- mell280
26/06/2026 06h51
Segunda safra de milho confirma bom potencial produtivo, mas cenário econômico desafia agricultores
Após encerramento do Rally da Safra, Agroconsult ajusta estimativa da segunda safra de milho para 115,8 milhões de toneladas; temporada foi marcada por diferenças entre os estados produtores, custos elevados e pressão sobre preços
A segunda safra de milho 2025/26 confirma a força da produção brasileira, mas evidencia os desafios enfrentados pelos produtores em uma temporada marcada por clima irregular, calendário de plantio mais apertado custos elevados e preços menos favoráveis.
Após o encerramento do Rally da Safra, a Agroconsult, organizadora da expedição, aponta que o Brasil deverá colher cerca de 115,8 milhões de toneladas de milho segunda safra, volume inferior aos 125,3 milhões de toneladas registrados na temporada anterior.
A estimativa representa uma revisão positiva frente aos 112 milhões de toneladas projetados no início da Etapa Milho do Rally, em 7 de maio. O ajuste reflete os resultados observados pelas equipes de campo, juntamente com a análise de imagens de satélite realizada pelo CropData, plataforma de mapeamento e classificação de área da Agroconsult.
Calendário de plantio
O Rally da Safra identificou três grandes grupos de desempenho ao longo da temporada. No primeiro, com condições consideradas muito favoráveis, estão o Médio Norte e Oeste de Mato Grosso, o Sul de Mato Grosso do Sul, o Oeste do Paraná e Sul de SP, regiões onde os produtores conseguiram realizar o plantio dentro da janela de menor risco e registraram os melhores resultados produtivos.
O segundo grupo reúne Maranhão, Piauí, Tocantins, Norte do Paraná, Sudoeste de São Paulo e parte do Leste de Mato Grosso, onde as condições de plantio foram razoavelmente favoráveis, embora os atrasos e o alongamento do ciclo tenham levado parte dos produtores a reduzir área ou assumir riscos maiores.
Já Goiás, Sudeste de Mato Grosso, Norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais formam o grupo mais impactado pelos atrasos na semeadura. Nessas regiões, o plantio ocorreu fora da janela considerada ideal, provocando redução de área e perdas significativas de produtividade devido à interrupção prematura das chuvas em abril e maio.
Área plantada
A área nacional de milho segunda safra foi estimada em 18,2 milhões de hectares, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Apesar da estabilidade nacional, houve movimentos expressivos entre os estados, refletindo os riscos associados ao calendário de plantio.
A análise das imagens de satélite do CropData mostra que o Mato Grosso ampliou a área cultivada em 2%, Mato Grosso do Sul em 5,2%, Paraná em 4,2% e Rondônia em 10,3%. Em contrapartida, houve redução de 5,9% em Goiás, 4,7% em Minas Gerais e 9,1% na região do MAPITO.
Do ponto de vista climático, a safra foi marcada por chuvas excessivas em março, que retardaram a implantação das lavouras, seguidas por períodos de seca em abril e maio em importantes áreas produtoras do Centro-Oeste. Embora algumas regiões tenham registrado chuvas em junho, a recuperação não foi suficiente para compensar integralmente as perdas já consolidadas.
Produtividade
Entre os estados monitorados, Mato Grosso apresentou os melhores resultados, com produtividade média de 130 sacas por hectare (-1,4% sobre a safra passada). O Médio-Norte e Oeste do estado tiveram destaque positivo no calendário de plantio, resultando em maior população de plantas, número e tamanho de espigas, e devem produzir tão bem quanto no ano passado. No entanto, houve atraso nas regiões Leste e Sudeste, levando a resultados mais baixos.
Já Goiás registrou um dos maiores impactos da temporada, com produtividade média de 83 sacas por hectare, queda de 34,6% sobre o ciclo passado. Mato Grosso do Sul alcançou média de 99,3 sacas por hectare, beneficiado pelo bom desempenho do Sul do estado, enquanto o Paraná registrou média de 97,9 sacas por hectare, com destaque positivo para a região Oeste. Em Minas Gerais, a redução foi de 22,2%, enquanto no MAPITO a retração alcançou 14,9%.
"A produção brasileira continua expressiva, mas é importante diferenciar volume produzido de resultado econômico. Nessa safra, o produtor enfrentou uma combinação de custos elevados e preços pressionados, o que reduz a rentabilidade da atividade", avalia André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.
A colheita segue em andamento em áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul, onde produtores continuam monitorando o risco de frio sobre lavouras ainda em fase de enchimento de grãos. Embora o potencial de perdas seja limitado neste estágio da safra, o clima permanece no radar dos produtores.
A produção brasileira total de milho é projetada em 144,1 milhões de toneladas – no início de maio, a estimativa era de 140,5 milhões, frente a 152,3 milhões de toneladas no ciclo anterior. A área total atinge 22,6 milhões de hectares.
No mercado, o aumento do consumo doméstico para produção de ração e de etanol ajuda a sustentar a demanda interna. No entanto, o cenário externo permanece mais desafiador diante de uma grande safra nos Estados Unidos e na Argentina, fator que aumenta a concorrência e pressiona as exportações brasileiras.
O Rally da Safra 2026 percorreu mais de 104 mil quilômetros entre janeiro e junho, mobilizando 23 equipes técnicas (17 na Etapa Soja e 6 na Etapa Milho), que avaliaram aproximadamente 2,5 mil lavouras e quase 44 mil pontos georreferenciados em todo o país. A edição foi a maior da história da expedição, ampliando a capacidade de monitoramento das condições de produção e oferecendo uma visão detalhada da evolução das duas principais culturas agrícolas brasileiras. Patrocinam a 23ª edição da expedição BASF, Credenz® e SoyTech® (marcas de sementes da BASF), xarvio® (plataforma digital oficial do Rally), OCP Brasil, Banco Santander, Agrivalle, John Deere, Mitsubishi, TIM e JDT Seguros.
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![]() Segunda safra de milho 2025/26 confirma a força da produção brasileira em cenário desafiador, aponta Agroconsult Divulgação / Rally da Safra |



