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O Congresso, os privilégios e o risco político em ano eleitoral


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  • mell280

04/02/2026 14h07

O Congresso, os privilégios e o risco político em ano eleitoral

Elias Tavares


Em ano de urnas, aumento de regalias escancara o distanciamento entre Brasília e a realidade do brasileiro

 

 

 

Enquanto o debate público brasileiro segue concentrado na revisão da jornada de trabalho 6x1 uma pauta com alto apelo social e impacto direto na vida do trabalhador o Congresso Nacional decidiu avançar com notável rapidez em uma agenda bem diferente: a ampliação de benefícios e a reestruturação de carreiras internas do próprio Legislativo.

Nas últimas sessões, foi aprovado um conjunto de medidas que cria a chamada licença compensatória para servidores comissionados da Câmara dos Deputados. O mecanismo prevê um dia de folga a cada três dias trabalhados, com a possibilidade de conversão dessa folga em indenização financeira. Na prática, esse arranjo pode elevar a remuneração mensal de alguns cargos para patamares próximos de R$ 77 mil, fora do teto constitucional, sob a justificativa de tratar-se de verba indenizatória.

A defesa política da medida seguiu um roteiro conhecido. No Senado, o argumento central foi o de que benefícios semelhantes já existem naquela Casa, no Tribunal de Contas da União e no Poder Judiciário. A lógica, portanto, não é a da contenção de privilégios, mas a da sua padronização no topo do Estado. Se todos já possuem, não haveria motivo para retirar ainda que o custo recaia sobre o orçamento público.

O problema não é apenas fiscal, embora o impacto estimado das medidas aprovadas somadas a reajustes, reestruturações de carreiras e criação de novos cargos aponte para algo próximo de R$ 4 bilhões no orçamento de 2026. O ponto central é político. E, em ano eleitoral, isso importa ainda mais.

Sob a presidência da Câmara, conduzida por Hugo Motta, o Congresso tem demonstrado eficiência para deliberar sobre temas corporativos internos, ao mesmo tempo em que posterga ou esvazia debates com forte ressonância social. A assimetria é evidente: quando o assunto envolve a própria estrutura de poder, a pauta anda; quando envolve o trabalhador comum, a tramitação se arrasta.

Esse contraste aprofunda uma percepção já disseminada na sociedade brasileira: a de que Brasília opera em uma realidade paralela. Uma realidade em que o discurso de austeridade convive com a expansão de benefícios, e em que a responsabilidade fiscal costuma valer apenas para fora dos muros do Parlamento.

Não se trata de demonizar o funcionalismo público nem de ignorar a complexidade da administração do Estado. Trata-se de reconhecer que escolhas políticas comunicam valores. E, neste caso, a mensagem transmitida é clara: em um momento de pressão econômica, insegurança no emprego e desgaste institucional, o Congresso optou por proteger e ampliar suas próprias vantagens.

Em ano eleitoral, decisões como essa não passam despercebidas. Elas alimentam o ceticismo, fortalecem discursos antipolítica e ampliam a distância entre representantes e representados. Mais do que uma questão administrativa, trata-se de um erro de leitura do ambiente político e social do país.

O Congresso ainda terá a oportunidade de corrigir esse descompasso, recolocando na agenda temas que dialoguem com a realidade da maioria da população. Caso contrário, corre o risco de transformar privilégios internos em custo eleitoral externo um preço que, historicamente, a política brasileira acaba pagando nas urnas.

 


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