21/04/2026 08h34
Quem foi Tiradentes e por que é feriado dia 21 de abril?
De dentista amador a membro de revolta contra Coroa Portuguesa, Tiradentes ficou nacionalmente conhecido após sua condenação a morte.
Nacionalmente conhecido e com um feriado em sua memória, o militar Joaquim José da Silva Xavier, tem seu nome registrado nos livros e documentos da história do Brasil, em função de ter sido um dos líderes da Inconfidência Mineira. No entanto, foi com o apelido de “Tiradentes“, por ter atuado como dentista amador, que é ainda mais lembrado.
Segundo registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o registro de batismo de Tiradentes está datado de 12 de novembro de 1746, na Capela de São Sebastião do Rio Abaixo, filial da Matriz de Nossa Senhora do Pilar da Vila de São João d’El-Rey.
Alguns estudos realizados para identificar o local exato de nascimento de Tiradentes indicam que ele era natural “do Pombal, termo da Vila de São João D’El-Rey, da Capitania de Minas Gerais”.
Durante sua vida teve várias profissões: foi tropeiro, comerciante, minerador e militar. Porém, o apelido surgiu quando começou a arrancar os dentes das pessoas, prática realizada por pessoas que não eram necessariamente especializadas na área da saúde, antes do desenvolvimento da odontologia no Brasil.
Como, naquela época, a profissão de dentista se resumia em “tirar dentes”, acabou ganhando a alcunha de “tiradentes”.
Porém, sua notoriedade se deu quando aderiu ao movimento da Inconfidência Mineira contra a Coroa Portuguesa, quando ainda era militar e tinha o posto de alferes. Considerado um excelente comunicador, foi responsável por conquistar adeptos para a causa revolucionária.
A Inconfidência Mineira foi uma revolta que estava sendo organizada pela elite socioeconômica de Minas Gerais, mas acabou sendo descoberta antes de ser iniciada. Dentre os objetivos estavam a independência do Brasil em relação a Portugal, a proclamação de uma República focada em Minas Gerais e o fim da exploração e altos impostos sobre o ouro.
A denúncia do movimento fez com que Tiradentes fosse preso em maio de 1789 e condenado. Sentenciado por traição, recebeu como pena a morte por enforcamento. Sua execução aconteceu no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro.
Em seguida, teve a cabeça decepada e o corpo dividido. Seus restos foram colocados em salmoura e enviados para a Capitania de Minas Gerais.
A cabeça, exposta em uma gaiola, permaneceu em um poste em Vila Rica até se decompor, enquanto outras partes do corpo foram exibidas ao longo do Caminho Novo, trajeto que Tiradentes utilizava ao defender a libertação do Brasil do domínio da Coroa Portuguesa.
A morte deveria servir de exemplo para outros que tentassem contra a Coroa.
Cidade eterniza nome da figura histórica
Em sua homenagem, a cidade Tiradentes (MG) foi batizada com seu apelido, e foi uma das primeiras a serem reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio histórico brasileiro, tendo seu conjunto tombado em 20 de abril de 1938.
Conforme a Prefeitura de Tiradentes, a cidade foi fundada por volta de 1702, quando os paulistas descobriram ouro nas encostas da Serra de São José, dando origem a um arraial batizado com o nome de Santo Antônio do Rio das Mortes.
A vila foi elevada a cidade em 1860, primeiramente com o nome de São José, substituído, em 1889, pelo de Tiradentes, em homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira, por ser sua terra natal.
O município apresenta um dos acervos arquitetônicos mais importantes de Minas Gerais com casarões, igrejas e casas que mantêm preservada a paisagem do Brasil Colonial.
Das edificações religiosas, a Matriz de Santo Antônio é considerada um dos mais importantes exemplares da arquitetura colonial mineira.
Apresentando fachada com risco de autoria do Aleijadinho, dentro dos padrões das grandes matrizes de Minas Gerais, possui, em seu interior, riquíssima ornamentação, não só pela talha da nave e da capela-mor, como também pelas sacristias ricamente decoradas.






