- mell280
05/10/2026 09h00
Mercado vê com otimismo vitória de Flávio e Congresso à direita, mas espera detalhes sobre reforma fiscal
Por Thomas Haugaard, gerente de portfólio carteira na equipe de Dívida de Mercados Emergentes em Moeda Forte
Bolsonaro surpreende na liderança do primeiro turno
O primeiro turno das eleições no Brasil trouxe um resultado melhor do que o esperado para Flávio Bolsonaro, que obteve 47,1% dos votos válidos, contra 45,1% de Luiz Inácio da Silva. Bolsonaro superou a média das pesquisas em mais de quatro pontos percentuais e liderou nos três maiores campos de batalha eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O resultado aponta para uma demanda mais ampla por mudança política, em vez de simplesmente uma consolidação do eleitorado tradicional de direita. Isso se alinha bem com uma guinada geral para a direita em toda a região e um realinhamento mais forte com os EUA.
Perspectivas para o segundo turno
O segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, com Bolsonaro agora como favorito. Ele parte com uma vantagem de dois pontos e deve conquistar uma parcela maior dos votos restantes do centro e da centro-direita. Os mercados de previsão ultrapassaram os 80% após o resultado. No entanto, a eleição ainda não está decidida. As principais variáveis serão as primeiras pesquisas para o segundo turno, os apoios a candidatos, os índices de rejeição, o desempenho nos debates, a participação eleitoral e a mobilização dos 21,1% que se abstiveram no primeiro turno.
Eleições para o Congresso
O resultado das eleições para o Congresso reforça a guinada política para a direita. O PL tornou-se o maior partido individual no Senado e deve ser o maior bloco na Câmara, enquanto a direita e a centro-direita em geral fortaleceram sua posição legislativa. Isso deve facilitar a formação de coalizões e a governabilidade sob a presidência de Bolsonaro, embora o sistema congressional fragmentado e transacional do Brasil continue sendo uma importante restrição. Por outro lado, uma vitória de Lula deixaria o governo diante de um ambiente legislativo significativamente mais difícil.
Expectativas com as políticas
O resultado aumenta a probabilidade de uma orientação política mais favorável ao mercado, baseada na consolidação fiscal, na reforma econômica e em um alinhamento mais estreito com os EUA. No entanto, as propostas fiscais detalhadas continuam limitadas, e nenhuma das campanhas forneceu, até o momento, clareza suficiente sobre o ritmo, a composição ou a implementação política do ajuste. A credibilidade fiscal, portanto, continua sendo a principal variável de médio prazo: um quadro disciplinado poderia reduzir os prêmios de risco soberano, melhorar a dinâmica da dívida e apoiar os influxos de capital, mas o mercado exigirá, em última instância, a execução das políticas, e não apenas sinais eleitorais. Vemos um forte potencial para o Brasil estabilizar sua classificação de crédito no caso de uma vitória de Bolsonaro, mas só esperamos obter clareza quando tivermos o resultado final do segundo turno.
Implicações para o mercado e próximos passos
O impacto imediato é claramente favorável aos ativos brasileiros, refletindo a maior probabilidade de consolidação fiscal e reformas estruturais.
![]() |
| Você está recebendo este email por estar cadastrado nas editorias |



