- mell280
01/03/2026 08h06
O fio que amamos: porque a poliamida 6 está no coração da moda brasileira
Da legging que acompanha cada movimento ao biquíni que mantém cor e forma sob o sol, da lingerie confortável às jaquetas esportivas ultraleves, é essa fibra que traduz tecnologia em sensação.
Leve, elástica, resistente e com secagem rápida: a poliamida 6, também conhecida como nylon 6, é o fio invisível que sustenta algumas das peças mais desejadas do guarda-roupa contemporâneo. Da legging que acompanha cada movimento ao biquíni que mantém cor e forma sob o sol, da lingerie confortável às jaquetas esportivas ultraleves, é essa fibra que traduz tecnologia em sensação.
Globalmente, a poliamida é reconhecida por sua combinação de durabilidade, elasticidade e capacidade de absorção e liberação de umidade, características que a tornaram protagonista nos segmentos de activewear e moda praia, dois dos mais dinâmicos da indústria da moda. Em sua versão 6 (PA6), destaca-se pela flexibilidade, facilidade de tingimento e toque mais macio, atributos que favorecem peças ajustadas ao corpo e de alta performance.
O Brasil, entretanto, não produz poliamida 6. Todo o insumo utilizado pela indústria nacional é importado. E é justamente essa dependência que volta ao centro da discussão diante da possibilidade de aplicação de sobretaxa sobre o produto.
A questão extrapola o universo técnico. A indústria têxtil e de confecção brasileira reúne mais de 20 mil empresas formais, gera cerca de 1,3 milhão de empregos diretos e movimenta mais de R$ 190 bilhões por ano, respondendo por aproximadamente 4% do PIB da indústria de transformação. Parte relevante desse valor está concentrada em segmentos que utilizam fios de poliamida para entregar inovação, conforto e design ao consumidor final.
Quando um insumo estratégico, sem produção local, sofre alteração tarifária, o impacto percorre toda a cadeia: do desenvolvimento à arara. Marcas podem absorver parte do aumento para preservar competitividade, mas, em um cenário de margens pressionadas e concorrência com produtos importados prontos, o repasse ao consumidor torna-se uma possibilidade concreta. O reflexo pode aparecer na etiqueta, na redução de variedade ou na revisão de composições têxteis.
“Conforto virou pré-requisito. Hoje, 'performance' também significa viver múltiplos momentos no mesmo dia com a mesma roupa, sem fricção. Na moda, isso se traduz em tecidos que trazem conforto térmico, melhoram a mobilidade e acompanham a rotina real das pessoas”, afirma Karin Hellen Froehlich, generalista em marketing de moda e estrategista em posicionamento de marcas.
“Na B.ON, a Poliamida 6 não é apenas uma fibra, é a base da experiência: ela entrega leveza, respirabilidade e conforto real ao longo do dia. Como Head de Expansão e mesmo vestindo B.ON todos os dias, acompanhando de perto nossos distribuidores e clientes, vejo na prática como essa tecnologia têxtil , bem aplicada, transforma vestibilidade em valor percebido para todos. Levando saúde, bem-estar e qualidade de vida a muitos. É o encontro entre inovação, performance e a sensação de bem-estar na pele”, considera Flavio Rogerio, Head de Expansão B.ON.
A discussão ganha relevância justamente em um momento em que o athleisure consolida sua presença não apenas nas academias, mas nas ruas e editoriais de moda. Conforto deixou de ser tendência para se tornar requisito. E a fibra que garante compressão, respirabilidade e durabilidade passou a ocupar espaço silencioso, porém essencial, na construção de identidade das marcas.
PA6 e PA66: o que muda no fio
Embora ambas pertençam à família das poliamidas, a PA6 e a PA66 apresentam diferenças importantes. A PA6, predominante no vestuário, é mais flexível, tem toque mais macio e facilita o tingimento, favorecendo cores intensas e caimento próximo ao corpo, características centrais para moda esportiva e praia.
Já a PA66 possui maior rigidez e resistência térmica, sendo amplamente utilizada em aplicações técnicas e industriais que exigem alta estabilidade estrutural. No contexto fashion, sua resistência é um diferencial, mas sua menor elasticidade pode limitar o conforto em peças ajustadas.
Para o consumidor, essa distinção raramente aparece na etiqueta, mas influencia diretamente a experiência de vestir. É a diferença entre um tecido que acompanha o movimento com fluidez e outro que prioriza robustez estrutural.
Ao colocar a poliamida 6 no centro da pauta, a indústria reacende uma reflexão mais ampla: como equilibrar política comercial, competitividade e acesso à tecnologia têxtil em um país que não produz o insumo que sustenta parte significativa de sua moda de performance?
No fim, a pergunta é simples e sensível ao mesmo tempo: o que acontece quando o fio que amamos encontra barreiras antes mesmo de chegar ao tear?



