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Campo Grande ganha estúdio com projeto acústico voltado à produção audiovisual


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  • mell280

23/06/2026 15h49

Campo Grande ganha estúdio com projeto acústico voltado à produção audiovisual

João Grilo


Construção utiliza múltiplas camadas de isolamento para reduzir ruídos externos e atender às exigências técnicas de gravações para televisão, publicidade e conteúdo digital
Campo Grande está prestes a receber um novo estúdio de gravação voltado à produção de conteúdo para televisão, publicidade e mídias digitais. O diferencial da obra está na engenharia acústica aplicada durante a construção, um processo que envolve diferentes materiais e técnicas para reduzir a entrada de ruídos externos e garantir maior qualidade nas gravações.
Ao contrário de uma edificação convencional, um estúdio profissional exige soluções específicas para controlar sons e vibrações. Neste caso, o projeto combina alvenaria, estruturas em steel frame, lã de rocha, câmaras de ar e revestimentos multicamadas. O objetivo é criar um ambiente isolado acusticamente, capaz de atender às exigências de produções audiovisuais que dependem de captação limpa de áudio.
Responsável pela obra, o engenheiro civil Antônio Brandalize explica que cada etapa foi planejada para formar sucessivas barreiras contra a propagação do som.
"Em um estúdio, não basta levantar paredes. É preciso pensar em como o som se comporta e quais caminhos ele pode percorrer. Cada material utilizado aqui tem uma função específica dentro do sistema acústico", afirma.
Desafio
Um dos principais desafios enfrentados durante a execução foi a proximidade com uma academia de ginástica, fonte constante de ruídos. Para minimizar o impacto sonoro, foram construídas paredes duplas com preenchimento de areia, separadas por câmaras de ar que dificultam a transmissão de vibrações. Sobre a estrutura já existente também foi adotado o sistema steel frame, tecnologia formada por perfis leves de aço galvanizado.
Além das paredes, a cobertura recebeu tratamento especial. O teto combina telhas termoacústicas, lã de rocha e forro de gesso acartonado, formando sucessivas barreiras contra a transmissão de som. O conceito segue padrões adotados em estúdios profissionais de rádio, televisão e música, baseados na combinação de massa, absorção e desacoplamento.
"O resultado é um conjunto de sistemas trabalhando em sintonia. Não existe um único elemento responsável pelo isolamento. O desempenho vem justamente da soma de todas as camadas construtivas", destaca Brandalize.
A iniciativa acompanha o crescimento do setor audiovisual brasileiro. Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostram que o país registrou quase 4 mil obras audiovisuais não publicitárias em 2025, o maior número da série histórica. No mesmo período, os investimentos públicos destinados ao setor ultrapassaram R$ 1,4 bilhão.
Levantamentos recentes também apontam que a cadeia produtiva do audiovisual movimentou cerca de R$ 70 bilhões na economia brasileira em 2024 e gerou mais de 600 mil empregos diretos, indiretos e induzidos em todo o país.
Nesse cenário, a ampliação da infraestrutura técnica fora dos grandes centros é apontada como um dos fatores que contribuem para fortalecer a produção regional. Em Mato Grosso do Sul, espaços com características técnicas específicas podem ampliar as possibilidades de gravação para produtoras, emissoras, agências de publicidade e criadores independentes.
Mais do que uma obra de engenharia, o novo estúdio representa um exemplo de como soluções construtivas especializadas podem atender às demandas de um setor que cresce e se profissionaliza em diferentes regiões do Brasil.

 
 




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