- mell280
21/07/2026 13h15
Fim da fidelidade bancária: pesquisa mostra que 77% dos brasileiros se dizem abertos a trocar de instituição financeira
Estudo da Mastercard revela que os consumidores estão cada vez mais dispostos a trocar de banco em busca de experiências melhores, mais transparentes e personalizadas
Por muito tempo, a relação entre clientes e instituições financeiras foi marcada pela estabilidade. Abrir uma conta em um banco costumava significar permanecer nela por anos, muitas vezes por décadas. Mas essa lógica está mudando rapidamente.
Dados do relatório State of Open Finance 2026, produzido pela Mastercard, revelam que os consumidores estão cada vez mais dispostos a trocar de instituição financeira em busca de experiências melhores, mais transparentes e personalizadas. Globalmente, 77% dos entrevistados afirmam que mudariam de fornecedor para ter mais controle sobre seus dados financeiros, enquanto 43% afirmam já terem feito a troca por este motivo. 76% considerariam a troca para acessar recursos digitais que tornem a gestão financeira mais simples, e 44% já realizaram a mudança por conta disso.
O estudo também aponta que o Brasil está entre os mercados com maior disposição para mudança. O país registra um índice de 77% de consumidores abertos a trocar de instituição financeira, refletindo um cenário de crescente competição impulsionado pelo Open Finance, pelos bancos digitais e pela ampliação da oferta de serviços financeiros digitais.
Mais do que buscar novos produtos, os consumidores demonstram uma disposição para migrar em direção a instituições capazes de oferecer experiências mais convenientes, transparentes e alinhadas às suas necessidades.
Crédito e recomendações personalizadas: principais motivos para a troca
Essa mudança tem relação direta com o avanço do Open Finance, sistema que permite aos consumidores compartilhar seus dados financeiros entre diferentes instituições de forma segura e autorizada.
Com mais controle sobre as próprias informações, os clientes ganharam também mais liberdade para comparar serviços e buscar alternativas que façam mais sentido para suas necessidades. Como consequência, bancos e fintechs passaram a disputar espaço não apenas por preço ou tradição, mas pela qualidade da experiência que conseguem oferecer.
O relatório mostra que 70% dos consumidores entrevistados mudariam de instituição para receber recomendações e insights financeiros mais personalizados. Já 81% considerariam a troca para obter melhores condições de crédito, evidenciando que a conveniência deixou de ser o único fator relevante e passou a caminhar lado a lado com a busca por melhores oportunidades financeiras.
"Estamos vendo uma mudança importante na lógica de fidelização do setor financeiro. No passado, muitos clientes permaneciam no mesmo banco porque mudar exigia tempo, burocracia e esforço. Hoje, com o Open Finance, a fidelidade precisa ser conquistada continuamente por meio de produtos, serviços e experiências que realmente façam sentido para o consumidor. Isso cria um ambiente mais competitivo, mas também mais saudável para a inovação", afirma Murilo Rabusky, diretor de negócios da Lina Open X.
Empresas acendem o alerta
A crescente disposição dos consumidores para trocar de instituição financeira já produz efeitos concretos no mercado. Segundo o relatório da Mastercard, 67% dos executivos do setor afirmam ter observado perda de clientes porque suas organizações não conseguiram oferecer o nível de conveniência ou personalização esperado pelos usuários.
Os dados sugerem que os consumidores estão olhando para além de taxas e tarifas na hora de escolher onde manter seu relacionamento financeiro. Considerando esse contexto, a preocupação das empresas é compreensível. Mais de seis em cada dez executivos (62%) acreditam que suas organizações correm o risco de perder ainda mais clientes caso deixem de investir, ao longo do próximo ano, em sistemas capazes de tornar as interações financeiras mais convenientes e personalizadas.
Para Murilo Rabusky, essa mudança reflete uma transformação mais profunda na relação entre consumidores e instituições financeiras.
"O consumidor brasileiro está se acostumando a comparar serviços financeiros da mesma forma que compara aplicativos de transporte, streaming ou compras online. A expectativa por experiências simples, personalizadas e sem atritos aumentou significativamente, e isso reduz a tolerância a processos burocráticos ou ofertas pouco aderentes às necessidades de cada pessoa", destaca.
O Brasil reúne características que ajudam a explicar por que essa transformação acontece de forma tão intensa. Além de possuir um dos ecossistemas de Open Finance mais avançados do mundo, o país também foi palco da rápida adoção de soluções digitais como o Pix, as carteiras digitais e os bancos totalmente digitais.
Confiança continua sendo decisiva
Embora a maioria dos consumidores esteja aberta a compartilhar dados financeiros em troca de melhores serviços, a confiança continua sendo um fator determinante. O estudo mostra que muitos usuários só aceitam esse compartilhamento quando entendem claramente como suas informações serão utilizadas e quais benefícios receberão em troca.
Para as instituições, o desafio é transformar o acesso aos dados em valor percebido pelo cliente. Quanto mais transparente for essa relação, maiores as chances de engajamento e adesão às soluções baseadas em Open Finance.
A disputa pelo cliente alcança uma nova etapa
Os números da Mastercard mostram que a fidelidade bancária já não pode ser considerada garantida. Com mais opções à disposição e maior controle sobre seus próprios dados, os consumidores estão cada vez mais dispostos a migrar para instituições que ofereçam melhores condições, mais conveniência ou experiências mais alinhadas às suas expectativas.
Para o diretor de negócios da Lina Open X, o Open Finance está redefinindo a forma como as instituições constroem relacionamento com seus clientes. "O Open Finance não elimina a fidelidade, mas muda a forma como ela é construída. O cliente continua fiel quando percebe valor, não porque encontra dificuldades para sair”, conclui.
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Lina Open
A Lina nasceu com o objetivo de construir soluções tecnológicas para apoiar instituições financeiras e seguradoras brasileiras em todas as necessidades relacionadas ao ecossistema de compartilhamento de dados e serviços do Open Finance. A empresa, que começou seus trabalhos no Open Banking, já é líder no Open Insurance e se consolidou como um dos mais importantes provedores de Open Finance do mercado brasileiro, sendo o parceiro estratégico de importantes instituições como B3, RTM e TecBan. Saiba mais: https://linaopenx.com.br/



