29/04/2026 11h09
Terras rurais em Goiás valorizam 20%, aponta ICVH
Alta reflete avanço da produção, força das exportações e maior seletividade do mercado, segundo o Chãozão
O mercado de terras rurais em Goiás registrou valorização próxima de 20% no primeiro trimestre de 2026, segundo o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH). De acordo com o levantamento, o preço médio por hectare no estado chegou a R$ 49.034,07 no período, ante R$ 41.370,00 nos três primeiros meses de 2025. Para o setor, o movimento reforça que o mercado goiano vive um momento de maturidade e maior seletividade, e não de desvalorização generalizada.
Segundo Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão, a valorização acompanha o fortalecimento dos fundamentos do agro no estado. “Goiás está produzindo mais, melhor e com mais eficiência. Terra com alta capacidade produtiva, inserida em um ambiente de rentabilidade crescente, não perde valor. O que vemos hoje é um mercado mais profissional, com comprador mais criterioso e foco maior em qualidade e retorno”, afirma.
A leitura do Chãozão é sustentada pelo desempenho da safra 2024/25, que superou 37 milhões de toneladas, com ganhos de produtividade em culturas como soja e milho. Ao mesmo tempo, a agroindústria continua avançando no estado, agregando valor dentro da própria cadeia produtiva regional. Para o mercado, esse ambiente reforça a atratividade da terra como ativo de fundamento.
A pecuária também contribui para esse cenário. Goiás mantém um dos maiores rebanhos do país e segue gerando caixa, impulsionado pela valorização da arroba nos últimos ciclos. Segundo a avaliação do setor, o aumento da rentabilidade da atividade pecuária tende a se refletir diretamente no valor econômico da terra, especialmente para investidores que tratam a fazenda como ativo financeiro.
Outro fator apontado como suporte para os preços é o fluxo de capital vindo do agro. Em 2025, as exportações do setor em Goiás superaram R$ 10 bilhões, com crescimento em valor e volume. Para o Chãozão, esse movimento reforça a entrada de recursos no sistema e estimula investimentos, o que sustenta a valorização dos ativos rurais.
No primeiro trimestre de 2026, o comportamento da demanda também chamou atenção. Segundo o Chãozão, foram registradas mais de 18 mil buscas por terras em Goiás na plataforma da empresa, indicando interesse ativo de produtores e investidores no estado. A avaliação é que esse fluxo não ocorreu por preços baixos, mas pela combinação entre fundamentos sólidos e percepção de oportunidade em propriedades de melhor qualidade.
Geórgia Oliveira destaca que o mercado passa, sim, por ajustes pontuais, mas isso não deve ser confundido com uma tendência ampla de queda. “Existem propriedades que perderam valor, mas isso não define o estado. Em geral, são áreas com baixa produtividade, problemas documentais ou preços que já estavam desconectados da realidade. O mercado está separando com mais clareza o que entrega resultado do que não entrega”, diz.
Para a executiva, generalizações sobre desvalorização expressiva criam ruído e atrapalham a leitura de um mercado que segue sustentado por produção em alta, exportações fortes, rentabilidade crescente e demanda real. “O que vemos em Goiás é um mercado mais seletivo, mais técnico e mais maduro. Isso não enfraquece o setor, pelo contrário, fortalece”, afirma.
Na visão do Chãozão, a valorização apontada pelo ICVH reforça o papel da terra rural como ativo de longo prazo e mostra que os fundamentos do agro goiano continuam sólidos, mesmo em um ambiente em que compradores passaram a exigir mais qualidade, documentação e produtividade antes de fechar negócio.



