02/06/2026 06h34
Nordeste é o segundo maior mercado de FIDCs do Brasil, aponta estudo da IOX
Concentração de empresas médias na região indica potencial de expansão desse mercado
O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) começa a ganhar tração fora do eixo tradicional Rio-São Paulo. Levantamento realizado pelo Grupo IOX revela que a região Nordeste já responde por 9,3% das operações de crédito privado estruturado no país, consolidando-se como a segunda principal região nesse segmento, atrás apenas do Sudeste, que concentra 77,8% das operações.
O dado reforça a relevância crescente da região em um segmento historicamente concentrado no Sudeste. Com participação superior à do Sul, que responde por 8,2% das operações, o Nordeste se destaca como uma das principais fronteiras de expansão para o mercado de FIDCs, enquanto Norte e Centro-Oeste somam participações inferiores a 3%.
Os FIDCs são veículos de investimento que antecipam recebíveis de empresas, transformando créditos futuros em capital imediato. Nos últimos anos, o instrumento ganhou relevância diante do encarecimento do crédito bancário tradicional e da manutenção da taxa Selic em patamares elevados, cenário que favorece operações estruturadas e de maior retorno para investidores.
O avanço nordestino ocorre em meio a uma demanda crescente por crédito fora dos grandes centros financeiros. No Brasil, a estimativa é que cerca de 100 mil empresas de médio porte enfrentem dificuldades de acesso a financiamento, cenário que se intensifica em um ambiente de juros elevados, com a Selic em 14,5%, que segue pressionando o custo do crédito bancário, ampliando o espaço para alternativas como os FIDCs
O levantamento reforça o crescimento do Nordeste em um movimento de descentralização do crédito privado no país. A expansão da atividade econômica regional, combinada ao aumento da demanda por financiamento de pequenas e médias empresas, tem impulsionado a procura por estruturas alternativas de crédito.
Neste cenário, o mercado de FIDCs segue em expansão no Brasil. Dados consolidados da indústria de fundos de investimento referentes a abril de 2026, divulgados pela ANBIMA, revelam um cenário de retração para as classes tradicionais. Enquanto o setor como um todo registrou resgates líquidos de R$ 18,1 bilhões, os FIDCs mantiveram trajetória oposta, liderando as captações líquidas com R$ 4,5 bilhões no mês.
“O investidor deixou de comprar apenas taxa. Hoje, ele avalia a tese, a estrutura e a governança da operação”, afirma Vicente Guimarães, diretor de RI do Grupo IOX. Segundo ele, o cenário reforça a tendência de interiorização do mercado de crédito privado, acompanhando o avanço de instrumentos como FIDCs e debêntures fora dos grandes centros financeiros.
Para o executivo, a descentralização não é apenas uma oportunidade, mas uma necessidade técnica diante do novo ambiente de juros. “Em um cenário mais desafiador, quem domina análise técnica, fluxo de caixa e estruturação terá vantagem. Estruturas lastreadas e bem organizadas entregam previsibilidade”, afirma.
Neste sentido, o avanço do Nordeste representa uma mudança relevante na geografia do crédito estruturado brasileiro. Setores como agronegócio, varejo, energia, infraestrutura e serviços vêm ampliando a demanda por capital fora dos grandes centros financeiros, abrindo espaço para novas operações de FIDCs na região.
Com quase 10% de participação e demanda reprimida por financiamento, o Nordeste se posiciona, assim, como um dos principais vetores de crescimento para os FIDCs no país, atraindo investidores em busca de diversificação e novas oportunidades fora dos grandes centros.



