- mell280
16/02/2026 17h57
Os erros de investimento que causam déficits milionários às empresas e como evitá-los em 2026
Especialista aponta falta de estratégia como base da crise e alerta que a recuperação financeira pode levar anos
O Índice Bovespa (Ibovespa) - um dos principais indicadores do mercado de ações no Brasil - avançou 12,56% em janeiro e fomentou possibilidades mercadológicas para 2026. Apesar da sinalização positiva, os investidores podem sofrer prejuízos milionários e atingir a falência se não conduzirem estrategicamente as aplicações.
O especialista em Direito Tributário e sócio da InvestSmart, Victor França, apontou a falta de planejamento como a base das crises. Conforme o assessor de investimentos, as aplicações devem atender a critérios de projeção e segurança.
“O erro que acredito ser o mais importante é a falta de planejamento, ou seja, quando o investidor não sabe qual é a meta de rentabilidade e o risco ao qual está sujeito a correr. Também há questões como a volatilidade e o prazo para o investimento”, disse.
“É necessário um planejamento claro, que estabeleça metas específicas, mensuráveis e alcançáveis, estipulando em quanto tempo o investidor quer alcançar o objetivo”, acrescentou.
França também analisou que decisões emocionais podem ocasionar o fechamento de empresas em 2026. A conduta adequada aos empresários seria orientar as decisões administrativas conforme dados e estudos técnicos.
A análise remete ao levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2017 e 2022. Segundo a pesquisa, cerca de 60% das empresas falem antes de completarem cinco anos no mercado devido à gerenciamentos inadequados e dificuldades financeiras.
“Todos os empresários querem lucrar mais, mas a impulsividade e as decisões emocionais geram frustração. Por exemplo, se há um ativo valorizando muito, os investidores podem achar que estão perdendo uma grande oportunidade, então compram sem ter a mínima noção do mercado. Não é errado comprar se o valor do ativo está subindo, mas é necessário entender o porquê de estar comprando e qual o objetivo”, explicou.
“Para combater as questões emocionais nos investimentos, é necessário basear as decisões em dados e estudos técnicos. Mesmo com valorizações e desvalorizações, é importante observar os dados”, pontuou.
Outro erro cometido pelos empresários ao investir, conforme França, é a concentração das aplicações em um único ativo. Ele esclareceu que a carteira de investimentos deve ser diversificada para evitar grandes prejuízos.
“A falta de diversificação é um erro cometido ao concentrar os investimentos em um único setor ou ativo. Conseguimos ter uma noção do futuro com estudos técnicos, mas nunca prevemos tudo. É fundamental ter diversificação”, considerou.
“A diversificação, com investimentos em diferentes classes de ativos, deve ser bem-feita. Não adianta entrar em um banco ou corretora e comprar qualquer coisa da lista. É necessário entender os riscos. Uma solução simples é ter um percentual como meta. Por exemplo, se um investidor aplicar 20% em ações e 80% em renda fixa, ele pode vender parte das ações, caso elas subam muito”, sugeriu.
O processo de recuperação financeira
França dissertou que, se o investimento resultar em prejuízo financeiro, o empresário pode cortar custos e renegociar dívidas. A recuperação, em casos de grandes perdas, tende a durar anos para compensar totalmente o déficit.
Além disso, o assessor de investimentos relatou que algumas medidas podem ser de baixa eficiência. É o caso de tentar gerar renda ao vender ativos que, naquele momento, não estão suficientemente valorizados.
“Há medidas que o empresário deve ter neste momento. Em princípio, cortar custos e renegociar dívidas. Ele poderá precisar se desfazer de ativos que, talvez, não estejam no melhor momento para serem vendidos. Isso vira uma bola de neve. É frequente que medidas para reparar danos estejam desvalorizadas, porque nada escapa de grandes crises”, contou.
“O tempo depende da situação. Empresas médias levam de um a dois anos para se recuperar, enquanto as grandes, de dois a cinco, mas depende de qual foi a falha. Há erros que podem acabar com a empresa”, observou.
França completou que, além das perdas financeiras, há prejuízo aos recursos humanos e ao espírito de equipe da empresa.
“Impacta muito a produtividade, porque a crise afeta a vida da equipe, deixando de ganhar dinheiro no momento mais necessário. Isso gera uma ‘bola de neve’ que cria mais problemas. Os recursos humanos também devem ser colocados no planejamento”, concluiu.
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