- mell280
19/03/2026 08h47
Quando o algoritmo decide por você
Especialistas da MATH Group alertam que empresas estão entregando decisões estratégicas à IA sem perceber os riscos invisíveis que isso pode gerar
A Inteligência Artificial (IA) se tornou uma das principais forças de transformação dentro das empresas. De sistemas de recomendação a decisões automatizadas em marketing, crédito, logística e operações, os algoritmos passaram a influenciar escolhas estratégicas em escala. Mas, à medida que essas tecnologias ganham autonomia, cresce também um debate silencioso dentro do mundo corporativo: o que acontece quando decisões passam a ser tomadas por sistemas que poucos realmente entendem?
Especialistas da MATH Group chamam atenção para um fenômeno cada vez mais comum nas organizações: algoritmos sendo tratados como oráculos tecnológicos, capazes de decidir sozinhos qual é o melhor caminho. Na prática, porém, esses sistemas apenas reproduzem os critérios e métricas que recebem. Quando mal desenhados ou mal supervisionados, podem amplificar erros, vieses e decisões de curto prazo.
Para Marcel Ghiraldini, Chief Strategy Officer (CSO) da MATH Group, um dos principais problemas está na forma como empresas delegam decisões críticas à tecnologia sem estabelecer mecanismos claros de governança. “Quando um algoritmo passa a decidir sem supervisão adequada, ele não cria inteligência. Ele apenas automatiza o que já está dentro dos dados e das métricas usadas. Se essas métricas forem pobres, a automação só escala o problema”, afirma.
Saiba o que pedir para a IA
Segundo ele, muitos sistemas são projetados para otimizar indicadores específicos, como engajamento, conversão ou eficiência operacional. O problema é que esses indicadores nem sempre representam o que é melhor para o negócio no longo prazo.
“Algoritmos são extremamente eficientes em otimizar o que pedimos. O risco é quando pedimos a coisa errada. Sem uma camada de julgamento humano e visão estratégica, eles podem levar a empresa para decisões que parecem corretas no curto prazo, mas são prejudiciais no contexto mais amplo”, explica Ghiraldini.
Esse fenômeno tem sido observado em diferentes setores da economia. Plataformas digitais, sistemas de crédito, ferramentas de marketing automatizado e modelos baseados em tendências de negócios frequentemente operam como caixas-pretas dentro das empresas. Executivos confiam nos resultados, mas raramente questionam como as decisões estão sendo produzidas.
IA com inteligência humana
Para a MATH Group, o desafio não está em usar Inteligência Artificial, mas em usar inteligência artificial com inteligência humana. “A tecnologia não substitui o julgamento. Ela amplia o alcance das decisões. Se o modelo mental por trás do algoritmo for limitado, a escala do erro também será”, diz Ghiraldini.
A discussão ganha ainda mais relevância em um momento em que a IA passa a ser integrada a praticamente todas as áreas das empresas. Sistemas automatizados já influenciam desde campanhas de marketing até estratégias comerciais, definição de preços, avaliação de risco e relacionamento com clientes.
Segundo a MATH Group, organizações que desejam capturar valor real da IA precisam ir além da implementação tecnológica. É necessário estabelecer princípios claros de governança de dados, supervisão humana e alinhamento estratégico.
O papel dos algoritmos nas decisões corporativas
“Empresas que tratam IA apenas como tecnologia tendem a colher resultados superficiais. As que tratam IA como parte da estratégia de decisão conseguem transformar dados em vantagem competitiva real”, afirma Ghiraldini.
O debate sobre o papel dos algoritmos nas decisões corporativas deve ganhar ainda mais força nos próximos anos, à medida que modelos de IA se tornam mais sofisticados e presentes no cotidiano das organizações.
A pergunta central não é se as empresas devem usar IA, mas como garantir que ela esteja servindo às decisões humanas — e não substituindo o pensamento crítico dentro das empresas.



