- mell280
13/01/2026 11h00
De caneta emagrecedora, praias, bbb e Maduro: pesquisa mapeia temas mais polêmicos entre brasileiros
82% defendem receita obrigatória para medicamentos de emagrecimento e 71% acham que o brasileiro está mal-informado sobre o uso
70% consideram o petróleo como principal motivo da queda de Maduro e 64% se dizem muito desconfortáveis com os EUA como “donos” do hemisfério
80% dizem que cobrar caro por cadeira e guarda-sol limita o acesso às praias públicas
O Brasil de 2026 discute de tudo ao mesmo tempo: o remédio que promete emagrecer rápido, a cadeira cobrada na areia, o reality que muita gente já decidiu ignorar e até a queda de um ditador do outro lado do continente. À primeira vista, os assuntos não se conectam. Mas, a pesquisa do Instituto Hibou, realizada em janeiro com mais de 1.800 brasileiros mostra que todos estes temas despertam a mesma reação na população: desconfiança, cansaço com excessos e a sensação de que interesses comerciais, midiáticos ou geopolíticos estão passando dos limites no cotidiano.
Emagrecer virou moda e o medo agora é perder o controle
O uso das chamadas canetas emagrecedoras saiu do consultório médico e passou a circular como tendência nas redes sociais, despertando atenção e preocupação. A reação é clara: 82% dos brasileiros defendem que a venda desses medicamentos aconteça apenas com receita médica, em farmácias credenciadas e sob supervisão profissional, como forma de garantir a qualidade do que está sendo consumido. A exigência aparece em um cenário em que 52% afirmam conhecer alguém que usou as canetas sem qualquer acompanhamento médico e 9% admitem já ter utilizado o medicamento por conta própria, um indicativo de que a automedicação já faz parte do cotidiano.
Além disso, o debate não se limita ao uso isolado do remédio. 58% acreditam que o uso das canetas deve estar obrigatoriamente associado a mudanças de hábito, como alimentação e atividade física, enquanto outros 18% defendem que isso seja o ideal para evitar que a medicação vire um recurso permanente. Ainda assim, 16% dizem não saber avaliar o tema e reforçam que a decisão deve sempre passar por médicos, o que mostra um ambiente de incerteza e dependência de orientação técnica.
O “antes e depois” convence, mas a informação não acompanha
A popularização das canetas passa diretamente pelo ambiente digital. 56% dos entrevistados afirmam que perfis nas redes sociais mostrando “antes e depois” ou o uso diário do medicamento influenciam bastante a decisão de usar, e outros 23% dizem que influenciam ao menos um pouco. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que essa influência vem desacompanhada de informação adequada: 71% acreditam que o brasileiro quer o resultado sem entender o contexto clínico, enquanto apenas 4% avaliam que existe hoje informação confiável suficiente sobre a forma correta de uso.
Nem mesmo a prescrição médica elimina o receio. 66% afirmam que notícias sobre efeitos colaterais, como problemas digestivos e riscos mais sérios, influenciariam a decisão de usar o medicamento mesmo com indicação profissional, sinalizando um clima de alerta e insegurança.
“O brasileiro está reagindo a um excesso de estímulo. Quando a estética vira algoritmo, a saúde vira preocupação coletiva”, analisa Ligia Mello, CSO do Instituto Hibou.
SUS entra no debate
Apesar da cautela, a população não rejeita o uso institucional do medicamento. 59% defendem que o acesso às canetas emagrecedoras seja ampliado no SUS apenas para casos mais graves e com regras claras, enquanto 30% concordam com a ampliação desde que haja indicação formal de um profissional de saúde. Apenas 5% se posicionam contra qualquer tipo de ampliação, e 7% preferem não opinar.
Ainda assim, o impacto estrutural da medicação é visto com ressalvas. 38% acreditam que o custo elevado impede que as canetas contribuam de forma relevante para a redução da obesidade no Brasil, especialmente entre as classes mais baixas, enquanto 23% acreditam que o uso pode ajudar de forma significativa e 21% avaliam que o impacto seria apenas limitado.
Praia é pública, mas a conta é privada
A discussão sobre limites também aparece com força quando o assunto é praia. Para 80% dos brasileiros, cobrar valores elevados por cadeiras e guarda-sóis limita o direito de acesso às praias públicas, transformando um espaço coletivo em fonte de conflito. A experiência já foi vivida por muitos: 27% afirmam que se sentiram coagidos e acabaram pagando, enquanto 21% preferiram ir embora da praia após abordagens consideradas abusivas. Outros 38% dizem nunca ter passado por esse tipo de situação, e 14% afirmam que não frequentam praias.
A solução apontada pela maioria passa pela regulação. 50% defendem a criação de leis com regras mais claras, enquanto 25% querem opções democráticas de uso misto do espaço, permitindo tanto a atuação dos quiosques quanto o uso com equipamentos próprios. Apenas 5% acreditam que a cobrança deve ficar totalmente a critério dos vendedores, e 17% dizem que a prática não deveria sequer existir como negócio.
BBB entra no radar do cansaço coletivo
Nem o entretenimento escapa do clima de saturação que a população sente neste começo de ano. 52% afirmam que não pretendem acompanhar nada sobre o BBB 26, enquanto 12% dizem que vão bloquear posts e pessoas que falem sobre o reality. Outros 16% pretendem apenas se informar pelas redes sociais, e 9% dizem que vão acompanhar o programa pela TV aberta.
A proposta de criação das cinco casas de vidro regionais tampouco empolgou: 21% consideraram a iniciativa apenas simbólica, enquanto 55% preferiram não opinar, sinalizando distanciamento do público. Entre os que ainda apostam no jogo, a maioria acredita que o vencedor será uma mulher do grupo Pipoca (49%), reforçando a busca por histórias mais próximas da vida real.
Maduro cai, mas o discurso oficial não cola
No cenário internacional, a queda de Nicolás Maduro é recebida com ambivalência. 51% dos brasileiros consideram correta a remoção do ditador do poder, mas 34% discordam da decisão e 13% preferem não opinar. O maior ponto de tensão, no entanto, está na forma como a operação foi conduzida: 47% discordam dos métodos utilizados pelos Estados Unidos, enquanto apenas 39% dizem concordar.
O ceticismo se aprofunda quando o tema são as regras internacionais. 55% acreditam que os EUA feriram leis internacionais e a Carta da ONU ao realizar a operação militar, contra 23% que discordam dessa leitura. Para a maioria, a motivação foi econômica: 70% apontam as reservas de petróleo como o principal motor da ação, seguidas pelo enfraquecimento dos interesses da China e da Rússia (33%) e pelo acesso a reservas de ouro e outros metais preciosos (27%). Apenas 18% acreditam que a defesa da democracia tenha sido o fator determinante.
Quem manda no continente? Brasileiro reage com desconforto
A relação com os Estados Unidos aparece como fonte constante de incômodo. 64% se dizem muito desconfortáveis com a declaração de que os EUA seriam “donos” do hemisfério, que inclui o Brasil, enquanto 53% se mostram igualmente desconfortáveis com a manutenção de tarifas elevadas para produtos brasileiros. Outras atitudes também geram rejeição expressiva, como ameaças à Colômbia e seu presidente (43%), a intenção de comprar a Groenlândia (44%) e a proposta de renomear o Golfo do México para “Golfo da América” (42%).
Esse desconforto se traduz em preocupação concreta: 54% acreditam que a pressão econômica e militar dos EUA na América Latina representa uma ameaça à soberania brasileira, contra 29% que discordam dessa avaliação.
“Os dados mostram um brasileiro mais atento à geopolítica e menos disposto a aceitar discursos de autoridade sem transparência”, afirma Ligia Mello.
Metodologia:
A pesquisa "Atualidades 2026" foi realizada pelo Instituto Hibou entre os dias 06 e 08 de janeiro de 2026. O levantamento contou com uma amostra de 1.685 respondentes maiores de 18 anos, contemplando as classes ABCDE em todo o território nacional. As entrevistas foram feitas via painel digital e a margem de erro é de 2,4%.
Sobre a Hibou
A Hibou é uma empresa especializada em pesquisa e insights de mercado e consumo, atuante há mais de 15 anos. A Hibou trabalha o tempo todo com informação e olhares inquietos sempre do ponto de vista do consumidor. A empresa produz conteúdo qualificado utilizando ferramentas proprietárias para aplicação de pesquisas e análises de profissionais com mais de 25 anos de experiência. A Hibou oferece pesquisas qualitativas, quantitativas; exploratórias; de profundidade; de campo; dublê de cliente; desk research; monitoramento de comportamento e insights; presença de marca; expansão de região; expansão de mercado para produtos e serviços; teste de produto e hábitos de consumo.


