- mell280
24/06/2026 09h52
Setor de alimentação adota cozinhas compartilhadas para lançar novas marcas
Faturamento do franchising de alimentação avançou 15,6%, enquanto modelo de cozinha compartilhada passa a operar diferentes marcas simultaneamente nos aplicativos de entrega
Uma única cozinha pode produzir simultaneamente para diferentes marcas nos aplicativos de entrega, sem que o consumidor perceba que os pedidos saem do mesmo endereço. O modelo multimarcas de dark kitchens ganha espaço justamente num momento de expansão do setor. O franchising de alimentação cresceu 15,6% em faturamento em 2024 e 84% das redes registraram aumento de receita no período, segundo a 14ª Pesquisa Anual Setorial de Foodservice da Associação Brasileira de Franchising (ABF), conduzida com a Galunion.
No modelo multimarcas, o operador cadastra diferentes marcas nos apps de delivery e recebe pedidos separados para cada uma. A equipe, os equipamentos e o espaço são os mesmos. O que muda é o cardápio executado em cada momento e a embalagem com a identidade de cada marca.
Para as redes franqueadas, a estrutura resolve um problema específico de expansão. Com uma cozinha já operacional, o franqueado pode lançar uma segunda marca sem abrir uma nova unidade, sem reforma e sem novo contrato de aluguel.
Um levantamento da Klavi, empresa de Open Finance, analisou o hábito de consumo de 3,2 milhões de pessoas em grandes centros urbanos do Sudeste e do Sul do Brasil no primeiro trimestre de 2025. Cada consumidor realizou em média cinco pedidos por mês, com gasto mensal de R$ 220, valor equivalente a aproximadamente 15% do salário-mínimo atual. A frequência indica que o delivery funciona como despesa recorrente, o que sustenta a demanda contínua que o modelo multimarcas exige para ser viável.
No entanto, os empreendedores podem ter dificuldades para encontrar soluções, equipamentos, espaço e conquistar as licenças necessárias para que a dark kitchen funcione plenamente. Isso chamou a atenção de investidores internacionais, como a Kitchen Central, que é a operação brasileira da americana CloudKitchens.
A plataforma permite operar com custos iniciais e mensais até 80% menores do que os de um restaurante convencional, além de infraestrutura, logística e tecnologia proprietária que consolida pedidos e gera dados operacionais para apoiar decisões de cardápio e expansão geográfica.
Com 75% dos restaurantes brasileiros sendo independentes, o país figura entre os mercados de alimentação mais fragmentados do mundo, segundo dados do Instituto Foodservice Brasil (IFB). Esse perfil amplia o espaço para modelos que oferecem estrutura profissional sem exigir o investimento de uma rede consolidada.


