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Receita Federal cria 'score' das empresas e muda acesso a créditos e benefícios


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09/04/2026 06h59

Receita Federal cria 'score' das empresas e muda acesso a créditos e benefícios

JN Assessoria de Imprensa


Novo sistema classifica corporações de A+ a D e implementa um novo parâmetro que pode impactar créditos, contratos e relação com o Fisco

 

 

 

A relação entre empresas e as autoridades fiscais no Brasil passa por mudanças com a implementação de um sistema nacional de classificação tributária que atribui uma “nota” para todas as companhias do país. A partir de abril de 2026, empresas passam a ser enquadradas em cinco categorias - A+, A, B, C e D - com impactos diretos sobre acesso a benefícios fiscais, crédito e relacionamento institucional. A medida atinge um universo de aproximadamente 24,9 milhões de empresas brasileiras, ampliando o alcance da avaliação fiscal no ambiente de negócios.

A medida foi regulamentada pela Receita Federal por meio das Instruções Normativas nº 2.316, 2.317 e 2.318, que consolidam os programas Sintonia, Confia e Operador Econômico Autorizado (OEA), dentro do Código de Defesa do Contribuinte (LC nº 225/2026). Na prática, o modelo cria um sistema unificado de avaliação da conformidade tributária baseado em 26 indicadores, que analisam desde a regularidade cadastral até a consistência das declarações e o histórico de pagamentos.

Diferente de iniciativas anteriores focadas apenas em cobrança ou regularização, o novo sistema introduz uma lógica de reputação tributária contínua, com reflexos que ultrapassam o ambiente fiscal. Empresas com classificação mais elevada passam a acessar benefícios como prioridade em atendimentos, possibilidade de autorregularização sem multa e bônus de adimplência, enquanto aquelas com notas mais baixas tendem a enfrentar um ambiente mais restritivo.

Com mais de 100 funcionários, a Rocha & Rocha Advogados acompanha de forma direta os impactos da complexidade tributária sobre grandes empresas e aponta que o novo modelo tende a redefinir a forma como o tema é tratado dentro das organizações.

Para Victor Hugo Rocha, advogado tributarista e sócio da Rocha & Rocha Advogados, a mudança desloca a gestão tributária de um campo operacional para o centro da estratégia empresarial.

“Não estamos diante de um mecanismo de fiscalização tradicional, mas de um sistema que transforma a conformidade tributária em um ativo mensurável. A classificação passa a influenciar decisões que vão desde acesso a crédito até participação em contratos e licitações, criando um novo parâmetro de avaliação das empresas no mercado”, afirma.

O modelo tende a ampliar a assimetria competitiva entre empresas com diferentes níveis de organização tributária. Na prática, a nota atribuída pela Receita pode funcionar como um sinalizador de risco para instituições financeiras, parceiros comerciais e investidores, aproximando o ambiente fiscal de uma lógica já consolidada no mercado de crédito.

Para o especialista, esse movimento altera a forma como o passivo e o compliance tributário são percebidos dentro das companhias.

“O que antes era tratado como uma obrigação acessória passa a ter impacto direto na competitividade. Empresas com baixa classificação podem enfrentar restrições indiretas, como maior custo de capital ou exigências adicionais em negociações. Por outro lado, aquelas que estruturarem governança tributária consistente tendem a capturar ganhos de eficiência e previsibilidade”, explica.

O novo modelo também reforça uma abordagem mais preventiva por parte da Receita Federal, ao incentivar a regularização espontânea e reduzir a litigiosidade. Empresas melhor classificadas passam a contar com prazos diferenciados para correção de inconsistências e menor exposição a penalidades, enquanto contribuintes com pior desempenho permanecem sujeitos à maior rigor fiscal.

Apesar dos benefícios previstos, a recomendação é de adaptação antecipada. A tendência é que o sistema evolua com revisões periódicas e ampliação dos critérios de avaliação, tornando a classificação tributária um componente cada vez mais relevante na dinâmica empresarial brasileira.

“A mudança exige uma revisão estrutural da forma como as empresas lidam com dados fiscais. Não se trata apenas de estar em dia, mas de garantir consistência, integração de informações e capacidade de resposta em tempo real. Quem não internalizar essa lógica corre o risco de perder competitividade de forma silenciosa”, conclui o tributarista.

Sobre a Rocha & Rocha Advogados

Fundada em 2014, em Londrina (PR), a Rocha & Rocha Advogados atua nacionalmente na governança tributária de grandes contribuintes. O escritório nasceu da combinação de dois perfis complementares: Ciro Rocha, com visão técnica aprofundada sobre o funcionamento do Fisco; e Vanessa Rocha, com liderança voltada à estruturação, ao crescimento da operação e à incorporação de tecnologia como instrumento de governança.

Com mais de 100 profissionais, mais de 400 clientes ativos e presença em Londrina, Brasília e São Paulo, a Rocha & Rocha integra expertise jurídica e contábil para atuar onde a complexidade tributária exige mais do que conformidade, exige método, previsibilidade e decisão estratégica.


 

 




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