- mell280
04/09/2026 07h00
Cirurgias plásticas combinadas são seguras? O que o tempo cirúrgico revela sobre a segurança do paciente
Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, a indicação de cirurgias combinadas deve considerar o perfil de cada paciente, o tempo total do procedimento e os riscos envolvidos
Mas isso não significa que quanto mais procedimentos forem realizados de uma só vez, melhor. Para o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a indicação precisa considerar principalmente o perfil do paciente, a extensão dos procedimentos e o tempo necessário para realizar a cirurgia com segurança.
“Eu sou favorável às cirurgias combinadas quando elas são bem indicadas e planejadas. Ao mesmo tempo, também sou favorável à preocupação com o tempo cirúrgico. Uma coisa não exclui a outra. Pelo contrário: caminham juntas quando o objetivo é oferecer mais segurança ao paciente”, explica.
Por que o tempo de cirurgia merece atenção?
O risco de uma cirurgia não está relacionado apenas à complexidade do procedimento. O tempo de permanência no centro cirúrgico também é um dos fatores considerados durante o planejamento.
Cirurgias mais prolongadas podem representar maior exposição à anestesia, maior período de imobilidade e maior desgaste fisiológico, aspectos que precisam ser avaliados individualmente.
“O aumento do tempo anestésico, a maior permanência em uma mesma posição e o desgaste fisiológico provocado por uma cirurgia prolongada podem elevar a probabilidade de complicações. Por isso, o tempo cirúrgico precisa fazer parte da avaliação de segurança”, afirma o especialista.
Isso, porém, não significa que toda cirurgia longa seja necessariamente inadequada.
Cirurgia longa não significa, necessariamente, cirurgia insegura
Alguns procedimentos são naturalmente mais complexos e exigem mais tempo. Além disso, fatores como a técnica utilizada, as características anatômicas do paciente e a experiência da equipe influenciam diretamente na duração de uma operação.
Por esse motivo, não existe um número de horas que possa ser considerado seguro para todos os pacientes e todas as cirurgias.
“Existem cirurgias que exigem mais tempo pela própria complexidade. O mais importante é que o cirurgião conheça seus limites, saiba planejar cada etapa e tome decisões sempre priorizando a segurança”, destaca Dr. Josué.
A avaliação antes da cirurgia, portanto, não deve considerar apenas quais procedimentos o paciente deseja realizar, mas também se é adequado executá-los juntos.
Nem sempre fazer tudo de uma vez é a melhor escolha
A possibilidade de passar por uma única anestesia e concentrar o período de recuperação é um dos motivos que levam pacientes a optar por cirurgias combinadas. No entanto, essa estratégia nem sempre representa a alternativa mais segura.
Em determinadas situações, dividir o tratamento em duas etapas pode reduzir a duração de cada procedimento e permitir uma recuperação mais tranquila, sem comprometer o planejamento do resultado final.
“Como a cirurgia plástica é um procedimento eletivo, nós temos a vantagem de poder planejar. Se, durante a avaliação, entendemos que realizar tudo em uma única cirurgia aumentaria desnecessariamente os riscos, faz muito mais sentido dividir o tratamento”, explica.
A decisão deve levar em consideração as condições clínicas do paciente, a extensão de cada procedimento e a estrutura disponível para a realização da cirurgia.
Segurança também depende da equipe
O planejamento não termina na escolha dos procedimentos. A organização do centro cirúrgico também tem papel importante.
Cirurgião, anestesista, instrumentadores e demais profissionais precisam atuar de maneira coordenada, seguindo uma sequência previamente planejada.
“O centro cirúrgico funciona como uma equipe muito bem sincronizada. Cada membro tem uma responsabilidade, cada etapa acontece em uma sequência planejada e tudo precisa fluir de maneira organizada. Não existe espaço para improviso”, afirma o médico.
Para o especialista, essa eficiência não deve ser confundida com pressa.
“O objetivo não é terminar rapidamente. Também não é prolongar a cirurgia sem necessidade. É realizar cada etapa no tempo adequado, com técnica, precisão e segurança.”
O melhor resultado é aquele alcançado com segurança
Para o paciente, o resultado estético costuma ser uma das principais expectativas. Mas, segundo Dr. Josué, o conceito de sucesso em cirurgia plástica precisa ir além da aparência.
Uma cirurgia bem planejada deve considerar não apenas o resultado desejado, mas também a segurança durante todo o processo.
“Hoje entendemos cada vez mais que o sucesso de uma cirurgia não depende apenas do resultado estético. Depende também da forma como esse resultado é alcançado. A segurança precisa estar presente em todas as decisões”, afirma.
Por isso, antes de optar por procedimentos combinados, o paciente deve conversar com o cirurgião sobre os riscos, o tempo estimado de cirurgia, as condições clínicas individuais e a possibilidade de realizar o tratamento em etapas.
“Eu costumo dizer que, dentro do centro cirúrgico, não precisamos correr. Mas também não podemos perder tempo. O verdadeiro objetivo nunca é realizar o maior número possível de procedimentos. É oferecer ao paciente o melhor resultado possível com o menor risco possível. Se, para isso, for necessário dividir uma cirurgia em etapas, essa será sempre a decisão mais responsável”, conclui o cirurgião plástico.


