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Brasil importa modelo de "dorms" e residenciais estudantis ganham espaço entre universitários


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02/03/2026 11h46

Brasil importa modelo de "dorms" e residenciais estudantis ganham espaço entre universitários

Fernanda Glinka


Inspirado em universidades dos Estados Unidos e da Europa, formato profissional de moradia ganha espaço em São Paulo e reposiciona a experiência de morar durante a graduação

Se nos Estados Unidos viver em um “dorm” é parte quase obrigatória da imersão universitária, no Brasil a experiência clássica do estudante que se muda para cursar a graduação sempre foi outra: dividir uma república ou alugar um apartamento convencional. Agora, um terceiro modelo começa a ganhar escala: o residencial estudantil profissionalizado. 

Com gestão especializada, quartos mobiliados e áreas comuns planejadas, esses empreendimentos apostam em espaços de convivência, salas de estudo coletivo e programação interna como parte da experiência universitária, não apenas como infraestrutura.

“O que muda não é apenas a estrutura física, mas a lógica da experiência”, afirma Juliana Onias, gerente regional de operações da Share Student Living. “Para muitos estudantes que vêm de fora e moram sozinhos pela primeira vez, a moradia passa a ser um ponto de apoio importante na adaptação à vida universitária”, explica.

Segundo ela, o uso dos espaços coletivos se intensifica nos períodos mais exigentes do calendário acadêmico. “Nas semanas de prova, por exemplo, as salas de estudo ficam cheias. Os alunos se organizam em grupo, revisam conteúdos juntos e criam uma dinâmica de colaboração que vai além do quarto individual”, diz.

Experiência internacional como referência

Em países como Reino Unido, Estados Unidos e Itália, residências estudantis são concebidas como parte da formação universitária. Nos EUA, muitos alunos vivem em “dorms” ao longo de toda a graduação, integrando atividades sociais e acadêmicas à rotina do campus. Na Europa, o modelo conhecido como PBSA (Purpose-Built Student Accommodation) se consolidou como segmento específico do mercado imobiliário educacional.

No Brasil, o conceito ainda está em expansão, mas acompanha a transformação de bairros universitários como o Butantã, em São Paulo, onde a demanda por moradia estudantil se intensifica. 

“A vida no residencial permite que o estudante veja aquele espaço como mais do que um quarto. Ele se torna ponto de encontro, de estudo em grupo e de troca de experiências e cultura, algo muito valorizado em universidades no exterior e que começa a ganhar força também aqui”, destaca a gerente da Share Student Living.

Mudança geracional

O crescimento do modelo também dialoga com uma mudança geracional. Jovens que deixam a casa dos pais aos 17 ou 18 anos enfrentam hoje um contexto de maior pressão acadêmica e emocional. “O estudante de hoje busca mais do que um lugar para dormir. Ele procura um ambiente que dialogue com a rotina acadêmica e facilite a construção de redes”, diz.

Há ainda uma forte preocupação dos pais com adaptação, rotina e segurança. “Ter uma estrutura organizada, com regras claras e espaços compartilhados contribui para que esse período seja mais tranquilo tanto para o estudante quanto para os familiares”, complementa Juliana Onias.

 

 





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  • Nelson Dias12
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