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Espírito Santo pode virar novo eixo de importações no Brasil?


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27/05/2026 04h20

Espírito Santo pode virar novo eixo de importações no Brasil?

Monalise Bürger


Projeto no sul do Espírito Santo pode facilitar a chegada de cargas ao Brasil, reduzir problemas logísticos e tornar importações mais competitivas.

 

 

 

A criação do ParkLog Sul Capixaba pode mudar a forma como as cargas chegam ao Brasil pelo Espírito Santo. O projeto busca transformar a região Sul do Estado em um grande centro logístico, reunindo portos, rodovias, ferrovias, aeroporto e estrutura industrial para facilitar o transporte de mercadorias. Na prática, a proposta é fazer com que o Estado deixe de ser apenas uma rota de passagem e passe a ter papel estratégico na movimentação de produtos importados e exportados.

O decreto que institui o programa foi assinado em 4 de maio e marca o início dos estudos técnicos para organizar os ativos da região em um polo logístico-industrial. A ideia é criar uma estrutura capaz de atrair empresas, reduzir gargalos no transporte de cargas e oferecer mais eficiência para operações de comércio exterior, especialmente em um país onde custos logísticos ainda pesam no preço final de produtos e insumos.

O projeto prevê a integração de estruturas como os portos de Ubu, em Anchieta, e Porto Central, em Presidente Kennedy, além do Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, da Ferrovia EF-118 e da ampliação da BR-101. Segundo o Governo do Espírito Santo, o Porto Central terá profundidade de até 25 metros e capacidade projetada de movimentação de até 233 milhões de toneladas por ano em plena operação, enquanto o Porto de Ubu possui capacidade instalada de cerca de 33 milhões de toneladas anuais.

Na prática, a soma desses ativos pode reposicionar o Estado como uma rota relevante para grandes cargas e operações internacionais. O complexo previsto pelo ParkLog Sul pode movimentar 266 milhões de toneladas por ano, volume superior ao do Porto de Santos, hoje uma das principais referências portuárias da América Latina. A proposta é transformar a região em um hub de transbordo, permitindo que navios de grande porte cheguem ao Espírito Santo e distribuam cargas para outras regiões do país por cabotagem.

Para Márcio Buteri, proprietário da GX5 Import, formado em Administração em Comércio Exterior e com mais de 27 anos de experiência em operações internacionais, o avanço desse tipo de projeto mostra que a logística deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ser um fator decisivo na competitividade das empresas. “Quando um Estado consegue reunir porto, ferrovia, rodovia e planejamento em uma mesma estratégia, ele cria condições para reduzir gargalos e dar mais previsibilidade às operações. No comércio exterior, a previsibilidade é tão importante quanto o preço”, afirma.

Um dos pontos mais relevantes do ParkLog Sul é a possibilidade de ampliar alternativas logísticas para empresas que hoje dependem de rotas mais congestionadas ou distantes. Em operações de importação, a escolha do porto de entrada pode afetar diretamente prazo, custo de frete, armazenagem, despacho aduaneiro e distribuição nacional. Por isso, a criação de novos polos integrados tende a impactar não apenas grandes indústrias, mas também empresas que importam equipamentos, insumos, peças e produtos de alto valor.

O projeto também dialoga com uma necessidade antiga do comércio exterior brasileiro: reduzir a dependência de poucos corredores logísticos. Quando a infraestrutura se concentra em rotas limitadas, qualquer gargalo portuário, rodoviário ou ferroviário pode gerar atrasos e elevar custos. A descentralização, quando acompanhada de segurança jurídica e planejamento tributário, aumenta as opções para empresas e melhora a eficiência da cadeia de suprimentos.

Segundo o empresário, o diferencial não está apenas na construção de novos ativos, mas na forma como eles serão conectados. “Um porto profundo, sozinho, não resolve a operação. É preciso integrar transporte interno, documentação, tributação, armazenagem e distribuição. O ganho verdadeiro aparece quando toda a cadeia funciona de forma coordenada”, conclui.

Além da movimentação portuária, o ParkLog Sul mira a atração de indústrias e empresas para a região. O Governo do Espírito Santo já negocia com grandes companhias interessadas no projeto, que prevê a conexão entre infraestrutura, inovação, indústria e capital humano, além da criação de ZPE (Zonas de Processamento de Exportação) e do fortalecimento de serviços ligados ao comércio exterior e à logística.

Se avançar conforme o planejamento, o ParkLog Sul Capixaba pode fortalecer o Espírito Santo como uma alternativa estratégica para operações internacionais no Brasil. Para empresas que dependem de importação, o movimento reforça a importância de acompanhar não apenas câmbio e tributos, mas também infraestrutura, rotas e capacidade logística dos estados. Em um mercado global sensível a prazos e custos, a escolha do caminho por onde a carga entra no país pode se tornar uma decisão cada vez mais estratégica.

 



 




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