- mell280
23/06/2026 07h47
A Copa pode expor o pior momento da operação de empresas despreparadas
Lentidão, indisponibilidade e falhas digitais em picos de demanda podem comprometer receita e afastar clientes
Na Copa de 2026, o problema pode não ser a falta de clientes, mas a incapacidade de atendê-los. A alta demanda esperada durante o torneio pode testar o limite operacional de empresas despreparadas, transformando uma oportunidade comercial em sistemas fora do ar, lentidão, vendas interrompidas e prejuízos imediatos. Em operações digitais, poucos minutos de indisponibilidade podem custar caro.
Igor Moura, COO da Under Protection, empresa especializada em cibersegurança e continuidade operacional, afirma que o erro mais comum está em tratar picos de demanda apenas como desafio de infraestrutura. Para ele, a pressão sobre a operação expõe vulnerabilidades que muitas vezes passam despercebidas na rotina. “Quando a empresa concentra esforços apenas em suportar mais acessos, mas não revisa processos críticos, monitoramento e capacidade de resposta, o risco deixa de ser técnico e passa a ser operacional e financeiro.”
O alerta ganha relevância diante dos dados do 2025 Data Breach Investigations Report, da Verizon, que apontam aumento de 34% na exploração de vulnerabilidades e participação de terceiros em 30% das violações registradas globalmente, indicando que momentos de pressão operacional também ampliam superfícies de risco.
A operação cai justamente quando deveria vender mais
Grandes eventos esportivos costumam elevar simultaneamente o volume de acessos, compras, autenticações, consultas e transações digitais. Para empresas dos setores de varejo, meios de pagamento, delivery, entretenimento, streaming e serviços digitais, esse aumento pode pressionar infraestruturas que já operam próximas do limite.
Segundo Moura, o problema costuma aparecer quando a empresa se prepara para vender mais, mas não testa se a operação suporta pressão real. “O erro está em acreditar que ampliar capacidade resolve tudo. As operações caem por processos frágeis, monitoramento insuficiente, contingência mal validada e respostas lentas diante de incidentes. Em momentos de pico, minutos de decisão errada custam receita, reputação e continuidade.”
Na avaliação do executivo, a indisponibilidade digital durante períodos estratégicos tem efeito imediato sobre caixa e reputação. “Quando a operação falha no momento de maior demanda, a empresa não perde apenas uma venda, entrega aquele cliente para a concorrência. No digital, a troca acontece em segundos, sem aviso, e recuperar esse consumidor depois custa muito mais caro.”
Sob pressão, o ataque custa mais caro
Além da sobrecarga operacional, períodos de alta demanda costumam se tornar mais atrativos para criminosos digitais. Com equipes focadas em sustentar a operação e menor margem para resposta, qualquer incidente tende a gerar impacto ampliado.
“Criminosos sabem identificar momentos em que a empresa está mais vulnerável. Se já existe pressão interna por estabilidade e continuidade, um ataque ou falha naquele instante se torna muito mais sensível financeiramente. O custo da interrupção cresce porque a tolerância ao tempo parado praticamente desaparece.”
Segundo o especialista, não se trata apenas de evitar ataques sofisticados, mas de reduzir a exposição em toda a operação.
Para reduzir riscos em momentos de pico, o especialista em cibersegurança recomenda algumas medidas práticas:
1. Testar se o site e os sistemas realmente suportam um pico simultâneo de acessos.
2. Corrigir falhas conhecidas e atualizar ambientes que possam virar porta de entrada para incidentes
3. Reforçar o monitoramento para identificar lentidão, instabilidade ou tentativas de ataque em tempo real
4. Validar backups e garantir um plano claro para manter a operação caso algo saia do controle
5. Definir quem decide e como a equipe deve agir caso a operação apresente falhas
“Empresas ainda podem corrigir falhas, mas precisam agir rápido. A Copa é um evento previsível. O erro está em tratar um pico esperado como se fosse uma surpresa operacional. Empresas que ignoram essa preparação podem descobrir tarde que o maior problema não era atrair clientes, mas conseguir atendê-los.”
Sobre Igor Moura
Igor Moura é sócio fundador da Under Protection e atua como COO, responsável pela retaguarda operacional das principais torres da empresa, incluindo SOC, MSSP, NG LISA e processos internos. Auditor líder das ISOs 22301, 27001 e 9001, contribuiu diretamente para a evolução técnica e organizacional da companhia desde 2001, apoiando o crescimento contínuo e a consolidação dos padrões de segurança aplicados pela empresa. Também liderou projetos em diferentes mercados, incluindo operações internacionais no Chile, fortalecendo a capacidade da Under Protection de atender ambientes complexos e de alta criticidade.
Para mais informações, acesse o Linkedln.
Sobre a Under Protection
Com mais de 20 anos de atuação, a Under Protection é especializada em cibersegurança e continuidade operacional. Criadora das metodologias LISA e NG LISA, combina monitoramento em tempo real, resposta imediata e análise integrada de pessoas, processos e tecnologia. Atua com planos priorizados e clareza executiva para proteger ambientes digitais com eficiência e resiliência.
A empresa também opera um centro de operações de segurança (NG SOC) que monitora ambientes 24/7, processando eventos em tempo real e executando ações automatizadas para contenção de ameaças. Com presença nacional e atuação em diversos setores, a Under Protection é reconhecida por sua abordagem estratégica e capacidade de adaptação às necessidades específicas de cada organização.
Para mais informações, acesse o site underprotection.
Fonte consultada:
Verizon 2025 Data Breach Investigations Report
https://www.verizon.com/business/resources/reports/dbir/



