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Cientistas explicam a adaptação do organismo a dietas hiperproteicas sem carboidratos


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  • mell280

24/06/2026 10h54

Cientistas explicam a adaptação do organismo a dietas hiperproteicas sem carboidratos

Lauanda Cardoso


 

 

Os carboidratos são um pilar essencial para manter o corpo funcionando. Após serem ingeridos, eles são convertidos em glicose, um tipo de açúcar simples, que abastece todos os órgãos e permite que o organismo permaneça vivo. Há muito os cientistas se perguntam como uma alimentação baseada em muita proteína e pouco carboidrato atua no organismo.

 

 

 

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que ocorre uma adaptação metabólica no fígado, em casos de dietas com grandes quantidades de proteína, no processo de produção da glicose, chamado gliconeogênese.

 

 

 

O mecanismo foi descoberto com a observação em aves. Mas, no estudo, foram realizados experimentos com ratos. A equipe alimentou um grupo de camundongos adultos com uma alimentação dividida em 86% de proteínas, 8% de gordura, 6% de mistura de sais e vitaminas e zero carboidrato, enquanto um grupo controle recebeu uma dieta balanceada de proteínas e carboidratos durante 30 dias.

 

Assim, foi possível tirar conclusões a partir das comparações feitas entre os dois grupos. Os pesquisadores observaram que ocorreu uma mudança inesperada na forma como o fígado sustentava essa produção de glicose.

 

No início da dieta, a produção de glicose era estimulada pelo glucagon, hormônio liberado quando o nível de açúcar no sangue cai. O glucagon ativa uma proteína chamada CREB, que induz a expressão de enzimas responsáveis pela gliconeogênese.

 

Mas, com o passar do tempo, mesmo com o glucagon elevado, essa via deixava de responder. “O fígado se torna resistente à ativação do glucagon. A via de sinalização é bloqueada”, explica o bioquímico João Batista Camargo Neto.

 

Esse fenômeno indica que o organismo não mantém o mesmo mecanismo de controle não mantém a ativação da neoglicogênese hepática (produção de glicose pelo fígado) pela ativação do glucagon, mas sim pela queda da insulina. “A via metabólica da gliconeogênese está desregulada em doenças como o diabetes tipo 2 e em alguns tipos de câncer. Entender quem controla esse processo poderá, no futuro, ajudar no desenvolvimento de novos medicamentos e de estratégias terapêuticas”, aponta Neto.

 

Por outro lado, a equipe ressalta que esse tipo de alimentação não foi testado em pessoas, dessa forma, os resultados não indicam de forma imediata que o mesmo mecanismo funciona no organismo humano.





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