No próximo dia 9 de julho é celebrado o Dia Nacional de Alerta à Insuficiência Cardíaca, uma oportunidade para abordar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da doença.
Para comentar o tema, o Dr. Jefferson Vieira, doutor em Cardiologia pela USP, pode apoiar com informações sobre os principais sinais de alerta, fatores de risco, diagnóstico e os avanços no tratamento da insuficiência cardíaca.
Como material de apoio, encaminho também um artigo de opinião já publicado, assinado pelo especialista, que traz uma visão mais aprofundada sobre o tema.
Caso tenha interesse, fico à disposição para agendarmos uma entrevista.
Obrigada,
Insuficiência cardíaca ainda mata mais do que deveria
*Por Jefferson Vieira, Doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP).
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, superando inclusive doenças amplamente discutidas como o câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde, foram responsáveis por cerca de 20,5 milhões de mortes globais em 2021¹, número superior às mortes por câncer estimadas para o mesmo período². A insuficiência cardíaca responde por parcela importante desse total.
Trata-se de uma condição altamente prevalente e que segue avançando de forma silenciosa. Estima-se que mais de 55,5 milhões de pessoas viviam com insuficiência cardíaca no mundo em 2021, um aumento de 33% em relação a 2010³, segundo o relatório Heart Disease and Stroke Statistics 2026 da American Heart Association (AHA).
No Brasil, o impacto também é expressivo. Estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas convivam com insuficiência cardíaca no país, com aproximadamente 240 mil novos casos por ano⁴. Além disso, a insuficiência cardíaca permanece entre as principais causas de internação cardiovascular no SUS, o que reforça seu peso assistencial e econômico para o sistema de saúde⁵.
Esse cenário é particularmente preocupante porque, diferentemente de diversas terapias oncológicas de alto custo, os medicamentos para insuficiência cardíaca são relativamente acessíveis e amplamente disponíveis. No caso da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, o tratamento padrão combina medicamentos essenciais que reduzem o risco de morte, as internações e contribuem para a recuperação funcional do coração, desde que sejam introduzidos e titulados com acompanhamento adequado⁶. Essa abordagem, conhecida como terapia quádrupla, representa hoje o padrão de cuidado e é sustentada por ensaios clínicos robustos que demonstram reduções consistentes da mortalidade cardiovascular e das internações quando iniciada precocemente e mantida de forma adequada⁶.
O problema é que, na prática, esse potencial nem sempre se concretiza⁶. Muitos pacientes não recebem todos os medicamentos ou interrompem o tratamento por receio de efeitos adversos, que podem ser monitorados com acompanhamento adequado⁶. Quando a combinação não é completa ou as doses permanecem abaixo do recomendado, o risco de descompensações, reinternações e morte aumenta. Garantir a implementação plena do tratamento não apenas salva vidas, como também reduz hospitalizações e se mostra uma estratégia com bom custo-benefício para o sistema de saúde ⁶.
Cada hospitalização evitada significa mais tempo em casa e melhor qualidade de vida, assim como cada ajuste adequado de dose reduz o risco de morte súbita e de progressão da doença. Implementar integralmente o tratamento recomendado é uma escolha que efetivamente acrescenta anos de vida. Temos evidências robustas, diretrizes consolidadas e acesso cada vez maior às terapias; o desafio agora é transformar o tratamento completo em regra, e não exceção. Salvar vidas na insuficiência cardíaca não depende somente de novas descobertas, mas da aplicação consistente do que já sabemos que funciona.
Referências
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International Agency for Research on Cancer. GLOBOCAN 2020: Cancer Today. Lyon: IARC; 2022. Available from:
https://gco.iarc.fr/today
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Palaniappan LP, et al. 2026 Heart Disease and Stroke Statistics: A Report of US and Global Data From the American Heart Association. Circulation. 2026;153:e00–e00. doi:10.1161/CIR.0000000000001412.
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Cestari VRF, Garces TS, Sousa GJB, et al. Distribuição espacial de mortalidade por insuficiência cardíaca no Brasil, 1996–2017. Arq Bras Cardiol. 2022;118(1):41-51. doi:10.36660/abc.20201325.
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Oliveira GMM, Brant LCC, Polanczyk CA, et al. Cardiovascular Statistics – Brazil 2023. Arq Bras Cardiol. 2024;121(2):e20240079. doi:10.36660/abc.20240079.
- Heidenreich PA, Bozkurt B, Aguilar D, et al. 2022 AHA/ACC/HFSA Guideline for the Management of Heart Failure. Circulation. 2022;145:e895–e1032. doi:10.1161/CIR.0000000000001063