13/05/2026 12h00
União Europeia fecha cerco e rastreabilidade vira urgência para o agro brasileiro
A resposta dos produtores brasileiros precisa ser imediata. São 5 frentes que devem ser priorizadas, alerta a especialista. Produtores que não exportam diretamente também podem ser impactados, porque frigoríficos, cooperativas, tradings, redes varejistas e compradores internacionais tendem a repassar exigências para toda a cadeia
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais destinados à alimentação humana e produtos de origem animal ao bloco. A decisão, relacionada às exigências europeias sobre uso de antimicrobianos na produção animal, passa a valer em 3 de setembro. O governo brasileiro informou que buscará esclarecimentos junto às autoridades europeias, defenderá tecnicamente o sistema sanitário nacional e adotará as medidas necessárias para tentar reverter a decisão. A reação é legítima e necessária diante do impacto comercial da medida.
Para a especialista em ESG, conselheira de administração Eliana Camejo, e vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli, a atuação do governo é válida, mas não elimina o recado estrutural dado pela União Europeia. “O bloco vem deixando claro há anos que suas relações comerciais serão cada vez mais condicionadas à rastreabilidade, comprovação de origem, controle sanitário, segurança alimentar, responsabilidade ambiental e governança da cadeia. Isso é ESG na prática, ainda que muitos produtores não usem esse nome. A decisão mostra que sustentabilidade deixou de ser discurso e passou a ser critério comercial”, afirma.
Para Eliana Camejo, a resposta dos produtores brasileiros precisa ser imediata. O primeiro passo é realizar um diagnóstico da propriedade e da cadeia produtiva para identificar falhas de rastreabilidade, ausência de registros, fragilidades no controle sanitário, uso de medicamentos, documentação de origem, manejo animal, fornecedores e evidências de conformidade.
“O produtor precisa parar de tratar isso como uma exigência distante. A primeira medida urgente é saber exatamente o que ele consegue provar hoje. Se houver fiscalização, auditoria, comprador internacional ou exigência documental, ele tem registros confiáveis? Consegue demonstrar origem, manejo, tratamentos realizados, responsável técnico, prescrição veterinária, armazenamento de medicamentos, descarte correto, fornecedores, transporte e histórico sanitário? Essa é a pergunta que precisa ser respondida agora”, afirma Eliana Camejo.
Segundo ela, os produtores devem priorizar cinco frentes imediatas: organizar registros de uso de medicamentos e antimicrobianos, formalizar protocolos sanitários com acompanhamento técnico veterinário, revisar fornecedores e parceiros da cadeia, implantar controles de rastreabilidade por lote ou animal e criar evidências documentais capazes de sustentar auditorias, certificações e exigências de compradores.
“Não adianta correr para o discurso depois que a barreira aparece. O mercado internacional está pedindo prova. Quem não tiver sistema, registro e governança mínima da produção ficará exposto. O urgente agora é transformar práticas que muitas vezes existem de forma informal em processos documentados, rastreáveis e auditáveis”, completa.
A especialista ressalta que a adequação não deve ficar restrita aos grandes exportadores. Mesmo produtores que não exportam diretamente podem ser impactados, porque frigoríficos, cooperativas, tradings, redes varejistas e compradores internacionais tendem a repassar exigências para toda a cadeia.
“A pressão não ficará apenas na ponta exportadora. Ela desce para o campo. Quem fornece para uma cadeia que exporta também será cobrado. Por isso, o produtor que se antecipar terá vantagem competitiva. O que hoje parece custo pode virar proteção de mercado, acesso a compradores melhores e redução de risco reputacional”, conclui.




