22/06/2026 13h51
Copa do Mundo: 1 em cada 3 brasileiros pretende apostar durante a competição, aponta pesquisa
Maioria dos lances tem ticket médio de R$50 por rodada
Dinheiro no bolso e pura diversão praticamente empatam como os principais motivadores para apostar
Sinal de alerta: 80% da população reconhece o real perigo de se tornar um vício
A presença das apostas esportivas no futebol brasileiro já deixou de ser novidade no país, mas e durante o mundial, quando o interesse pelo esporte atinge um dos pontos mais altos do calendário, como o brasileiro pretende se comportar? Pesquisa inédita da Hibou, Instituto especializado em monitoramento e insights de consumo, aponta que 37% da população pretende fazer apostas durante a competição, o equivalente a praticamente 1 em cada 3 brasileiros. O levantamento traça um retrato completo de quem pretende entrar no jogo, quais fatores pesam nessa decisão e principais descobertas .
Gatilhos do palpite
Embora a tradição venha de longa data nas competições nacionais, o mundial atrai todos os holofotes e confirma a febre em escala recorde. E o que motiva esse pessoal a arriscar? A grana extra é a isca principal para 46% dos brasileiros, mas a pura e simples diversão vem logo colada, sendo o combustível que move 45% do público. Colocar um dinheirinho para acompanhar a partida com o coração batendo mais forte convence 30% da turma, e 21% confiam tanto no próprio conhecimento tático de futebol que buscam monetizar esse talento. A pilha dos amigos leva 20% a jogarem, os bônus oferecidos pelas casas de apostas atraem apenas 5%.
"O evento global esportivo potencializa um hábito que o brasileiro já internalizou no seu comportamento de apostas no futebol nacional. Os lances deixaram de ser apenas palpites isolados, mas uma extensão do entretenimento em tempo real, onde a experiência social de torcer com algo em jogo é o que realmente fideliza esse consumidor de forma constante", analisa Ligia Mello, CSO da Hibou.
Time de apostadores
Quem pensa que o país está cheio de analistas profissionais e calculistas de probabilidades está enganado. O ecossistema é dominado pela intuição, já que 45% se definem como apostadores casuais, que jogam sem métodos complexos ou planilhas matemáticas. Outros 32% confessam de forma honesta que ainda estão tateando o terreno e descobrindo qual é o próprio perfil nas plataformas. Apenas 17% se enxergam como "Punters", que são mais focados em apostas simples nos mercados de pré-jogo, e uma minoria super técnica de apenas 6% age como "Trader", analisando os números e ajustando as apostas enquanto a bola rola no gramado.
O apito dos novatos e o ritmo dos veteranos
Apesar da força dos veteranos, sendo 25% que apostam há mais de cinco anos, o mercado segue dinâmico e atrai os curiosos na esteira do grande evento esportivo. O mundial será o palco da primeira aposta na vida de 9% dos respondentes. Na fatia intermediária de experiência, 22% estão nessa rotina há um ou dois anos, os novatos com menos de seis meses de estrada somam 21%, e os que jogam entre dois e cinco anos representam 16%.
Já o ritmo de apostas é bem moderado para a gigantesca maioria, pois 35% abrem o aplicativo apenas algumas vezes por mês e 22% marcam presença dando um palpite uma vez na semana. Os que apostam raramente ou só em grandes finais e eventos são 21%, a turma que joga algumas vezes na semana forma um grupo de 12%, e o jogador raiz, que faz seus aportes diariamente, não passa de 1%.
A tática do bolso para apostas convencionais x Mundial
Com a economia sempre exigindo jogo de cintura, o torcedor é fanático, mas definitivamente não rasga dinheiro. Fora da época atípica de Copa, a aposta média já fica bem espremida na faixa de R$21 a R$50 para 36% das pessoas, seguida de perto por uma galera ainda mais conservadora de 27% que se recusa a passar dos R$20 por palpite. Valores médios, que variam de R$51 a R$100, representam 13% do público das plataformas, enquanto as fatias de R$101 a R$300 engajam 17% dos usuários. Cifras mais agressivas, que ultrapassam a marca dos R$300 reais em um único lance, limitam-se a corajosos 4%, e os mais reservados que preferem esconder o jogo da pesquisa e não revelar a quantia gasta representam 3%.
Já no quesito teto máximo de gastos na Copa do Mundo, a prudência dita o ritmo dos lances. 56% apostam no máximo R$50 por rodada. Os lances entre R$51 e R$100 são a meta exata de 13% das pessoas, mesma porcentagem (13%) daquelas que ainda estão completamente perdidas e não fazem ideia de qual será o próprio orçamento para as apostas. A turma que vai deixar cifras entre R$101 e R$300 nas bancas representa 10%. Não há absolutamente ninguém (0%) prevendo gastar lances na faixa de R$301 a R$500. Haverá apostas mais pesadas, acima de R$500 por rodada, mas fisgam apenas uma minoria de 4% do público. A fatia daqueles que reforçam que não vão apostar na Copa também ficou em 4%.
Defesa fechada: a estratégia das apostas para o mundial
Mesmo com a chuva de gols esperada no evento global, a regra de ouro do brasileiro continua sendo a defesa financeira pesada. Mais da metade do público, cravando 54%, garante que não vai fazer nenhuma loucura e manterá exatamente o mesmo ritmo de gastos com o qual já está acostumado no Brasileirão. Na contramão do entusiasmo total do torneio, 18% afirmam logo de cara que não pretendem apostar durante a competição. Só 17% admitem que vão flexibilizar e abrir um pouco mais a carteira, enquanto 11% pretendem, estrategicamente, apostar menos do que o normal.
Aposta cravada ou palpite em cima do muro?
Na hora de tentar a sorte grande e adivinhar quem vai erguer a taça da Copa do Mundo no fim do evento, bate aquela clássica hesitação. Cerca de 29% sabem que vão botar dinheiro no campeão final, mas ainda não cravaram qual é a seleção que merece o suado investimento. Outros 28% estão num clima de incerteza, 22% já elegeram o grande favorito, e outros 22% simplesmente afirmam que não farão essa aposta na consagração do campeão. Independentemente de quem levará a melhor, a audiência dos jogos está sacramentada para 45%, que prometem não desgrudar o olho dos jogos sempre que possível quando o dinheiro estiver rolando no gramado virtual. Já 36% deixam claro que não vão assistir necessariamente aos jogos em que apostaram, enquanto 12% acompanharão o placar na maioria das vezes e uma minoria de 6% afirmou que apenas de vez em quando.
Reputação é o camisa 10 na hora de escolher a plataforma
Definir onde transferir o dinheiro do palpite virou uma tarefa complexa em meio a um tiroteio implacável de anúncios, influenciadores digitais e patrocínios milionários estampando o peito dos jogadores. Na hora da decisão final e do depósito, a reputação e a confiança máxima na casa de apostas são os atributos imbatíveis e indispensáveis para 40% dos brasileiros. O marketing antigo e analógico do boca a boca também é um atacante de peso, já que a indicação de parentes ou amigos dita o cadastro para 33%. Só depois disso é que ganham força as tão badaladas promoções e bônus de entrada com 29%, a facilidade fluida de usar a plataforma no dia a dia com 25%, e o lastro gerado pela fama de casas conhecidas internacionalmente com 24%.
A goleada da Lotérica sobre o marketing digital
O verdadeiro golaço das apostas bate de frente com a tecnologia e está nos canais de uso. Em plena era da conectividade dos smartphones, as tradicionais lotéricas da Caixa lideram o segmento de longe, sendo apontadas por 66% dos apostadores do país para realizar ou acompanhar apostas esportivas. Os aplicativos criados pelas marcas de apostas ficam em segundo lugar da preferência com 22%, colados quase empatados aos sites acessados via computador com 20%. Fechando as alternativas tecnológicas, 11% usam de grupos de mensagens como Telegram ou WhatsApp que bombardeiam dicas, 11% não utilizam nenhuma dessas opções listadas na tela e um nicho de 5% recorre a plataformas robustas de análise e scanner de odds.
O cartão amarelo coletivo para o vício nas telas
Quando a diversão cruza a linha da saúde mental, o brasileiro demonstra que não vive dentro de uma bolha de otimismo. 80% concorda que as apostas esportivas podem muito bem se tornar um vício devastador. Para quem prefere se esquivar do debate e ficar na neutralidade, os que não concordam nem discordam formam a base de 10%, e uma minoria de 9% vai na contramão da lógica concordando que não há esse perigo todo.
O VAR acionado no autocontrole emocional
Quando questionados de forma direta se já sentiram a jogatina sair dos trilhos pelo menos uma vez e impactar negativamente a estabilidade do saldo bancário ou a própria saúde emocional: 66% das pessoas dizem categoricamente que isso nunca ocorreu em suas longas ou curtas trajetórias. Para 23%, esse tipo de aperto indesejado no final do mês até rolou, mas de uma forma rara que não marcou a rotina. Mesmo com esse sentimento coletivo de segurança pessoal, o cartão amarelo precisa ser levantado e levado a sério para os 5% da população que relatam viver esse descontrole algumas vezes, e a situação já impõe um cartão vermelho direto para os 4% que enfrentam esse abismo financeiro e psicológico de maneira frequente.
Metodologia da Pesquisa
O levantamento técnico foi conduzido pela Hibou entre os dias 10 e 16 de junho de 2026. A imersão nos dados foi realizada integralmente online via painel digital, construindo uma amostra sólida de 1.120 respondentes ativos e espalhados por todas as regiões e estados do Brasil. A estruturação da pesquisa manteve o foco analítico exclusivo no público adulto, com 18 anos completos ou mais, contemplando diretamente perfis que habitam as faixas de consumo das classes A, B, C e D na pirâmide social brasileira. O estudo entrega ao mercado uma precisão com margem de erro estimada na casa dos 2,9%.
Sobre a Hibou:
A Hibou é uma empresa especializada em pesquisa e insights de mercado e consumo, atuante há mais de 15 anos. A Hibou trabalha o tempo todo com informação e olhares inquietos sempre do ponto de vista do consumidor. A empresa produz conteúdo qualificado utilizando ferramentas proprietárias para aplicação de pesquisas e análises de profissionais com mais de 25 anos de experiência. A Hibou oferece pesquisas qualitativas, quantitativas; exploratórias; de profundidade; de campo; dublê de cliente; desk research; monitoramento de comportamento e insights; presença de marca; expansão de região; expansão de mercado para produtos e serviços; teste de produto e hábitos de consumo.



