estão moldando o presente e abrindo caminhos para o futuro. 

Educação: De Pioneiras para Pioneiras 

As mulheres ocupam cerca de 80% dos cargos de diretoria e gestão escolar, segundo o Censo Escolar. Nomes como o de Débora Seabra, a primeira professora com Síndrome de Down do Brasil, provam que a sala de aula é um espaço de resistência, inovação e principalmente de inclusão. No entanto, a ocupação desses espaços ainda é marcada pelo desafio de romper o descrédito institucional. Débora Garofalo, reconhecida em 2026 como a educadora mais influente do mundo, revolucionou o ensino ao unir robótica e sustentabilidade em áreas de vulnerabilidade.

Débora Garofalo revolucionou o ensino ao unir robótica e sustentabilidade — Foto: Divulgação

Débora Garofalo revolucionou o ensino ao unir robótica e sustentabilidade — Foto: Divulgação

Mesmo no topo, ela recorda que o caminho foi pavimentado pela necessidade de provar, constantemente, seu conhecimento técnico diante de colegas homens.“Olhavam para mim e me questionavam o tempo todo que eu estava fazendo artesanato com os meus estudantes, e não robótica”, relata.

Garofalo iniciou a revolução na Escola Municipal Almirante Ary Parreiras, em São Paulo. A ideia surgiu como contraponto à vulnerabilidade social dos alunos como solução para um problema recorrente: o despejo irregular do lixo. Com as meninas, o trabalho foi apresentar um universo antes distante. “Elas podem, sim, projetar uma casa, mas uma casa inteligente, com Internet das Coisas (IoT). Precisamos mudar esse paradigma cultural e histórico que nos distancia da tecnologia”, explica. 

No mundo acadêmico, a presença feminina massiva no ensino superior só ganhou força entre as décadas de 1960 e 1970. Hoje, as mulheres são maioria nas graduações brasileiras, honrando o legado de figuras como Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do país, e Sônia Guimarães, a primeira mulher negra doutora em Física no Brasil e primeira professora negra do ITA. Contudo, para as mulheres negras, o acesso ao topo da academia ainda enfrenta barreiras raciais profundas, cujo enfrentamento ganhou escala com a implementação das cotas.

Ivete Sacramento, primeira reitora negra do Brasil na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), é o rosto dessa reparação histórica e da democratização do saber. Ela ressalta que, no Brasil, “não basta ser uma negra ocupando um espaço na educação, mas a gente tem que fazer desse espaço um espaço de abertura de fato para as políticas públicas e ações afirmativas”.

Ivete Sacramento, primeira reitora negra do Brasil na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) — Foto: Divulgação

Ivete Sacramento, primeira reitora negra do Brasil na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) — Foto: Divulgação

Para ela, sua gestão resultou em mais acadêmicas, mestres e doutoras, algo nunca antes visto na história. “Estamos formando mestres, doutores e cientistas negros que hoje comandam pesquisas vitais para este país”, celebra.

 

Lugar de Menina é na Tecnologia e na Ciência

 

No terceiro milênio, as mulheres já lideram grandes descobertas na ciência. Brasileiras como Jaqueline Góes, que liderou o sequenciamento genético da Covid-19, mostram que os laboratórios são, sim, lugar de mulher. E ressaltam que elas podem e já são referências em suas pesquisas, como Mariângela Hungria, a primeira cientista brasileira a vencer o "Nobel da Agricultura" (World Food Prize) por pesquisas na área de microbiologia do solo e sustentabilidade agrícola. 

Nas carreiras na Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), as mulheres reinventam soluções dos tempos modernos. A inovação dos 'empregos do futuro' já passa por elas que, desde a infância, aprendem que meninas podem operar máquinas ou criar códigos. Afinal, a própria origem da programação tem rosto de mulher: no século XIX, Ada Lovelace criou o primeiro algoritmo da história destinado a uma máquina. Na nossa era, até mesmo a Inteligência Artificial tem uma "madrinha", a cientista chinesa Fei-Fei Li.

Camila Achutti foi a primeira latino-americana a receber o prêmio Women of Vision — Foto: Reprodução

Camila Achutti foi a primeira latino-americana a receber o prêmio Women of Vision — Foto: Reprodução

Dando continuidade a essa linhagem de mentes brilhantes, Camila Achutti fez história como a primeira latino-americana a receber o prêmio Women of Vision. À frente da Mastertech, ela trabalha para converter o pioneirismo individual em uma ocupação coletiva e irreversível. Para ela, no século XXI, deixaram de ser apenas usuárias para se tornarem as mentes por trás dos códigos.

 

“Não existe uma questão associada a gênero, a inclinação. O que existe é uma construção cultural que distanciou a gente da possibilidade de acreditar que a gente pode aprender.”, explica.

 

No entanto, o título de "pioneira" ainda carrega um sabor agridoce. Para muitas, ser a primeira significa, durante muito tempo, ser a única. “Isso fez parte da minha trajetória inteira no mundo de tecnologia, de computação, porque eu era a única menina da minha turma, eu me formei sozinha, em muitas ocasiões, até hoje, eu sou a única mulher, a única especialista técnica”, analisa a programadora. Camila relata que o reconhecimento internacional divide espaço com o incômodo de ainda encontrar salas de reunião onde a presença de uma mulher na liderança técnica causa surpresa. 

 

Segurança Pública e Forças Armadas

 

As mulheres avançam também por outras instituições tradicionalmente masculinas, como as Forças Armadas. Do heroísmo de Maria Quitéria de Jesus, passamos pela participação clandestina de Ana Vieira da Silva na Guerra Constitucionalista em São Paulo e chegamos ao século XXI com cerca de 10% do efetivo total e conquistando postos de comando.

A amazonense Joyce de Souza Conceição gravou seu nome na história como a primeira mulher a comandar uma unidade aérea. Abriu caminhos para a tenente-coronel aviadora Adriana Gonçalves Reis, hoje comandante de unidades aéreas importantes e destacando-se na região .

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