- mell280
29/03/2025 06h51
Dólar fecha estável e Bolsa cai com dados de emprego no Brasil e inflação dos EUA
O dólar fechou perto da estabilidade nesta sexta-feira (28), cotado a R$ 5,760.
O núcleo do PCE -que exclui os componentes voláteis de alimentos e energia- subiu 0,4%, após um avanço de 0,3% em janeiro. Nos 12 meses até dezembro, teve alta de 2,8%, de 2,7% em janeiro.
O PCE é o indicador preferido do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) para balizar as decisões de política monetária. Na semana passada, a autarquia optou por manter os juros na faixa de 4,25% e 4,5% pela segunda vez consecutiva.
Com os dados de inflação em mãos, a maioria dos investidores agora aposta que a autoridade monetária irá cortar os juros em 0,25 ponto percentual em junho e em setembro. Uma terceira redução, em dezembro, também está sendo especulada pelos operadores, à medida que uma série de indicadores tem indicado que a economia dos Estados Unidos está passando por um processo de desaceleração.
Os temores se acirraram diante das políticas comerciais voláteis do governo Trump. Nesta semana, o republicano anunciou tarifas de importação de 25% para o setor automotivo. A medida entrará em vigor em 2 de abril -o apelidado "dia da libertação", quando tarifas recíprocas sobre outros países entrarão em vigor.
A reciprocidade tarifária mira espelhar as taxas praticadas sobre produtos norte-americanos. Japão, Índia e União Europeia são os maiores alvos, segundo disse um funcionário do alto escalão do governo em fevereiro, e um documento informativo da Casa Branca também acrescentou o Brasil à lista.
"Caso as medidas em 2 de abril sejam direcionadas apenas aos países com os quais os EUA têm grandes déficits comerciais ou que tem participação relevante no comércio norte-americano, o Brasil provavelmente não será impactado inicialmente", disseram analistas do BTG Pactual em relatório.
"Contudo, se forem aplicadas tarifas generalizadas a setores específicos, como ocorreu recentemente com o aço, ou se os critérios incluírem países com barreiras comerciais superiores às norte-americanas, o Brasil poderá ser diretamente afetado."
Reportagem da Folha aponta que, caso o país esteja na lista de afetados pela reciprocidade tarifária, as taxas incidirão sobre todos os produtos importados pelos Estados Unidos, sem exceções.
Uma autoridade da Casa Branca disse que ainda não foi definido se o Brasil será ou não atingido pela política. Mas a abordagem, se o país entrar no grupo de tarifados, será linear (countrywide) e valerá para toda a pauta exportadora brasileira aos EUA, segundo essa mesma fonte.
O tarifaço tem gerado temores nos mercados pelo impacto potencial na economia mundial. O principal receio é que ele aumente a inflação em uma ampla gama de produtos e distorça cadeias de suprimentos globais, especialmente se os países afetados revidarem com mais impostos.
"O ambiente continua sendo de bastante incerteza. Os anúncios têm sido feitos de maneira inesperada. Não se sabe até que ponto eles representam um instrumento de negociação ou se serão perenes nos próximos quatro anos de governo Trump", comenta Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
"Essa insegurança sobre as tarifas e as preocupações sobre uma desaceleração econômica dos Estados Unidos estão mantendo os investidores pessimistas e avessos ao risco."
Até o momento, após uma série de ameaças e recuos, Trump já implementou uma tarifa de 20% sobre produtos chineses, taxas de 25% sobre importações de aço e alumínio e tarifas de 25% sobre mercadorias de México e Canadá que violem as regras de um acordo comercial da América do Norte.
Já na ponta doméstica, a taxa de desemprego subiu a 6,8% no trimestre até fevereiro como esperado, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística).
O indicador estava em 6,1% no intervalo até novembro, que serve de base de comparação. Esse foi o menor patamar de toda a série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.
Na avaliação de economistas do Bradesco, os dados do mercado de trabalho de janeiro e fevereiro "continuam demonstrando resiliência, com aumentos importantes da população ocupada e dos salários".
"O resultado de hoje é condizente com o nosso cenário de um primeiro trimestre ainda robusto, e uma desaceleração gradual da economia que ficará mais clara a partir da segunda metade do ano."
Já o mercado de trabalho formal no Brasil gerou 431,9 mil vagas formais em fevereiro, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
O resultado é maior do que o registrado em fevereiro de 2024, quando o saldo entre demitidos e contratados ficou em 306,8 mil postos de trabalho criados. Também ficou acima da mediana de 227,5 mil novas vagas previstas por analistas ouvidos pela agência Bloomberg.