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O que faz Sidney Magal continuar hipnotizante após quase 60 anos?


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30/11/2025 18h11

O que faz Sidney Magal continuar hipnotizante após quase 60 anos?

Carisma, teatralidade e memória afetiva explicam o magnetismo do artista em cena

Por Clayton Neves


 “Subo nesse palco, minha alma cheira a talco, como bumbum de bebê”. Foi ‘Palco’, de Gilberto Gil, a música escolhida por Sidney Magal para abrir o show em Campo Grande após 16 anos da última apresentação na cidade. A canção anunciou exatamente o que Sidney é, um artista que, mesmo após mais de cinco décadas de carreira, se renova sempre que pisa no palco.

 
 
Para esse repórter que vos escreve, Magal tem uma ligação familiar. Cresci ouvindo minha tia Francisca falar sobre a admiração pelo ‘rei do rebolado’. “Conheci ele quando eu era menina e via tudo escondido porque minha mãe era evangélica e não deixava a gente ficar vendo os shows”, me contou ela.
 
Assistimos ao show juntos. Duas gerações, eu com 31 e ela com 62 anos. Diferença que também era visível entre o público, formado de fãs na casa dos 20 aos 80 anos, todos cantando juntos. Gente da época dos discos e gente da época do Spotify.
 
E se a pergunta é por que Magal segue irresistível e atravessando gerações, a resposta começa no palco. Aos 75 anos, ele sabe exatamente como conduzir o olhar da plateia e dominar a própria imagem.  Ele já não tem o rebolado que marcou sua imagem, e reconhece isso com humor.
 
 
O que faz Sidney Magal continuar hipnotizante após quase 60 anos?
Cantor se apresentou em Campo Grande na noite deste sábado. (Foto: Clayton Neves)
“Agora coloco bailarinos no show porque não sou besta. Antes, eu dançava muito. Agora eles rebolam por mim. Vai chegar a hora em que vou ter que substituir os bailarinos por cuidadores”, brincou durante o show.
 
Mas bastou abrir a boca para que a potência se revelasse. Mesmo com as limitações naturais da idade, a assinatura vocal de Magal continua intacta e firme, como nos tempos de lambada. O gingado sedutor também revela por que Magal segue sendo um ícone brasileiro.
 
Em uma hora e meia de apresentação, ele cantou clássicos como “Meu Sangue Ferve por Você”, “Sandra Rosa Madalena” e “Me Chama que Eu Vou”, mas também reverenciou Cazuza, Tim Maia e cantou clássicos da bossa nova em um passeio na memória afetiva musical.
 
 
Na troca com o público, agradeceu pela acolhida no retorno depois de tanto tempo. "Campo Grande sendo Campo Grande, cada vez maior, cada vez mais acolhedora. Eu estava com saudade de vocês", comentou.
 
Enquanto eu observava minha tia cantar em frente a um ídolo que acompanha a vida dela há cinco décadas, percebi que Magal não apenas sobreviveu às mudanças do tempo, mas se tornou parte da memória afetiva de muitas famílias brasileiras. Ela, com 62. Eu, com 31. Duas gerações alcançadas pela mesma arte.
 
Carisma, teatralidade e memória afetiva explicam o magnetismo de Magal no palco. E talvez seja por isso que, depois de quase 60 anos, o sangue ainda ferve por ele.
O que faz Sidney Magal continuar hipnotizante após quase 60 anos?
 
 




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