17/06/2026 16h31
O que separa empresas que previnem riscos das que apenas apagam incêndios?
Recordes de acidentes e afastamentos mostram por que a Saúde e Segurança do Trabalho deixou de ser uma obrigação burocrática e passou a ocupar espaço estratégico na agenda do RH
A gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) vive um momento de transformação nas empresas brasileiras. Se antes o tema era frequentemente associado ao cumprimento de exigências legais e à prevenção de multas, hoje ele aparece cada vez mais ligado a indicadores de produtividade, engajamento, retenção de talentos e sustentabilidade dos negócios.
Os números ajudam a explicar essa mudança. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontam que o Brasil registrou 806.011 acidentes de trabalho em 2025, o maior número da série histórica. No mesmo período, foram contabilizadas 3.644 mortes relacionadas a acidentes laborais. Já os afastamentos por transtornos mentais também seguem em crescimento: somente em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais.
Diante desse cenário, especialistas defendem que a diferença entre empresas que conseguem reduzir riscos e aquelas que vivem apagando incêndios está menos no orçamento disponível e mais na forma como a SST é incorporada à gestão.
“Muitas organizações ainda enxergam a Saúde e Segurança do Trabalho como uma obrigação burocrática, que precisa ser atendida apenas para evitar multas ou problemas legais. O desafio é justamente mudar essa lógica. Quando a SST passa a fazer parte da estratégia de gestão, a empresa consegue antecipar riscos, reduzir afastamentos e criar um ambiente mais saudável para os colaboradores”, afirma Francielli Vitali, especialista da ESSET.
SST e RH cada vez mais conectados
O crescimento dos afastamentos por questões físicas e emocionais ampliou o protagonismo do RH na gestão de saúde e segurança. Temas como saúde mental, qualidade de vida, bem-estar e prevenção passaram a impactar diretamente indicadores acompanhados pelas lideranças.
Para Francielli, a integração entre as áreas é um dos principais diferenciais das organizações mais maduras. “A gestão de saúde e segurança deixou de ser uma responsabilidade exclusiva das áreas técnicas. Hoje, o RH tem um papel fundamental porque os impactos da SST aparecem diretamente em indicadores como absenteísmo, produtividade, engajamento e retenção de talentos”, explica.
A mudança ocorre em um momento em que as empresas também ampliam seus investimentos em bem-estar. Levantamento da Mercer Marsh Benefícios mostra que 81% das organizações brasileiras já implementam iniciativas voltadas à qualidade de vida dos colaboradores, enquanto metade pretende ampliar os investimentos na área nos próximos meses.
Os sinais de uma gestão preventiva
Embora cada organização tenha desafios específicos, especialistas apontam que algumas práticas costumam estar presentes nas empresas que conseguem atuar de forma preventiva.
Entre elas estão o mapeamento atualizado dos riscos ocupacionais, a realização adequada dos exames ocupacionais, o controle dos treinamentos obrigatórios, a integração das informações com o eSocial e o acompanhamento de indicadores relacionados a acidentes, afastamentos e saúde dos trabalhadores.
“As empresas mais preparadas não são necessariamente aquelas que investem mais recursos, mas as que conseguem transformar informações em gestão. Elas acompanham indicadores, monitoram riscos, mantêm seus programas atualizados e trabalham de forma integrada entre RH, lideranças e áreas de segurança”, destaca Francielli.
Segundo a especialista, quando esses processos não existem ou funcionam de forma isolada, a tendência é que a empresa adote uma postura reativa, respondendo apenas quando um problema já ocorreu.
“Quando a empresa conhece seus riscos ocupacionais, mantém exames e treinamentos em dia, acompanha indicadores e integra essas informações aos processos de gestão, ela deixa de atuar apenas diante dos problemas e passa a trabalhar com prevenção”, afirma.
O custo de agir apenas depois do problema
Além dos impactos humanos, a falta de organização na gestão de SST gera consequências financeiras importantes. Dados da Previdência Social mostram que as despesas com benefícios relacionados à incapacidade chegaram a R$31,8 bilhões em 2024. Já estimativas apontam que transtornos mentais provocam prejuízos bilionários para empresas brasileiras por meio de afastamentos, presenteísmo e perda de produtividade.
“Existe uma percepção equivocada de que investir em saúde e segurança aumenta custos. Na prática, a desorganização costuma ser muito mais cara. Afastamentos, acidentes, perda de produtividade e passivos trabalhistas geram impactos financeiros que poderiam ser minimizados com uma gestão preventiva”, observa Francielli.
Para ela, a tendência é que a SST ocupe um espaço cada vez mais estratégico dentro das organizações, especialmente diante do aumento das discussões sobre saúde mental e riscos psicossociais.
“Organizar a SST não significa apenas cumprir exigências legais. Significa criar condições para que as pessoas trabalhem com mais segurança, apoiar a tomada de decisão do RH e dar mais previsibilidade para o negócio. É uma agenda que beneficia tanto os colaboradores quanto a própria empresa”, conclui.
Saiba mais em: https://esset.com.br/
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