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Copa do Mundo: cesta do torcedor acumula alta de 32,5% desde 2022, aponta Rico


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27/05/2026 09h40

Copa do Mundo: cesta do torcedor acumula alta de 32,5% desde 2022, aponta Rico

Fernando Rubino


Levantamento da Rico mostra que itens tradicionalmente consumidos durante os jogos subiram acima da inflação geral no período; chocolate lidera as altas

 

 

 

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, chega em um cenário diferente daquele observado no Mundial de 2022, no Qatar. Para o torcedor brasileiro, a principal mudança estará no bolso: a chamada “cesta da Copa” ficou 32,5% mais cara desde o último torneio.

O levantamento realizado pela Rico, com base na composição revelada pelo estudo da NielsenIQ (NIQ Industry Insights, Abril/2026), mostra que itens tradicionalmente consumidos durante os jogos acumularam alta acima da inflação geral no período. Entre o fechamento de 2022 e o fechamento de 2025, o IPCA acumulou 21,0%.

“O torcedor que vai ao supermercado para preparar a mesa dos jogos percebe uma alta relevante nos preços dos produtos mais associados ao consumo coletivo e aos momentos de lazer durante a Copa”, afirma Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico.

Segundo o estudo, a cesta da Copa respondeu por R$ 7,2 bilhões em receita durante o Mundial de 2022, com crescimento de 19,1% em valor e 4,8% em volume no período analisado pela NIQ.

Inflação da cesta da Copa

Categorias

2022

2023

2024

2025

Acumulado 2022-2025

IPCA Geral

+5,79%

+4,62%

+4,83%

+4,26%

+21,0%

Alimentação no domicílio

+13,23%

–0,52%

+8,23%

+1,43%

+23,7%

Carnes

+1,84%

–9,37%

+20,84%

+1,22%

+12,9%

Chocolate em barra e bombom

+13,57%

+3,05%

+11,99%

+27,12%

+66,6%

Cerveja

+9,37%

+5,29%

+4,50%

+5,97%

+27,5%

Biscoito

+24,04%

+0,17%

–0,40%

+8,32%

+34,1%

Refrigerante e água mineral

+12,35%

+6,74%

+6,92%

+5,65%

+35,5%

Suco de frutas

+14,17%

+6,13%

+11,26%

+0,63%

+35,7%

Leite condensado

+35,75%

–13,59%

+8,46%

+2,16%

+30,0%

Outras bebidas alcoólicas

+15,59%

+11,41%

+8,78%

–2,88%

+36,1%

Sorvete

+20,10%

+11,26%

+4,43%

+3,82%

+44,9%

Carnes e peixes industrializados

+4,49%

–2,50%

+2,54%

+2,43%

+7,0%

Cesta da Copa

+15,15%

–2,23%

+9,65%

+7,35%

+32,5%

             

Renda cresceu, mas orçamento segue pressionado

Apesar do crescimento da renda e da queda do desemprego no período, o orçamento das famílias segue pressionado. Segundo dados da 4intelligence citados no levantamento, a renda per capita apresentou crescimento real entre 2022 e 2025, enquanto o desemprego caiu de 7,9% para 5,6%.

O comprometimento da renda familiar com pagamento de dívidas subiu para 29,3% em janeiro de 2026, o maior nível desde 2008. Já a dívida das famílias como proporção do PIB passou de 33,7% no terceiro trimestre de 2022 para 36,5% no segundo trimestre de 2025.

Apesar do avanço da renda no período, a cesta da Copa acumulou alta superior ao ganho nominal da renda do consumidor mediano, segundo o estudo.

“A renda cresceu no período, mas uma parcela maior dela está comprometida com dívidas e outras obrigações financeiras. Isso reduz a folga do consumidor justamente em momentos de consumo sazonal”, afirma Maria Giulia.

 

Chocolate lidera altas da cesta

O chocolate foi o item com maior pressão inflacionária da cesta da Copa. Segundo o levantamento, o produto acumulou alta de 66,6% entre 2022 e 2025, mais de três vezes o IPCA geral no período.

O movimento foi impulsionado pela crise global do cacau. Os preços internacionais da commodity, que giravam em torno de US$ 2.500 por tonelada em 2022, chegaram perto de US$ 10 mil em 2024, pressionados por frustrações de safra severas na Costa do Marfim e em Gana decorrentes de doenças das plantações e do El Niño.

“O movimento foi influenciado principalmente pela crise global do cacau, com forte pressão nos preços internacionais da commodity após problemas climáticos e frustrações de safra em grandes produtores mundiais”, explica a analista.

Categorias

Acumulado 2022-2025

Chocolate em barra e bombom

+66,6%

Sorvete

+44,9%

Outras bebidas alcoólicas

+36,1%

Suco de frutas

+35,7%

Refrigerante e água mineral

+35,5%

 

Carnes tiveram comportamento mais benigno

Na contramão de outros itens da cesta, as carnes registraram comportamento mais moderado. O item acumulou alta de 12,9% entre 2022 e 2025, abaixo do IPCA geral.

Segundo o levantamento, 2023 foi um ano de correção intensa para o segmento (-9,37%) após o pico registrado em anos anteriores, ajudando a aliviar parte da pressão sobre o consumidor.

“Apesar da recuperação de 2024 (+20,84%) ter sido expressiva, o item permaneceu abaixo do índice geral. O torcedor que ainda faz churrasco para ver o jogo tem o alimento central da mesa com menor pressão relativa”, afirma Maria Giulia.

Categorias

Acumulado 2022-2025

Carnes

+12,9%

Carnes e peixes industrializados

+7,0%

 

Bebidas seguem pressionadas

As bebidas também apresentaram alta relevante no período. Refrigerante e água mineral acumularam inflação de 35,5%, enquanto suco de frutas avançou 35,7%.

A pressão veio da alta de insumos, como açúcar e embalagens, além de impactos climáticos sobre cadeias agrícolas. Já outras bebidas alcoólicas, como whisky, gin e rum, acumularam alta de 36,1% no período.

“O encarecimento das bebidas esteve ligado tanto à alta de insumos, como açúcar e embalagens, quanto a pressões climáticas que afetaram algumas cadeias agrícolas”, explica a analista.

A cerveja acumulou alta de 27,5% entre 2022 e 2025, acima do IPCA geral.

Categorias

Acumulado 2022-2025

Cerveja

+27,5%

Refrigerante e água mineral

+35,5%

Suco de frutas

+35,7%

Outras bebidas alcoólicas

+36,1%

 

Hábitos de consumo também mudam

O levantamento da NIQ mostra que salgadinhos e bebidas alcoólicas seguem entre as categorias mais consumidas durante jogos em diferentes mercados analisados, como Argentina, Colômbia, Brasil e México.

Segundo o estudo, a cesta da Copa registrou impulso médio de 13% em volume sobre a média trimestral durante a semana dos jogos.

No Brasil, o padrão de consumo segue fortemente associado ao churrasco e ao consumo coletivo, mesmo com a Copa sendo disputada fora do país.

O estudo também aponta mudanças geracionais no consumo. Segundo a NIQ, o menor consumo de álcool entre a Geração Z pode abrir espaço para categorias como energéticos, sucos e versões sem álcool.

“O consumo da cesta Copa tende a acontecer mesmo em um ambiente de preços elevados. O que muda é o comportamento de compra, com substituição por marcas mais baratas, embalagens menores e redução da quantidade de itens”, afirma Maria Giulia.

Torcer ficou mais caro

A cesta da Copa acumulou alta de 32,5% entre o fechamento de 2022 e o fechamento de 2025, acima do IPCA geral no período. A pressão concentrou-se em bebidas, confeitaria e produtos processados, itens associados ao consumo coletivo e aos momentos de lazer durante os jogos.

Em contrapartida, as carnes — item de maior peso da cesta — apresentaram comportamento mais moderado, funcionando como uma âncora relativa do orçamento do torcedor.

Para quem pretende acompanhar os jogos em casa, planejamento e pesquisa de preços podem ajudar a reduzir o impacto no orçamento. A tendência observada pelo estudo é de substituição por marcas mais baratas, embalagens menores e redução da quantidade de itens consumidos.

 

 




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