18/08/2026 06h00
Eleições 2026: 5 erros que podem expor carteiras de FIDCs
Oscilações nos juros e aumento da incerteza fiscal exigem atenção à concentração, qualidade do crédito, liquidez e mecanismos de proteção dos fundos
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs, receberam R$ 30,6 bilhões em captação líquida no 1º semestre de 2026, mesmo diante de um ambiente marcado por juros elevados, cautela fiscal e incertezas associadas às eleições presidenciais. Em 2025, o número de contas de investidores na classe cresceu 92,5%, de 172,2 mil para 331,4 mil.
A expansão mostra que o mercado continua encontrando espaço para o crédito estruturado, mas também amplia a necessidade de distinguir risco político de risco de crédito. Mudanças nas expectativas eleitorais podem afetar a curva de juros, o custo de financiamento das empresas, a atividade econômica e a inadimplência, porém esses efeitos não atingem todos os FIDCs da mesma maneira.
O 1º erro é desmontar a carteira apenas por causa da volatilidade das pesquisas eleitorais. A eleição pode alterar a percepção sobre política fiscal, inflação e Selic, mas a qualidade de um FIDC continua dependendo principalmente dos recebíveis adquiridos, do perfil dos devedores e das proteções previstas na operação.
O 2º erro é escolher o fundo somente pela rentabilidade oferecida. Uma taxa muito acima do mercado pode refletir maior exposição à inadimplência, concentração, baixa liquidez ou fragilidade das garantias. “O investidor não protege a carteira tentando antecipar cada movimento das pesquisas eleitorais. A proteção começa na seleção dos ativos, na diversificação e na compreensão de quem origina e quem paga os recebíveis. Antes de observar a taxa oferecida, é necessário analisar a qualidade do crédito, o histórico da operação e os mecanismos existentes para absorver eventuais perdas”, Gabriel Barca, Head de Relacionamento com Investidores da Ouro Preto Investimentos. O 3º erro é concentrar recursos em apenas 1 setor, cedente ou tipo de recebível. Uma carteira excessivamente exposta ao varejo, agronegócio, crédito consignado, construção civil ou pequenas empresas pode sofrer mais caso determinada atividade seja afetada pela desaceleração econômica, pelo aumento dos custos ou por mudanças regulatórias. O 4º erro é ignorar o prazo dos ativos e a liquidez do fundo.
Em períodos de maior oscilação, estruturas com vencimentos longos ou poucas possibilidades de saída podem limitar a capacidade de reorganização da carteira. Diversificar gestores, setores, regiões, prazos e modelos de operação reduz a dependência de um único evento econômico. O 5º erro é observar apenas a rentabilidade passada e deixar em segundo plano a estrutura do FIDC. Subordinação de cotas, excesso de garantias, critérios de elegibilidade dos recebíveis, limites de concentração, mecanismos de recompra e gatilhos de proteção ajudam a determinar quem absorverá primeiro eventuais perdas. Também é necessário acompanhar a evolução dos atrasos, das provisões, das recompras e da concentração entre os maiores devedores. “Em um ano eleitoral, o principal risco não está necessariamente no resultado das urnas, mas na forma como as expectativas sobre juros, inflação e atividade econômica chegam à capacidade de pagamento das empresas e dos consumidores. Por isso, o acompanhamento precisa ser contínuo. O gestor deve identificar rapidamente qualquer deterioração dos recebíveis e acionar os mecanismos de proteção antes que o problema se transforme em perda relevante para o fundo”,Gabriel Barca, head de relacionamento com investidores da Ouro Preto Investimentos. A principal proteção, portanto, não está em retirar recursos dos FIDCs diante de cada movimento político, mas em evitar 5 falhas: reagir às pesquisas sem analisar os fundamentos, perseguir apenas taxas elevadas, concentrar a carteira, desconsiderar liquidez e prazo e ignorar os mecanismos de proteção. Em uma classe que alcançou patrimônio de R$ 741,1 bilhões nos 12 meses encerrados em novembro de 2025, com avanço de 22,5%, a seleção criteriosa tende a ser mais relevante do que qualquer tentativa de antecipar o comportamento do mercado durante a campanha eleitoral.
Sobre a Ouro Preto Investimentos
https://www.ouropretoinvestimentos.com.br/
Há mais de 16 anos no mercado, a Ouro Preto Investimentos é uma das maiores estruturadoras de Fidcs do Brasil. Com mais de R$ 17,5 bilhões em ativos sob gestão, distribuídos atualmente entre 129 fundos de investimento, a empresa realiza cerca de 280 milhões em operações de crédito diariamente, com empresas e instituições financeiras de todo o país, atendendo uma ampla gama de investidores, entre eles: profissionais, qualificados e de varejo. Atualmente, a Ouro Preto estrutura entre 4 e 5 Fidcs todos os meses, para companhias dos mais diversos setores.
Os sócios da gestora acumulam mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro e de capitais. João Baptista Peixoto, fundador e especialista em produtos financeiros e gestão de risco, é membro do comitê da Anbima de FII e FIDC e autor do mais completo estudo sobre o mercado de FIDCs brasileiro. Leandro Turaça, Leandro Turaça é sócio gestor da Ouro Preto Investimentos, graduado em economista e física com mais de 27 anos de experiência no mercado financeiro e atuando na gestão de recursos. Ao longo de sua carreira passou por instituições de destaque como a Real Corretora de Valores, Family Offices e o Fundo de Pensão Economus.
Além disso, o fundo Ouro Preto FIC FIDC, com histórico de 14 anos de rentabilidade positiva, foi agraciado nos últimos anos com prêmios por renomadas revistas e jornais, mantendo-se com 5 estrelas, além de ser reconhecido como o melhor fundo multimercado na categoria de risco-retorno.



