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Inadimplência recorde faz empresas mudarem a forma de recuperar dinheiro perdido


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02/06/2026 06h06

Inadimplência recorde faz empresas mudarem a forma de recuperar dinheiro perdido

Carolina Lara


Estratégia deixa de ser apenas reação judicial e passa a integrar decisões de caixa, risco e governança

 

 

A inadimplência das empresas brasileiras voltou a crescer e atingiu 8,8 milhões de CNPJs em fevereiro de 2026, segundo a Serasa Experian, mantendo o indicador próximo da máxima histórica registrada no fim de 2025. O dado reforça uma mudança no comportamento de empresários que passaram a tratar recuperação de ativos menos como resposta emergencial e mais como parte da estratégia de gestão financeira. 

Para Patrícia Maia, advogada, especialista em recuperação de ativos e sócia do Barbosa Maia Advogados, a discussão deixou de estar restrita à cobrança e passou a envolver preservação patrimonial, governança e sustentabilidade empresarial. “Durante muito tempo, a recuperação de ativos foi acionada apenas quando a empresa já enfrentava pressão severa de caixa. Hoje, os empresários mais atentos entenderam que recuperar valores de forma estruturada significa proteger liquidez, reduzir exposição e manter capacidade de operação”, afirma.

A mudança acontece em um momento em que o crédito segue caro no país, apesar do início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, em abril, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 14,50% ao ano, mas o patamar ainda permanece elevado para empresas que dependem de financiamento, antecipação de recebíveis ou capital externo para sustentar a operação.

Recuperar caixa deixou de ser medida emergencial

Na prática, isso ampliou a necessidade de controle mais rigoroso sobre recursos já pertencentes à empresa, especialmente créditos em aberto, garantias mal estruturadas, contratos inadimplentes e ativos judicialmente recuperáveis.

Patrícia avalia que o erro mais comum ainda é enxergar a recuperação apenas como cobrança reativa. “Quando a empresa demora para agir, o custo aumenta. O devedor pode perder capacidade financeira, ativos podem ser dilapidados e a chance de recuperação diminui. Gestão financeira eficiente também passa por timing jurídico.”

A leitura ganhou força à medida que empresas passaram a conviver com maior seletividade de crédito e margens mais pressionadas. Micro e pequenas empresas concentram a maior parte da inadimplência registrada no país, o que mostra como negócios mais sensíveis ao fluxo de caixa tendem a sentir primeiro os efeitos do descompasso financeiro.

O trabalho deixou de depender apenas de cobrança convencional e passou a incorporar inteligência patrimonial, análise contratual, mapeamento de garantias, investigação de movimentações financeiras e estratégias jurídicas mais preventivas. “Não se trata apenas de cobrar quem deve. Muitas vezes, o ponto central é entender se há patrimônio disponível, se houve movimentação que comprometa a execução futura e quais mecanismos legais podem preservar o direito da empresa credora”, explica.

Jurídico e financeiro mais próximos na tomada de decisão

Esse reposicionamento aproxima a recuperação de ativos da agenda de governança corporativa, em vez de atuar apenas quando a crise já se instalou, companhias passaram a integrar jurídico, financeiro e gestão de risco para evitar perdas prolongadas.

Na visão da advogada, empresas que tratam ativos inadimplidos como tema estratégico conseguem decisões mais racionais e menos traumáticas. “Fluxo de caixa não se protege apenas com venda ou corte de despesas. Muitas vezes, há recursos presos em contratos mal conduzidos, créditos negligenciados ou garantias que nunca foram corretamente estruturadas, recuperar esses ativos pode representar estabilidade real para o negócio.”

Sobre Patricia Maia 

Patricia Maia é sócia do Barbosa Maia Advogados, escritório especializado em recuperação de ativos e estruturação de operações financeiras para o mercado de recebíveis. Com mais de 19 anos de experiência, atua como business strategist em operações de factoring, securitizadoras e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), além de consultora em reestruturação empresarial, garantias imobiliárias e gestão de risco financeiro.

Para mais informações, visite o site, Instagram.

Sugestão de fonte: clique aqui

Fontes de pesquisa

Banco Central do Brasil

https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21107/nota 

Serasa

https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/indicadores/inadimplencia-das-empresas-voltou-a-crescer-em-fevereiro-e-atingiu-88-milhoes-revela-serasa-experian/ 

 

  


 


 

 




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