- mell280
15/07/2026 07h58
O apoio público aos refugiados permanece estável após 75 anos de proteção pela Convenção.
Nova pesquisa global da Ipsos com o ACNUR revela que o apoio social às pessoas refugiadas permanece equilibrada, apesar das crescentes incertezas globais. No Brasil, destacam-se as percepções de que refugiados devem poder acessar ao país para escapar de guerras e perseguições, assim como que estarão integrados com sucesso na sociedade, contribuindo positivamente para a sociedade.
Genebra – O apoio público às pessoas refugiadas permanece estabilizada globalmente, apesar de anos de turbulência política, pressões socioeconômicas nos países de acolhimento e debates e políticas de deslocamento polarizadas, de acordo com uma nova pesquisa global da Ipsos divulgada em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
A pesquisa recente constatou que 66% dos entrevistados em 29 países concordam que as pessoas que fogem da guerra ou da perseguição devem poder buscar proteção em outro país – apenas um ponto percentual a menos do que em 2025 e em grande parte consistente com os níveis pré-pandemia. Em vez de indicar oposição à proteção de refugiados, os resultados mostraram que muitos apoiam a oferta de segurança para aqueles forçados a fugir, mas mantêm preocupações com os sistemas de asilo, a gestão de fronteiras e a integração.
Dados específicos do Brasil mostram uma sociedade ainda mais aberta ao acolhimento e integração de pessoas refugiadas, posicionando o país dentre os mais favoráveis a que o governo possa fazer ainda mais para essa população. Na visão dos entrevistados, o Brasil se mostra como o país mais propenso a manter suas fronteiras abertas para o acesso de pessoas que buscam proteção (61%), assim como lidera o ranking de acreditar que as pessoas refugiadas serão bem integradas na sociedade brasileira.
Não existe uma perspectiva global única sobre as pessoas refugiadas, mas sim um espectro moldado por realidades locais, cobertura da mídia, debate político e experiência nacional. O apoio aos refugiados foi mais forte na Suécia e na Holanda (78% concordaram que as pessoas devem poder buscar refúgio). Austrália, Brasil e Estados Unidos apresentaram as visões mais positivas sobre as contribuições que as pessoas refugiadas podem fazer às suas respectivas sociedades.
“As pessoas continuam a apoiar a proteção daquelas pessoas que são forçadas a fugir. Isso não mudou muito”, disse Trinh Tu, Diretora-Geral da Ipsos Reino Unido. “Mas muitos questionam como a proteção a refugiados funciona na prática e se os sistemas são justos. O debate está mudando da questão de se os refugiados devem ser protegidos para questões de sistemas, implementação e responsabilidade”.
Cerca de 61% expressaram a opinião de que muitas pessoas que buscam proteção como refugiados podem ser motivadas por oportunidades econômicas ou acesso a serviços de assistência social, em vez de terem um pedido bem fundamentado. No Brasil este índice é um dos menores verificados, de 49%.
“Em um momento em que conflitos, violência e perseguição continuam a desarraigar milhões de pessoas e mesmo com o sistema de asilo sendo politizado e manipulado, é encorajador que o apoio à proteção a refugiados permaneça sólido”, disse Dominique Hyde, Diretora de Relações Externas do ACNUR. “O público ainda apoia amplamente os princípios da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, estabelecida há 75 anos. As pessoas querem uma proteção justa e eficiente, com responsabilidade compartilhada. O ACNUR está trabalhando para apoiar os governos a fim de garantir que os sistemas de asilo sejam justos e eficazes.”
Para o Representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, o país segue entre os que mais se posicionam de forma favorável ao acolhimento e integração de pessoas refugiadas. “O Brasil acolhe pessoas em necessidade de proteção internacional de mais de 150 países e isso reflete a diversidade da própria sociedade brasileira. O país segue aprimorando suas políticas públicas para o acesso ao território e às oportunidades de integração local, posicionando-se globalmente dentre aqueles que enxergam de maneira mais positiva o potencial que as pessoas refugiadas trazem para o desenvolvimento local e da sociedade como um todo”, afirma.
Globalmente, os jovens continuaram a expressar opiniões mais positivas do que as gerações mais velhas. Enquanto 49% dos entrevistados da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) acreditava que as pessoas refugiadas se integrariam com sucesso, o índice dos Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964) é de 39%. Os entrevistados da Geração Z demonstraram menor propensão a apoiar o fechamento de fronteiras ou a expressar dúvidas sobre as motivações dos refugiados. Mesmo assim, as preocupações com a integração, a gestão de fronteiras e a autenticidade dos pedidos de asilo permaneceram, em certa medida, em todas as faixas etárias.
Com a redução do financiamento humanitário, a pesquisa constatou que o público espera cada vez mais que a responsabilidade pelos refugiados seja compartilhada de forma mais ampla entre governos, instituições internacionais, ONGs e outros atores. Em comparação com 2025, mais pessoas passaram a esperar que ONGs (de 23% para 28%) e seus próprios governos (de 16% para 20%) desempenhassem um papel mais importante – este índice no Brasil é superior à média global, com 25% dos respondentes.
Referências da pesquisa:
A Ipsos entrevistou 21.521 adultos em 29 países entre 24 de abril e 8 de maio de 2026.
Os resultados refletem médias dos países pesquisados e não são estimativas globais ponderadas pela população.
No Brasil, foram entrevistadas 1.000 pessoas, sendo elas mais urbanas, com maior grau de escolaridade e mais afluente que a média geral da população.
Leia o relatório completo aqui (em inglês)




