- mell280
17/02/2026 07h28
Por que o preço do azeite não vai cair em 2026 mesmo com produção maior
Por que o preço do azeite não vai cair em 2026 mesmo com produção maior
A produção de azeite no Brasil deve bater recorde em 2026, depois de dois anos de quebra de safra no Rio Grande do Sul. De acordo com a Ibraoliva, a produção deve superar os 624 mil litros registrados em 2023. Atualmente, a olivicultura brasileira reúne cerca de 550 produtores distribuídos em aproximadamente 200 municípios dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. O Rio Grande do Sul concentra o maior número de produtores e responde pela maior parcela da produção nacional, cerca de 70%. +Porque o feijão mais consumido em SP se chama carioca? Conheça a origem “Estamos sendo agraciados por condições climáticas positivas e vamos ter a maior safra da história da olivicultura brasileira. Quem sabe possamos atingir o sonho de produzir 1 milhão de litros de azeite de oliva extra virgem no Brasil”, afirma o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho. Depois do recorde em 2023, a produção registrou dois anos de queda. O volume caiu para 340 mil litros em 2024 e, na sequência, para 240 mil litros em 2025. A produção foi impactada principalmente pelo excesso de chuvas e pela alta umidade, fatores considerados críticos para o desenvolvimento da oliveira. A reportagem da Dinheiro Rural ouviu três produtores que atuam no Rio Grande do Sul e todos eles afirmaram que esperam dobrar a produção. Um deles é Rafael Sittoni Goelzer, cofundador da Estância das Oliveiras. “A safra de 2026 foi surpreendente. Vamos dobrar a nossa produção de azeite, para 15 mil litros esse ano”. A Prosperato afirmou que vai subir de 25 mil litros para 50 mil litros de azeite nessa safra. Já a Sabiá acredita que deva superar os 35 mil litros de produto esse ano, contra 15 mil na safra passada. A conta que os produtores fazem é que é preciso 10 quilos de azeitona para produzir 1 litro de azeite extra-virgem. O fator climático é central para a maior produção de azeitonas. Os produtores explicam que o frio estendido no Rio Grande do Sul durante o inverno e as chuvas no momento certo fizeram com que a quantidade de azeitonas fosse maior e ajudaram para que o fruto desse mais azeite. “O frio ajudou a ter uma produção melhor na época da floração e consequentemente da polinização, e as chuvas que vieram depois ajudaram a azeitona a ter mais azeite. Com todos esses fatores, do clima e do manejo, a gente prevê um rendimento maior também no momento da extração. Então quando a gente fala de uma safra maior, a gente não tá falando só de quilos de azeitona colhida, mas de litros de azeite extraído com um rendimento maior”, explicou Rafael Marchetti, mestre de lagar e diretor da Prosperato. A região da Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo, também é uma importante produtora de azeitonas no país. A reportagem ouviu dois produtores da região, Bob Costa, da Sabiá, e Herbert Sales, da Mantikir, que explicaram que a produção tem desafios próprios por conta da inclinações do local. “Na Mantiqueira tivemos um excesso de chuvas e isso atrasou o amadurecimento do fruto. A colheita, que estava prevista para começar no final de janeiro, começou só no começo de fevereiro porque a azeitona ainda estava muito verde”, explicou Costa. Ele também explica as diferenças entre os olivares da Sabiá nas duas regiões. “No sul, 100% das nossas 33 mil árvores estão muito carregadas. Já na Mantiqueira, onde temos 4 mil, isso cai para cerca de 70% do total”, apontou. Na região, a produção da Sabiá será de aproximadamente 2 milhões de toneladas de azeitona, ou 2 mil litros. Já a da Mantikir deve ficar entre 4 a 5 mil litros. Apesar da expectativa da produção recorde dos azeites nacionais, não há expectativa de que os preços dos produtos estejam mais baixos para o consumidor final nas gôndolas dos supermercados. Isso acontece por alguns motivos: o bom desempenho dos olivares veem depois de dois anos com grandes quebras de safra, principalmente no Rio Grande do Sul. Além disso, os azeites brasileiros suprem menos de 1% da demanda nacional pelo produto, que atinge 100 milhões de litros por ano. “Uma possível redução de preços dos azeites nacionais é improvável porque estamos vindo de duas safras muito ruins. Então essa seria uma safra de recuperação e é difícil imaginar que os preços baixem imediatamente. Depende muito da questão básica de oferta e demanda e até em relação aos azeites importados”, apontou Marchetti. O presidente da Ibraoliva alerta que os azeites importados que chegam ao país muitas vezes são de qualidade muito baixas e que muitas vezes são “refugos de azeites europeus, velhos e que na maioria dos casos é extravirgem apenas no rótulo”. “O azeite produzido no Brasil é extra virgem super premium. Nesta faixa, a nossa participação cresceu muito nos últimos anos e acredito que já tenhamos a maioria dos consumidores de azeite super premium comprando os azeites nacionais”, encerrou. #Esportes #Natureza #Legislativo
Frio ajudou na grande produção no Rio Grande do Sul
Desafios maiores na Mantiqueira
Maior produção não deve significar preços mais baixos


