- mell280
08/06/2026 15h14
Por que eventos esportivos mexem tanto com o comportamento coletivo?
Comuns em grandes competições, ansiedade, euforia, discussões e sensação de união transformam emoções individuais em experiências sociais de alta intensidade
A chegada de grandes torneios esportivos costuma provocar mudanças na rotina e no comportamento coletivo. Durante um evento de alcance global, como a Copa, compromissos são reorganizados, ruas ficam mais vazias nos horários das partidas e até quem não acompanha futebol acaba envolvido pelo clima de torcida e mobilização nacional.
E esse fenômeno vai além do esporte. Para Ana Paula Ribeiro Hirakawa, psicóloga do CER IV M'Boi Mirim, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, a Copa cria uma experiência rara de conexão em um cotidiano marcado por excesso de estímulos e relações cada vez mais individualizadas.
“Há um alívio psíquico imenso quando o desejo individual se alinha perfeitamente ao desejo de milhões de outras pessoas”, explica.
Além disso, o ato de torcer também desperta um forte sentimento de pertencimento: a camisa, os cantos e os rituais em torno dos jogos ajudam a construir uma sensação temporária de unidade social. De acordo com a especialista, nesses momentos, muitas diferenças parecem ser deixadas em segundo plano.
Em partidas decisivas, o corpo reage como se estivesse dentro do jogo. Coração acelerado, tensão muscular, suor excessivo e irritabilidade são respostas frequentes do organismo para momentos de alta pressão.
“O sujeito experimenta o medo da perda iminente ou a excitação da vitória, mas durante os 90 minutos ele não tem como mudar o resultado. Essa impossibilidade de ação faz com que a angústia seja descarregada diretamente no somático”, explica Ana Paula.
As emoções também costumam ultrapassar o apito final. Vitórias geram sensação de potência e euforia. Já derrotas importantes podem provocar frustração prolongada, tristeza e mudanças de humor.
Conforme a psicóloga, isso acontece porque o esporte mobiliza sentimentos muito profundos ligados à ideia de sucesso e reconhecimento. “Quando o time vence, o torcedor experimenta um triunfo narcísico, uma expansão de si mesmo. Por outro lado, a derrota reativa pequenas e grandes perdas acumuladas.”
O campeonato também altera a forma como as pessoas se comportam socialmente. Gritar na rua, cantar alto, abraçar desconhecidos e se comover publicamente passam a ser atitudes não apenas aceitas, mas incentivadas pelo ambiente coletivo.
Para Ana Paula, grandes eventos esportivos funcionam como momentos de “desapego” das regrado cotidiano. Nesse sentido, o torneio oferece uma pausa simbólica na rotina e cria um raro sentimento de experiência compartilhada.
Nas redes sociais, essa experiência é ainda mais intensa. Cada lance gera reações instantâneas, discussões, memes e ondas de indignação ou exaltação compartilhadas em tempo real.
“Hoje existe uma exigência de reação imediata”, avalia a especialista. Segundo ela, a hiperexposição digital reduz o espaço para elaborar frustrações e ambiguidades, tornando os sentidos mais impulsivos e polarizados.
Entre crianças e adolescentes, o clima de rivalidade e idolatria também exige atenção. Segundo a especialista, experiências ligadas ao esporte ajudam a desenvolver maturidade e formas mais saudáveis de lidar com expectativas. “Esportes ensinam o que é o limite e como podemos sustentar nosso desejo mesmo quando falhamos.”
No fim, essa capacidade de mobilizar emoções tão humanas ajuda a explicar o que faz a competição ser um fenômeno atemporal. Porque, durante algumas semanas, o futebol deixa de ser apenas entretenimento e se transforma em identificação, válvula de escape e ponto de encontro emocional para milhões de pessoas.
Sobre o CEJAM
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
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