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Ruptura em supermercados cai para 11,7% em março, mas alívio nos preços não reduz pressão em itens essenciais


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  • mell280

29/04/2026 10h00

Ruptura em supermercados cai para 11,7% em março, mas alívio nos preços não reduz pressão em itens essenciais

Eduardo Mariano


Levantamento da Neogrid aponta recomposição do abastecimento e queda de preços em diversas categorias, enquanto leite, arroz e feijão ainda enfrentam alta na indisponibilidade

 

 

 

 

O Índice de Ruptura da Neogrid, indicador que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, registrou 11,7% em março de 2026, queda de 1,5 ponto percentual (p.p.) em relação a fevereiro, quando o índice foi de 13,2%. Apesar da melhora geral, categorias essenciais como arroz, feijão, leite e azeite seguem pressionando o indicador.

“O recuo no índice mostra um movimento de retomada no abastecimento, com o varejo mais estocado e apostando na recuperação do consumo depois de um início de ano mais retraído. Esse movimento, contudo, também exige cautela”, analisa Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid. “Em paralelo, com vendas ainda tímidas e irregulares, o setor segue atento aos sinais econômicos e geopolíticos e já entende que a ruptura é um perde-perde: em um cenário de demanda mais fraca, não ter produto na gôndola agrava ainda mais os desafios de venda.”

Segundo Munhoz, há um esforço maior de toda a cadeia para evitar a falta de produtos, especialmente em categorias essenciais. “O consumidor precisa repor e abastecer o lar, então o varejo tem buscado equilibrar melhor seus estoques, ainda que com uma postura mais cautelosa diante de um ano que começou desafiador”, acrescenta.

Ruptura das categorias que se destacaram em março de 2026 no Brasil:

Aumento:

  • Leite: de 13,9% para 19,1% (5,2 p.p.)
  • Azeite: de 13,6% para 14,1% (0,5 p.p.)
  • Arroz: de 11,5% para 11,7% (0,2 p.p.)
  • Feijão: de 10% para 10,8% (0,8 p.p.)

Queda:

  • Ovos: de 27,2% para 27% (-0,2 p.p.)
  • Açúcar: de 10,2% para 8,4% (-1,8 p.p.)
  • Café: de 8% para 7,5% (-0,5 p.p.)

Ovos de aves

Apesar da leve melhora, com um recuo de 27,2% em fevereiro para 27% em março (-0,2 p.p.), a categoria segue como a mais crítica do abastecimento. O histórico recente evidencia essa pressão: em janeiro, o índice estava em 22% – o menor patamar da série – e avançou de forma expressiva no mês seguinte, mantendo-se agora em nível elevado.

Nos preços, houve alta na maioria das embalagens: a caixa com 12 unidades passou de R$ 11,63 em fevereiro para R$ 12,07 em março, a de 20 unidades de R$ 16,00 para R$ 17,32 e a de 30 unidades de R$ 20,32 para R$ 21,55. A única exceção foi a embalagem com meia dúzia de ovos, que recuou de R$ 7,96 para R$ 7,42.

Leite UHT

O leite UHT registrou a variação mais intensa entre as categorias monitoradas, com a indisponibilidade saltando de 13,9% em fevereiro para 19,1% em março (5,2 p.p.). O movimento representa uma aceleração relevante frente a janeiro, quando o índice estava em 8,8%, indicando uma deterioração consistente ao longo do trimestre.

Nos preços, o leite semidesnatado subiu de R$ 4,97 em fevereiro para R$ 5,46 em março, enquanto o integral passou de R$ 4,96 para R$ 5,45. De modo semelhante, o tipo sem lactose avançou de R$ 6,55 para R$ 6,83. Apenas o desnatado apresentou queda, recuando de R$ 4,97 para R$ 4,36 no período.

Azeite

Após uma estabilidade no fim de 2025, quando o índice girava em torno de 12,1%, a ruptura do azeite entrou em trajetória de alta em 2026. Em janeiro, o indicador marcou 11,5%, avançou para 13,6% em fevereiro e atingiu 14,1% em março – o maior patamar desde a nova série histórica do Índice de Ruptura da Neogrid.

Em contrapartida, os preços apresentaram uma queda expressiva. O azeite extravirgem recuou de R$ 87,09 para R$ 75,20, ao passo que o tipo virgem caiu de R$ 72,00 para R$ 64,01.

Arroz

A ruptura do arroz segue em trajetória de alta desde outubro, quando o grão registrou seu menor patamar (6,8%). Entre novembro e dezembro, o índice avançou de 7,8% para 8,7% e, no início de 2026, acelerou para 10,7%, subindo novamente em fevereiro (11,5%) e atingindo 11,7% em março (0,2 p.p.).

No mesmo intervalo, os preços recuaram de maneira consistente. O arroz parboilizado caiu de R$ 4,95 para R$ 4,56, enquanto o branco passou de R$ 5,06 para R$ 4,82. Já o integral teve redução mais expressiva - de R$ 11,03 para R$ 9,82.

Feijão

Outra base alimentar essencial, o feijão também mantém trajetória de alta em sua indisponibilidade. Depois de registrar 8,2% em janeiro e 10% em fevereiro, o índice avançou para 10,8% em março (0,8 p.p.). No período, os preços tiveram comportamento misto, com o feijão vermelho apresentando queda de R$ 12,70 para R$ 12,01, enquanto o preto subiu de R$ 6,28 para R$ 6,44 e o carioca avançou de R$ 7,42 para R$ 7,97.

Açúcar

Após atingir o maior patamar da série recente em fevereiro (10,2%), a ruptura do açúcar recuou para 8,4% em março (-1,8 p.p.). O movimento interrompe a trajetória de alta observada desde o fim de 2025 e indica uma recomposição no abastecimento. Em relação aos preços, o açúcar refinado passou de R$ 5,02 para R$ 4,44, enquanto o cristal foi de R$ 4,06 para R$ 3,57.

Café

A ruptura do café apresentou leve queda em março, passando de 8% em fevereiro para 7,5% (-0,5 p.p.), depois de uma trajetória de alta no início do ano. Os preços também recuaram, com o café em pó caindo de R$ 80,15 para R$ 74,84, enquanto o café em grãos passou de R$ 144,98 para R$ 136,19.

O que é ruptura?

Ruptura é um indicador que mostra a porcentagem de itens em falta em relação ao total de itens de uma loja considerando o catálogo total de produtos. Por exemplo: se um varejo vende 10 marcas de água mineral de 500 ml e uma delas está sem estoque, a ruptura desse produto é de 10%. Calculado com base no mix de cada loja, o índice não considera o histórico de vendas e independe da demanda.

Outro exemplo de ruptura pode ser observado quando o arroz parboilizado deixa de estar disponível no estoque da loja e outros tipos, como o integral, agulhinha ou arbóreo, continuam disponíveis. Em todos os casos, o termo “estoque” considera todo o espaço físico do varejo, incluindo a gôndola e o local de armazenagem para produtos ainda não disponíveis na prateleira.

Sobre a Neogrid: Neogrid é um ecossistema de soluções que transforma dados em insights e tecnologia em poder de ação para aumentar giro de estoque, reduzir ruptura, fortalecendo a colaboração entre indústria, varejo e distribuidor. Com estratégia de transformação guiada pela Inteligência Artificial – e foco total no cliente –, atuamos para que toda a cadeia de consumo e de abastecimento opere de forma integrada, sem faltas e sem excessos, aumentando a disponibilidade de produtos de maneira mais eficiente, sustentável e rentável.

 

 

  




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