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Dólar mais fraco em 2026: o que muda para o Brasil e para o investidor?


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  • mell280

23/02/2026 12h03

Dólar mais fraco em 2026: o que muda para o Brasil e para o investidor?

Deivianne Jhasper


Saldo de recursos de estrangeiros na B3 somou R$ 26,3 bilhões em janeiro, acima de todo 2025. Efeito no consumo tende a vir com atraso e depende de repasse

 

 

 

O dólar perdeu força no início de 2026 e esse movimento costuma favorecer mercados emergentes. Quando a moeda americana cai, investidores globais buscam diversificação fora dos Estados Unidos e realocam recursos para países com juros elevados, liquidez e potencial de crescimento.

No Brasil, o movimento apareceu primeiro na Bolsa. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, o saldo de recursos de investidores estrangeiros em ações na B3 foi de R$ 26,31 bilhões em janeiro, sem considerar IPOs e follow-ons. O volume superou o saldo acumulado de todo 2025, de R$ 25,47 bilhões.

Para o especialista em investimentos Fellipe Rabelo, diz que o movimento pode abrir uma janela, mas exige cautela. “Ciclos de otimismo em emergentes costumam ser intensos e voláteis”, afirma.

O que significa dizer que o dólar está mais fraco

Na prática, é quando a moeda americana perde força frente a outras moedas. Isso costuma mexer com o apetite de investidores globais por risco e com a forma como eles distribuem dinheiro entre países.

Quando o dólar perde força, parte do mercado aumenta a exposição fora dos Estados Unidos e busca países com juros elevados e ativos ainda descontados. Esse é um dos motivos que pode reforçar o fluxo para emergentes em alguns períodos. A Bolsa costuma reagir antes porque o ajuste de preço acontece em tempo real. Entrada de capital estrangeiro pode melhorar liquidez e reduzir prêmio de risco.

Fellipe diz que empresas mais ligadas ao mercado interno tendem a ser mais sensíveis a esse tipo de movimento. “Setores como varejo, construção civil, utilities e serviços tendem a se beneficiar em momentos de câmbio mais estável e expectativa de inflação controlada, já que dependem mais do consumo interno e do custo do crédito”, ressalta.

O que muda no bolso do brasileiro

O câmbio influencia o dia a dia principalmente por meio de custos. O efeito costuma aparecer em ondas, conforme reposição de estoques e decisões de repasse.

Transporte

Peças de reposição, pneus, lubrificantes e parte do custo de combustíveis sofrem influência do dólar. Real mais forte reduz pressão sobre custos operacionais, com impacto que depende de repasse.

Alimentação

Mesmo produtos feitos no Brasil carregam custos internacionais. Fertilizantes, defensivos agrícolas e trigo, base de pães e massas, têm influência do dólar ao longo da cadeia.

Tecnologia

Celulares, notebooks e eletroeletrônicos têm alto conteúdo importado e podem reagir mais rápido ao câmbio em ciclos de reposição.

Saúde

Medicamentos e insumos hospitalares dependem de cadeias globais. Real mais forte melhora previsibilidade de compra e tende a reduzir pressão de custos.

Fellipe resume que os insumos industriais, combustíveis, fertilizantes, medicamentos e componentes tecnológicos são direta ou indiretamente dolarizados. “Com o real mais forte, a pressão de custos diminui, ainda que o repasse ao consumidor final não seja imediato”, diz.

Quem pode perder com real mais forte

Nem todos os setores se beneficiam. Exportadores podem perder competitividade quando o real se valoriza, já que produtos ficam relativamente mais caros em dólar, de acordo com o especialista. Empresas com receita em dólar e custos em real também podem ver margens pressionadas dependendo do nível do câmbio.

Fellipe alerta que o mercado pode virar rápido. “Esse cenário tem prazo de validade. Mudanças na política monetária dos Estados Unidos, tensões geopolíticas ou ruídos fiscais internos podem reverter rapidamente o fluxo de recursos”.

Cinco dicas para não tomar decisão no impulso com dólar e Bolsa

1- Antes de mexer em qualquer investimento, defina objetivo e prazo. 

2- Se for ajustar a carteira, faça em etapas. Mudanças de cenário costumam vir em ondas.

3- Trate o câmbio como variável, não como aposta. Dólar é difícil de prever e pode virar rapidamente.

4- Dinheiro de curto prazo e imprevistos precisam de liquidez e segurança. Não é para entrar em tese do momento.

5- Evite concentração em uma única ideia. Diversificação reduz o impacto de erros e surpresas.

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Quem é Fellipe Rabelo?

Fellipe Rabelo é especialista em finanças e investimentos, com cerca de 20 anos de atuação, com formação em Administração de Empresas, MBA em Ciência de Dados e MBA em negócios e finanças em andamento nos Estados Unidos, além de certificações do mercado financeiro brasileiro e ligadas à FINRA. Acompanha os mercados brasileiro e americano, com foco em macroeconomia, câmbio e alocação de ativos, traduzindo cenários econômicos em orientações práticas sob a ótica da educação financeira.


 





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