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Previsão de safra recorde de café em 2026 reforça urgência da conectividade no campo, aponta estudo da ConectarAGRO


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08/04/2026 11h30

Previsão de safra recorde de café em 2026 reforça urgência da conectividade no campo, aponta estudo da ConectarAGRO

assessoria


Levantamento revela que apenas 69% das lavouras têm acesso à internet e destaca desigualdades regionais na cafeicultura brasileira

 

 

 

O Brasil se prepara para uma das maiores safras de café de sua história. A estimativa inicial para 2026 aponta para um volume de 66,2 milhões de sacas beneficiadas, resultado que pode superar o recorde anterior e consolidar o país ainda mais como líder global na produção do grão. O crescimento expressivo é impulsionado por um ciclo de bienalidade favorável, pela ampliação da área em produção e por ganhos relevantes de produtividade, favorecidos por condições climáticas mais estáveis e pelo uso crescente de tecnologia nas lavouras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento.

Com a colheita concentrada entre abril e agosto e um cenário internacional de oferta ainda restrita, o aumento da produção brasileira tende a ter papel decisivo no abastecimento global. Ao mesmo tempo, esse avanço evidencia a necessidade de infraestrutura capaz de sustentar uma cafeicultura cada vez mais eficiente, rastreável e alinhada às exigências do mercado.

É nesse ponto que a conectividade ganha protagonismo, mas também revela suas limitações. Um levantamento conduzido pela ConectarAGRO, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), mostra que 69% das áreas cultivadas com café no país contam com acesso à internet móvel. Embora o número represente avanço, ele ainda escancara um cenário de desigualdade que pode comprometer a adoção plena de soluções digitais no campo.

Os dados apontam que Paraná (81,8%), Espírito Santo (79,5%) e São Paulo (76,3%) lideram em conectividade, estando mais bem posicionados para adotar tecnologias como agricultura de precisão, monitoramento remoto e ferramentas de rastreabilidade. O Espírito Santo, por exemplo, alia sua elevada cobertura digital à força da produção de conilon no norte do estado e de arábica nas montanhas, alcançando também a maior produtividade média entre os principais estados produtores (32,03 sc/ha). Já São Paulo, berço histórico do café no país, mantém relevância por meio de regiões como a Mogiana e Alta Mogiana, onde a tecnologia e a conectividade têm impulsionado a qualidade dos grãos. O Paraná, apesar de ter perdido espaço em volume desde as geadas dos anos 1970, hoje se reinventa com cafés especiais, apoiados por um índice de conectividade exemplar.

Minas Gerais, maior produtor do país, ocupa posição intermediária: são 886 mil hectares de café, dos quais 67,8% estão conectados. “O dado, que à primeira vista parece robusto, esconde os desafios do estado, cuja produção é marcada por topografia montanhosa, grande dispersão territorial e predominância de pequenas propriedades, o que dificulta a universalização da cobertura digital mesmo em regiões de forte tradição cafeeira, como Sul de Minas e Matas de Minas”, explica Paola Campiello, presidente da ConectarAGRO.

Em contrapartida, Bahia (40,7%) e Goiás (10,5%) registram os piores índices de conexão, cenário que dificulta a inserção plena de suas lavouras na chamada agricultura 4.0. A Bahia, embora apresente produtividade relativamente elevada (25,43 sc/ha), sofre com a distância entre áreas produtivas e centros urbanos, além da limitação estrutural da cobertura digital em regiões como o Oeste Baiano e a Chapada Diamantina. Goiás, com apenas 10,5% das lavouras conectadas, mostra a maior lacuna tecnológica, evidenciando a urgência de investimentos em infraestrutura.

Análise municipal

A análise em nível municipal reforça esse retrato de contrastes. Entre os dez municípios com maiores áreas de café plantada, todos localizados em Minas Gerais, há cenários distintos: Patrocínio, no Cerrado Mineiro, possui a maior área cultivada (44,5 mil ha) e registra 57,9% de conectividade, enquanto Monte Carmelo, também no Cerrado, alcança 81,9% de cobertura e produtividade média de 42 sc/ha. Já Serra do Salitre, com 16,7 mil ha, conecta apenas 23% de suas lavouras, resultado que ilustra como a ausência de infraestrutura digital pode limitar o potencial produtivo mesmo em regiões de alta aptidão agrícola.

O estudo mostra que a conectividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser condição essencial para o desenvolvimento da cafeicultura. A presença de internet no campo viabiliza desde o uso de sensores de monitoramento climático e sistemas de irrigação inteligentes até plataformas de rastreabilidade e certificações de origem, cada vez mais exigidas por mercados internacionais, como o europeu. Os estados e municípios mais conectados já colhem ganhos em eficiência, sustentabilidade e qualidade, enquanto regiões ainda desconectadas enfrentam riscos de estagnação tecnológica e perda de competitividade.

“A conectividade representa inclusão social, segurança alimentar e soberania tecnológica. Garantir acesso digital nas lavouras é assegurar que o café brasileiro continue sendo referência mundial em qualidade, inovação e sustentabilidade, em um mercado cada vez mais exigente”, conclui Campiello.

Sobre a ConectarAGRO 

A ConectarAGRO é uma associação civil sem fins lucrativos que visa fomentar a expansão do acesso à internet nas áreas remotas do Brasil, para conectar pessoas, máquinas e instrumentos, viabilizando a Internet das Coisas (IoT) na agricultura. Para isso, propõe a conectividade em toda a área produtiva, agricultável. Uma das tecnologias, ou a preponderante, na cobertura é o 4G, com frequência de 700 MHz. Criada para solucionar o problema comum de falta de conectividade no campo, enfrentado pelo agronegócio, a iniciativa já contribuiu para levar internet em extensas áreas rurais e remotas no Brasil. 





 





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