24/08/2026 10h23
Pulverização começa antes de o equipamento entrar na lavoura
Especialista destaca que planejamento de manejo, condições climáticas, qualidade da água e preparação dos equipamentos estão entre os fatores que podem determinar a eficiência das aplicações
A eficiência de uma pulverização não começa quando o equipamento entra na lavoura. Antes da operação, decisões sobre histórico da área, monitoramento de pragas e doenças, escolha dos produtos, qualidade da água, condições climáticas, regulagem do pulverizador e características das gotas já podem determinar parte importante do resultado obtido no campo.
Em um cenário no qual produtores buscam maior eficiência operacional e controle de custos, o planejamento antecipado ganha peso dentro da estratégia de manejo. Para Leandro Viegas, CEO da Sell Agro, pulverizar deve ser assertivo. “A pulverização é apenas uma etapa da estratégia de manejo. Quando o produtor planeja antecipadamente, ele reduz improvisações, organiza a logística, escolhe corretamente os produtos, prepara os equipamentos e aumenta as chances de cada aplicação entregar o resultado esperado”, afirma.
A avaliação encontra respaldo nas recomendações técnicas da Embrapa. A instituição define a tecnologia de aplicação como uma interação entre fatores como cultura, praga, doença ou planta daninha, produto utilizado, equipamento e ambiente. Entre os problemas capazes de comprometer a operação estão equipamento desregulado, produto ou dose inadequados, condições meteorológicas desfavoráveis e problemas na qualidade da água utilizada na calda.
Viegas destaca que um dos primeiros passos antes da safra é justamente recuperar o histórico da propriedade. Saber quais pragas predominaram, quais doenças tiveram maior severidade e quais plantas daninhas apresentaram maior dificuldade de controle ajuda a antecipar estratégias.
O monitoramento complementa essas informações, pois, em vez de basear decisões exclusivamente em um calendário, o produtor consegue avaliar a situação real da área, o estágio da cultura, a pressão do alvo e as condições encontradas no momento. “A escolha correta depende de diagnóstico, e não apenas de calendário”, resume o especialista.
Decisão técnica não deve virar urgência
Quando o planejamento é deixado para a última hora, segundo Viegas, uma decisão que deveria ser técnica pode se transformar em uma resposta à urgência. Compras emergenciais, indisponibilidade de produtos, problemas logísticos e menor possibilidade de escolher a melhor janela de aplicação estão entre os riscos.
Definir antecipadamente os objetivos das aplicações também ajuda a organizar o uso das máquinas e da mão de obra e reduz a possibilidade de retrabalho ou intervenções redundantes.
Outro ponto importante é a preparação do pulverizador. Por exemplo, antes do início das operações, componentes como bombas, filtros, mangueiras, válvulas, barras e pontas precisam ser revisados, enquanto a regulagem e a calibração devem estar adequadas às condições de cada trabalho.
A Embrapa reforça a importância dessa etapa. A instituição mantém, inclusive, tecnologias específicas para avaliação da deposição das gotas durante a calibração de pulverizadores, com o objetivo de melhorar os parâmetros de aplicação e contribuir para a redução de custos relacionados à regulagem e calibração. A escolha das pontas também interfere na distribuição e no tamanho das gotas, cobertura do alvo e risco de deriva. “Não existe uma ponta ideal para todas as aplicações. Existe a ponta mais adequada para cada objetivo agronômico”, diz o CEO da Sell Agro.
Água precisa entrar no planejamento
Embora represente grande parte da calda utilizada nas pulverizações, a água nem sempre recebe a mesma atenção destinada aos demais componentes da operação. Características como pH, dureza e presença de determinadas substâncias podem afetar seu comportamento na mistura e interferir no desempenho de alguns produtos. “Muitas vezes o produtor investe em tecnologias de alto valor, mas perde eficiência por não conhecer a qualidade da água utilizada”, destaca Viegas.
As misturas em tanque também exigem planejamento, já que combinações inadequadas podem provocar problemas físicos ou químicos, como precipitação, formação de grumos, excesso de espuma e obstrução de filtros e pontas. Por isso, compatibilidade e ordem de mistura precisam ser avaliadas previamente.
Clima define a janela, não apenas a agenda
Temperatura, umidade relativa, vento e previsão de chuva completam a lista de variáveis que precisam ser acompanhadas. Condições inadequadas podem favorecer evaporação, deriva ou perda do produto antes que ele alcance adequadamente o alvo. Altas temperaturas e baixa umidade podem acelerar a evaporação das gotas, enquanto ventos inadequados elevam o potencial de deriva.
Para o profissional da Sell Agro, isso significa mudar a lógica de simplesmente procurar um espaço disponível na agenda operacional. “Planejar significa escolher a melhor janela operacional e não apenas o dia disponível”.
Na empresa, a orientação é incorporar esses fatores à tomada de decisão desde o início da safra. Por isso, a companhia presta suporte técnico relacionado às condições de pulverização, qualidade da água, compatibilidade de misturas e escolha de tecnologias de aplicação.
Segundo Viegas, trabalhos acompanhados pela equipe em diferentes regiões mostram que antecipar análises e definir a estratégia antes de iniciar as aplicações reduz problemas como paradas provocadas por incompatibilidade de calda e contribui para uma operação mais organizada ao longo do ciclo. “A primeira pulverização da safra não começa quando o pulverizador entra na lavoura. Ela começa meses antes, quando as decisões certas são tomadas”, conclui.
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