24/02/2026 17h11
Após parceria com a China, Brasil articula rede global de pesquisa e capacitação sobre reprodução e preservação de jumentos
Larissa Vieira Assessoria de Imprensa
Pesquisadores de seis países se unem para desenvolverem uma série de estudos, que envolvem até o uso de bioativos do leite de jumenta na produção de diluentes de sêmen livres de antibióticos
Depois de firmar intercâmbio técnico com a China, o Brasil alinha novas parcerias com instituições e especialistas de outros países que desenvolvem estudos na área reprodutiva de asininos. África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, Japão e Marrocos estão entre as nações que desenvolverão trabalhos e treinamentos em conjunto, envolvendo inclusive a preservação de várias raças de jumento no mundo.
De acordo com o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco Gustavo Ferrer Carneiro, integrante do Conselho Diretor da International Society for Equine Reproduction (ISER), o jumento brasileiro, especialmente o nordestino, tem despertado crescente interesse internacional e atraído pesquisadores de diferentes países ao Brasil. “Temos a perspectiva da vinda de uma estudante da University of Saskatchewan, no Canadá, com possibilidade de desenvolvimento de um experimento com embriões de jumentos. Também estamos em diálogo com a Universidad Complutense de Madrid sobre a viabilidade de uma pesquisa interinstitucional envolvendo a preservação do jumento nordestino bem como das raças espanholas Andaluz e Zamorano”, afirma Carneiro.
Já a parceria com a China, a linha de pesquisa aposta no desenvolvimento de diluentes de sêmen livres de antibióticos à base de leite de jumenta, um produto naturalmente rico em compostos bioativos, como a lisozima, conhecida por sua ação bactericida e bacteriostática.
A iniciativa surge em resposta a um dos maiores desafios da atualidade: a resistência antimicrobiana, considerada um problema de saúde global. “Reduzir o uso de antibióticos por meio de alternativas naturais e eficazes, como os bioativos do leite de jumenta, é uma estratégia que interessa à comunidade científica e à sociedade como um todo”, afirma o professor.
Gustavo Ferrer Carneiro também destacou o projeto “Conexão Brasil–Argentina–Austrália”, voltado para pesquisas em ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). A técnica é utilizada na produção de bardotos e mulas - híbridos resultantes do cruzamento entre asininos e equinos - e desperta grande interesse entre criadores do jumento da raça Pega, especialmente para atividades de montaria e manejo do gado.
A ISER ainda decidiu ampliar as ações de intercâmbio científico por meio da realização de cursos internacionais. Entre os temas centrais definidos nas reuniões mais recentes do Conselho está a Reprodução de Jumentos, área considerada estratégica para o avanço das pesquisas em reprodução animal. “Também estamos programando eventos presenciais no Marrocos, na África do Sul e na Ásia, possivelmente na China ou no Japão. Todos os projetos se somam, formando um conjunto amplo de iniciativas do agronegócio voltadas à consolidação de uma cadeia produtiva asinina sustentável e economicamente viável”, destaca Carneiro.
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